O mito abre espaço

O ex-prefeito Wanderley Sant’Anna (PTB) foi a figura central da política de Monte nos últimos 34 anos. Participou de sua primeira eleição em 1982, quando foi o candidato mais votado entre os cinco postulantes, mas o cargo coube a Zequinha Agrelli, do PMDB, que teve seus votos somados aos de Egas Julio e do Professor Berardo, do mesmo partidos. Se elegeu em 88, apoiou José Viana em 92, elegeu a mulher Tais em 1996, seu candidato, Ernesto Peresi, perdeu a eleição em 2000, voltou à prefeitura ele mesmo em 2005 e só saiu dela em 2012.
Nos últimos quatro anos, uma eventual candidatura povoou a cabeça dos adversários como uma fantasma. No início desta semana, sua candidatura foi lançada nas redes sociais. Era um blefe dos correligionários. Na tarde da última quarta-feira, procurado por A Voz, revelou com exclusividade que não seria candidato.

A Voz Regional: Então o senhor será ou não candidato nas próximas eleições?
Wanderley: Respeito muito o meu grupo político, as pessoas que sempre estiveram e estão comigo e que incentivaram a ser candidato, mas não serei candidato nas próximas eleições.

Por quê?
Eu gostaria de deixar claro que esta minha decisão é atendendo uma vontade da minha família e não tem nada ver com saúde ou justiça. Minha família sempre esteve do meu lado durante toda minha vida política e eles viram de perto como me dedico intensamente pelas questões do município e como isto é desgastante. Juntando todos estes fatores, minha família entende que este seja o momento de ficar mais calmo, mais sossegado, além do meu próprio pensamento de que agora é a vez dos mais jovens assumirem o trabalho. Tenho certeza que dei minha contribuição para o desenvolvimento de Monte Aprazível.

Por que o nome do senhor foi jogado numa pré candidatura?
Eu estive envolvido com o executivo de Monte Aprazível por dezesseis anos praticamente. (Três mandatos como prefeito e mais um com a esposa Tais Sant’Anna) e durante este tempo, tive um bom trabalho e isto fez com que meu nome sempre fosse respeitado e bem lembrado entre a população. Seria uma honra comandar a cidade mais uma vez, mas no momento não tenho esta pretensão e o meu grupo entendeu perfeitamente esta minha posição e eu entendi a deles.

Nesta quinta feira teve uma reunião do senhor com grupos políticos e representantes do seu partido, nesta reunião foi decidido algo?
Conversamos na verdade sobre os rumos, que a política tomará neste ano. Posso adiantar que este grupo está trabalhando e negociando levantando algumas possibilidades e por ser um grupo totalmente aberto, já está trabalhando com algumas coligações e disposto ouvir algumas propostas. Pode ser que deste grupo tenhamos algumas surpresas.

O nome da sua filha Renata, sempre surge em meio as conversas de políticas no município, ela será candidata este ano?
Eu vejo que ela está capacitada para disputar e até mesmo assumir qualquer cargo, seja vereadora, vice ou prefeita. A Renata sempre esteve muito próxima das ações políticas e sempre desejou ter este envolvimento, mas não posso afirmar que ela será ou não candidata.

Hoje na opinião do senhor, quais são os melhores nomes para política de Monte?
Não gosto de citar nomes ou então falar deste ou daquele. Monte tem ótimas pessoas que se dariam muito bem a frente da prefeitura ou então nas movimentações políticas, inclusive até já fiz convite para estas pessoas, porém elas não quiseram se envolver. Sei que nossa cidade tem bons nomes, mas não tenho um favorito para este ou aquele cargo, quero alguém que trabalhe por Monte.

Muito se fala em renovação na política, qual sua opinião?
Eu acho que a renovação é extremamente necessária e bem vinda. Hoje a juventude está sempre atenta às novas tecnologias, novos estudos, tendências, e isto é importantíssimo para o futuro. A renovação, a inserção de pessoas novas e com conhecimento na política é fundamental.

A decisão do Ministro Teori Zavask em suspender as ações de improbidade na segunda instância, onde o senhor tem recurso pendente, não o convenceu a disputar?
Seria até um incentivo realmente, porém eu gostaria de tratar todos estes assuntos estando do lado de fora da prefeitura, para não misturar as coisas. É algo que resolverei sem estar a frente do executivo.

Sua opinião como morador de Monte Aprazível, como está a icdade atualmente?
Infelizmente eu vejo que a cidade está triste e não vejo ambição dos poderes em melhorar esta situação, isso me entristece demais.

O que o faria mudar de decisão?
Não vejo que algo me mudaria esta decisão, até mesmo porque é uma opinião minha e da minha família, atualmente só peço respeito.

UMA SANT’ANNA NA PREFEITURA?

A eleição em Monte Aprazível, até aqui chocha, ganhou em emoção com a decisão do ex-prefeito Wanderley Sant’ Anna em não se candidatar. O ex-prefeito saiu da disputa, mas não saiu de cena, deu sinal verde para que a filha mais velha, Renata (PHS), se lance ao cargo de vice. Segundo o vereador Gilberto dos Santos (PDT), interlocutor mais próximo da família, está vedada qualquer negociação que leve Renata a ser vice do atual prefeito Mauro Pascoalão (PSB), mas não há restrição quanto aos demais candidatos, Nelson Montoro, pelo PSD, e Toninho MInuci (PV). Se não prosperar o nome de Renata, o grupo tem ainda os nomes do próprio Gilberto e do também vereador Renato Jubilato, presidente do PTB.
Segundo Gilberto, em qualquer caso, o ex-prefeito se comprometeu a participar diretamente da campanha e, de quebra, fazer com que a mulher dele e também ex-prefeita, Tai Sant’Anna se envolva. “O nível de participação dos dois nesse sentido não está definido, pode não ser tão ostensivo como desejamos, mas não tão discreto como é característico do casal.”
Gilberto diz não haver preferência por qualquer dos dois candidatos por acreditar que em qualquer situação o grupo vai levar o candidato á vitória. “O nosso grupo tem metade dos votos da cidade, nós definimos qualquer eleição. Na última eleição vencida, pelo Maurinho, quem decidiu foi a periferia. Nós estávamos na campanha derrotada do Montoro, mas Wanderley e dona Tais, que dominam a periferia, não estavam na campanha”, avalia. Gilberto.

RENATA

Diálogo
Apesar de não ter preferência, Gilberto admite ser mais fácil uma composição com Toninho MInuci. “Não conversamos com Montoro ainda, vamos ter essa conversa. Ele já tem conversas adiantadas com o grupo (PPS, PP, PMDB, PSC, PT, PC do B, PSOL) do vereador (João Roberto) Camargo (PPS), mas estamos diante de um quadro novo. Vamos conversar com Toninho também e julgamos que será uma conversa mais fácil”, acredita o vereador.
Se o PDT pretende conversar com os dois, o PSDB já iniciou negociação com Toninho Minucci. Segundo o ex-prefeito e fiel companheiro de Wanderley por 30 anos,Ernesto Perese, o candidato verde recompõe e amplia a força eleitoral do grupo de Wanderley. “Essa possibilidade empolgou o partido, o nosso presidente (Donaldo Paiola) está viajando, mas aprova a coligação e deu sinal verde para que eu iniciasse a sondagem, O PSDB está reformulado, tem um grupo forte de candidatos, eu sou candidato a veredor, o Paiola, também é candidato. Somos uma nova força que se soma. O Toninho é uma candidatura nova, a Renata surge como uma liderança nova e capacitada”, avaliou Ernesto.
Toninho Minuci chegou de viagem na noite de quinta-feira e passou a manter contatos com representantes de Wanderley na manhã de ontem. “Eu sai da cidade com um quadro e retornei com outro. Estou conversando com os partidos, vou expor a situação aos militantes do PV, no momento não tem nenhuma definição, nem sequer um juízo formado da nova situação”, adiantou Toninho.
O médico Nelson Montoro, procurado, não retornou ás ligações.

Fotos: Lucas Ribeiro e Victor Manfredo

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