GEMA de Monte quer voltar ao futebol profissional após 24 anos de ausência

Após 24 anos desativado, o Grêmio Esportivo de Monte Aprazível (GEMA) tenta voltar ao futebol profissional. A iniciativa é do ex-jogador e apaixonado pelo time, Marlon Fernando Gonçalves, que há anos acalenta esse sonho.
Ele diz que há tempos vem acompanhando na Federação Paulista de Futebol uma oportunidade para que o GEMA possa voltar a ter seu departamento de futebol profissional. “Esse ano – conta – foi criada a Liga de Futebol Paulista, vinculada à Confederação Brasileira de Futebol assim como a Federação Paulista de Futebol, que facilitou o regresso de equipes que já participaram da Federação Paulista ao futebol profissional, como é o caso do GEMA, do Nevense, do Soréia de Auriflama e do Jalesense, entre outros”.
Para tanto, é preciso que o GEMA pague ainda esse ano a importância de R$ 25 mil correspondente à taxa de inscrição. A partir de 2017, esse valor sobe para R$ 300 mil, mais a anuidade correspondente a R$ 1,4 mil. Ciente dessa possibilidade, Marlon criou um livro de ouro e passou a arrecadar doações de antigos jogadores, torcedores e simpatizantes do time. Nos primeiros dias de campanha conseguiu arrecadar mais de R$ 3 mil e tem expectativa de obter o montante até setembro, quando, além do livro de ouro, realizará um evento para arrecadar fundos. “Definimos que em setembro faremos um boi no rolete, só não agendamos ainda a data”.
Se obtiver o dinheiro, o clube terá condições de regressar ao futebol profissional. “Na Liga de Futebol Paulista, os times passam a ter os mesmos direitos e deveres que os estabelecidos pela Federação Paulista de Futebol. Monte Aprazível atende as exigências, que é ter estádio para 3 mil lugares e possuir os laudos técnicos do estádio, que atendam o Estatuto do Torcedor”.
Marlon ainda explica que a Liga disputa a categoria sub-23, igual a segunda divisão da Federação Paulista de Futebol. “Pode ter até 5 jogadores acima de 23 anos e 6 atletas não profissionais numa partida. Ainda estamos observando as equipes da região que vem disputando a Liga para poder decidir como agiremos com o GEMA, mas a ideia é utilizar o máximo de jogadores da cidade para evitar os altos custos e também para dar oportunidade aos atletas aprazivelenses”.

Mais detalhes da retomada
O projeto prevê, de acordo com o idealizador, primeiramente a obtenção do dinheiro para pagar a inscrição que possibilitará o regresso do time à categoria profissional, depois o planejamento para captação de recursos que custearão o time, seguido de definição das contratações para a campanha do time em 2017. “A campanha agora é para arrecadar fundos para voltar pro profissional. Até porque temos a promessa de clubes profissionais de emprestarem jogadores para o GEMA sem custo”.
Indagado sobre as dificuldades que espera encontrar nessa empreitada, Marlon diz que sem dúvida será a parte financeira. “Pretendemos trabalhar de acordo com os recursos que conseguirmos obter”.
Ele diz que o volta ao futebol profissional é importante porque tem também a parte amadora do clube, que são as categorias de base sub-14, sub-16 e sub-18, que disputam campeonatos e que podem eventualmente revelar atletas de expressão o que na opinião de Marlon, dá oportunidade para os jogadores da cidade. “Além disso, se houver uma revelação nas categorias de base, o GEMA terá participação como clube formador, o que é um direito do clube”.
O ex-jogador acredita que se a cidade tiver uma camisa até o interesse das crianças pelo futebol vai aumentar, porque o futebol mexe com os sonhos deles, que aspiram se tornar jogadores profissionais. “Monte Aprazível já possui várias categorias de base, desde o sub-10 até o sub-18, que além de fomentar o esporte incentiva a educação, porque para jogar nos campeonatos os atletas tem que estar estudando e ter boas notas. Nossa preocupação é formar o atleta, mas também o cidadão”.

Histórias da bola caipira
O GEMA foi fundado em 26 de abril de 1946 e teve 9 participações no Campeonato Paulista de Futebol. Desde 1982, está com seu departamento de futebol profissional desativado.
Única equipe da cidade a se profissionalizar, em 1955, disputou por 3 anos consecutivos a Terceira Divisão, atual A3, e atingiu o seu auge em 1958, quando chegou a disputar a Segunda Divisão, atual A-2, como vice-campeão.
Em 1986, a Federação Paulista de Futebol abre o Campeonato Paulista para muitas equipes do interior, num processo mais amplo de democracia ao acesso ao futebol profissional. O GEMA disputou este formato até 1991, quando teve seu departamento profissional totalmente encerrado.
O clube continua em plena atividade no futebol amador e suas equipes de base são muito conhecidas na cidade e na região.

As lembranças de quem jogou de verde e amarelo
Ex-jogador do GEMA, Jonas Edward Bérgamo, recebe com a alegria a iniciativa do regresso do clube as atividades profissionais, mas diz que tudo tem que ser muito bem estruturado, porque hoje em dia o Poder Público não pode mais investir em futebol. “Acho que a ideia só vingará se o clube contar com a boa acolhida e amparo da sociedade e da iniciativa privada”.
Ele diz que uma boa estratégia para envolver a comunidade com o clube é usar atletas da cidade. “Assim, além de baixar o custo do clube, incentiva a cidade a participar assistindo aos jogos e até patrocinando o clube. Vivi isso quando joguei em José Bonifácio e o time que era um misto de profissional e amador foi campeão na presença da população que ia ao estádio torcer pelo clube”.
Jonas, que jogava na posição de goleiro, diz ter boas lembranças da época em que jogava no time. A melhor delas, segundo ele, foi uma contusão que sofreu na panturrilha direita e que o obrigou a fazer fisioterapia. Foi quando conheceu sua esposa, Dulce Ceneviva, com quem está casado há 28 anos.
Ele diz ter muitas histórias de campo também para contar. “No meu primeiro aqui, onde joguei de 1987 a 1989, nós subimos da terceira divisão do Campeonato Paulista para a segunda divisão. Lembro também de uma goleada histórica que o GEMA levou do Olímpia, 12 a zero, mas no ano seguinte nós conseguimos ganhar do Olímpia em casa e empatar no campo deles, o que lavou nossa alma”, relembra.
Jonas diz que quando chegou ao GEMA, o clube tinha atletas da cidade que eram mitos. “Tinha o Tadeu Lotado, o Marossi, o Mauricinho, o Luizão, o Maurinho do Carmo, que se uniram aos profissionais que vieram de José Bonifácio e fizeram o time subir de divisão naquele ano. Havia também o envolvimento da sociedade. Ao término das partidas eram sorteados brindes doados pelo comércio local aos melhores jogadores em campo, por isso que digo que para trazer o futebol profissional para uma cidade pequena hoje tem que despertar aquela antiga paixão, porque assim haverá envolvimento das famílias. Os pais, os avós, os tios irão no campo torcer para seu atleta e incentivarão ele a ganhar, além disso, um clube com atletas da cidade é um clube com identidade, o que não acontece quando a maioria dos jogadores é de fora”.

GEMA (2)

Os fanáticos
O comerciante Riscalla Soubhia Junior era um torcedor fanático do GEMA, daqueles que eram sócio torcedor e tinha carteirinha do clube e cadeira cativa no campo. “Eu pagava mensalidade ao clube”, lembra, com saudade. “Naquela época o time era profissional mesmo, era muito bom, a gente batia em muita equipe favorita”.
Saudoso daquelas “tardes de domingo”, Riscallinha, como é conhecido, diz estar feliz com a iniciativa do clube em retomar ao futebol profissional, e só teme pela viabilidade econômica, “ainda mais nesse período de crise que estamos vivendo, mas acho que se a iniciativa privada e a comunidade acolherem o clube será fantástico, porque a gente lembra com saudade daqueles domingos inesquecíveis. Se todo mundo der uma mãozinha, eu acho que dá para gente voltar a ter tardes de domingo maravilhosas”.
Ele conta que além de um clube bom, o Grêmio Esportivo Monte Aprazível era como uma família. “A gente tinha muita amizade com os jogadores, tanto que alguns como o Nas e o Cafuringa ficaram em Monte e se casaram com moças da cidade. Tem alguns que moram fora, que até hoje, ligam e mantém contato com a gente”.

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