Caminhando nos passos de Jesus

Movidos pelo Espírito de Jesus. O Espírito de Deus conduz a Jesus até os últimos. Eles hão-de ser os primeiros a experimentar essa vida mais digna e livre que Deus quer para os seus filhos e filhas. «O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu. Enviou-me a anunciar aos pobres a Boa-Nova, a proclamar a libertação aos cativos e a vista aos cegos, a dar liberdade aos oprimidos e proclamar um ano da Graça do Senhor» (Lucas 4,16-22). Estes quatro grupos de pessoas, os «pobres», os «cativos», os «cegos» e os «oprimidos» são aqueles a quem Jesus mais leva dentro do seu coração de Profeta do Reino. No mundo fala-se de «democracia», «direitos humanos», «progresso», «bem-estar»… Jesus pensa nos últimos e fala de trabalhar por uma vida livre que brote a partir deles. Movidos pelo Espírito de Jesus só podemos trabalhar por uma economia que seja «Boa-Notícia» para os pobres, «libertação» para os escravos, «luz» para os cegos, «graça» para os desgraçados. Com indignação e esperança. Jesus vive no meio de uma sociedade onde não reina a justiça. Por um lado, o Império de Roma, Herodes Antipas e os poderosos proprietários da Galileia exploram os camponeses das aldeias sem ter consciência de que roubam o pão aos pobres. Por outro lado, há muito tempo os dirigentes religiosos se desinteressaram do sofrimento das pessoas. O império romano defende que a «pax romana» é a paz plena e definitiva; a religião do Templo defende que a «Torá de Moisés» é imutável. Enquanto isso, os excluídos do império e os esquecidos pela religião estão condenados a viver sem esperança. Pode existir alguma melhoria na «pax romana» e pode-se observar de uma maneira mais escrupulosa a «Torá de Moisés», mas nada de decisivo muda para os pobres: o mundo não se torna mais humano. Jesus rompe com este mundo cerrado anunciando a irrupção do Reino de Deus. Essa situação sem alternativa e sem esperança é falsa. O mundo querido pelo Pai vai mais além dos direitos de César e mais além do estabelecido pela religião do Templo. Temos de seguir Jesus abrindo caminhos ao Reino de Deus a partir das atitudes básicas: a indignação profética que traz à luz as causas que se ocultam sob o sofrimento das vítimas e a esperança no Deus dos últimos, que sustém os esforços de quem trabalha pelo seu Reino (José Antonio Pagola, Biblista, teólogo, sacerdote e escritor espanhol).

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