Se não for candidato, Toninho lançará Dulce ou Wânia a prefeitura de Nipoã

Com conta rejeitada, Toninho Boca, ex-prefeito de Nipoã será candidato liminar e tem como plano B  candidatura a ser ocupada pelas ex-primeiras damas Vânia e Dulce

O ex-prefeito de Nipoã, Toninho Boca (PTB), reagiu de forma calculada ao episódio de rejeição de suas contas pela Câmara, classificado por ele como “manobra política para me tirar da disputa eleitoral”, e anunciou que será candidato com liminar judicial. “O relatório do Tribunal que rejeitou a conta de 2012 não aponta dolo, não houve prejuízo ao município e nesse caso, a Justiça não impede a candidatura.”
Caso a liminar venha a ser cassada no decorrer da campanha, Toninho Boca lançará mão do plano B, a candidatura de uma das duas ex-primeiras damas, Wânia Cardoso (PMDB) ou de sua mulher, Dulce Guimarães (PTB) a ser definido pelos partidos aliados.
Votaram pela rejeição das contas os vereadores João Gasparino (PV), Dão Pedreiro (PSB) e Carlinhos do Banco (PSB), ligados ao provável candidato José Lourenço, que nega qualquer interferência na votação.
“Eu não era candidato, passei recentemente por uma cirurgia, mas a decisão tomada pela Câmara foi política, eles votaram pela rejeição para impedir uma candidatura que só existia na cabeça deles. A minha intenção era ficar neutro na política, não me envolver e cuidar dos negócios, mas como eles tiveram uma posição política, eu vou agir de forma política”, justificou o ex-prefeito.
A forma política encontrada por Toninho para “dar o troco” será recorrer com liminar caso sua candidatura seja questionada na Justiça. “Existe jurisprudência nesse sentido em que a rejeição das contas é desconsiderada como impedimento quando não há prejuízo aos cofres município e quando não há intenção de se praticar crime. Não houve nenhum crime, nada foi apontado pelo Tribuna nesse sentido”, anota o ex-prefeito.
Se no decorrer da campanha, a liminar for cassada e não couber recurso, a candidatura de Toninho será substituída por uma das ex-primeiras damas. Wânia Cardoso (2001/2004) e Dulce Guimarães (2005/2012).
Segundo Toninho, tanto Wânia como Dulce conhecem a administração, os problemas administrativos e sociais do município. “Elas são preparadas para ocupar o cargo, a Wânia teve uma vivência política de quatro anos e a Dulce esteve do meu lado nos oito anos em que fui prefeito, sem contar ainda que eu e o Tico Cardoso (ex-prefeito) temos experiência de sobra na administração pública e privada e podemos ajudar muito”.
O ex-prefeito explica que a decisão sobre quem será a candidata será definida pelos partidos que farão parte da coligação.

O perfil e ideias das candidatas
Dulce e Wânia se dizem preparadas para uma campanha eleitoral e para as responsabilidades do cargo caso venham a assumir a prefeitura. Elas lembram que tiveram participação ativa nas campanhas eleitorais dos maridos e que também participaram e acompanharam suas gestões.
Elas também não vêm problema no fato de serem mulheres. “No Brasil, o machismo é muito forte, mas na política, as mulheres venceram esse preconceito, é muito comum hoje candidaturas de mulheres, em grandes e pequenas cidades, o eleitor percebeu que as mulheres têm mais sensibilidade social para governar. Aqui mesmo na região, nos temos a Marli (Padovez, de União Paulista) e a prefeita de Tanabi (Bel Repizo) que fizeram boas administrações”, lembram.

As contas
O Tribunal de Conta reprovou as contas de Toninho Boca, de 2012, por descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal, sem, no entanto, apontar qualquer crime de improbidade, vícios ou suspeitas de irregularidades em licitações de contratos de prestação de serviços, aquisição de mercadorias e produtos e outras situação que possam desencadear ações de responsabilidade civil ou criminal. “O último ano do mandato foi muito difícil, não consegui zerar as contas, mas não houve nenhum prejuízo para o município, não houve dano algum e o próprio Tribunal reconhece isso, não há nada nesse sentido apontado no relatório da rejeição das contas”, explicou Toninho.
O prefeito fez questão de lembrar que nos dois mandatos em que esteve à frente da prefeitura realizou as gestões mais bem sucedidas no município nas últimas décadas. “Terminei meu segundo mandato com dezenas de obras muito importantes realizadas em todos os setores da administração, consegui mudar a realidade da cidade que cresceu, se modernizou e gerou emprego e renda e por isso, sou o nome mais lembrado pelos eleitores e isso incomoda os meus adversários. Os vereadores que votaram pela reprovação das contas, agiram de forma política. Eles cometeram uma injustiça, movidos pela política, acusou o prefeito.
O vereador Dão Pedreiro nega que tenha tido motivação política. Ele reconhece que o relatório não aponta prejuízos aos cofres do município e alega ter acompanhado tecnicamente a decisão do TCE.

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