A propósito: Oposição de Tanabi não despreza candidatura de Valdir Uchoa

Embaralhado
A saída do ex-prefeito Wanderley SantA’Anna (PTB) da disputa eleitoral em Monte Aprazível abre um cenário novo, embora com o mesmo grau de imprevisibilidade caso viesse a ser candidato em uma campanha contra Nelson Montoro (PSD), Toninho Minuci (PV) e o prefeito Mauro Pascoalão (PSB).
Conforme o andar das nuvens, Wanderley de fora tem a capacidade de colocar Toninho Minuci no centro do embate com chances muito reais de vitória.

Afastado, mas dentro
Se acatar os apelos dos correligionários de longa data abrigados no PTB, PDT e PHS, grupo encorpado pelo PSDB, Wanderley fará em uma campanha, o que nunca fez antes, mergulhar de cabeça em uma candidatura alheia. A circunstância conspira para que o faça diferente: a candidatura da filha Renata como vice.

Dentro, mas isolados
O grupo de Wanderley, com três vereadores, em uma Câmara de 9, avalia que um eventual apoio a candidatura de Montoro sem ocupar a vice, mais ou menos acertada com o grupo do vereador e presidente do PPS, João Roberto Camargo, será adesismo inconseqüente que coloca em risco a reeleição dos três e a eleição de outros colegas, além de não ter influência em eventual governo. Toninho pode ser a alternativa para o grupo.

Cheia de graça
Uma das principais lideranças católica feminina de Monte Aprazível, Cassiana Ferreira, a pedido de Frei Chico, trocou o PHS pelo PV de Toninho Minuci para encarar uma candidatura para a Câmara. Eleitora de Wanderley Sant’Anna, a decisão foi cara a ela. Como se vê, os deuses da política também acabam por escrever certo por linha tortas. Cassiana deu uma volta enorme e pode chegar ao mesmo lugar.

Ora pro nobis e aleluia
No mesmo lugar poderão estar também outras lideranças católicas, os vereadores Renato Jubilato (PTB) e Gilberto dos Santos (PDT). Devoto de Santos Reis e praticante católico, Toninho tem ainda apoio do ex-prefeito e padre, José Viana. Pode parecer muito catolicismo junto, mas não é, Jubilato e Gilberto transitam no meio evangélico como se fossem batizados em rio, além do vereador Lelo Maset, crente professo.


O candidato a prefeito em Tanabi, Norair Cassiano da Silveira, marcou a convenção do PSB para o dia 30 e apesar de adiantado em uma semana, diz ter paciência de Jó. No caso, para esperar até o dia 5 por seu vice. A ata será fechada com a sua candidatura e a dos vereadores para receber o adendo da coligação que oferecerá o vice e completará a chapa proporcional. O recado de Norair é claro como água: é candidato e não recua.

Pode ser que não
O vice-prefeito Deva Zanetone (PMDB), de Tanabi, saiu de uma reunião com o candidato José Francisco de Mattos Neto (PC do B), da qual participou a prefeita Bel Repizo (PMDB), sem qualquer garantia de ocupar o mesmo cargo na chapa que Zé encabeçará. A partir daí foi procurar “o caminho do PMDB”. Do dirigente do PP, Correa Neto, segundo este, ouviu que o PP “estará na coligação que vai ganhar a eleição.” Correa não gostou de ser procurado talvez, depois de Deva ter ouvido de Zé “o que não queria ter ouvido.”
Menos radical, o presidente do PP, vereador Fabrício Missena, em conversa com a coluna, garantiu que o partido está aberto a conversas com todos os partidos.

Bifurcação
O caminho que Deva procura para o PMDB pode não ser o mesmo de Bel Repizo. Sem Bel, é duvidosa a distância que o fôlego do PMDB percorrerá.

Caminhos
Apesar de reconhecer que as portas do PMDB não estão fechadas para José Francisco, Deva está ansioso pela reunião que deve acontecer em breve entre os deputados caciques Rodrigo Garcia (DEM) Orlando Bolçone (PSB), Carlão Pingnatari (PSDB) e Itamar Borges (PMDB) para alinhavar uma candidatura única de oposição a José Francisco.

Copo de leite
Nessa conversa para buscar a candidatura única, não foi convidado nenhum figurão do PSOL, tipo Ivan Valente ou Luiza Erundina. A oposição está pagando caro pelo descaso com que está tratando a candidatura do oposicionista Valdir Uchoa (PSOL), visto como menino, e só toma iniciativas que aumentam a conta. A oposição dos partidões só quer de Valdir a renúncia e só reserva a ele papel de vereador, nunca a prefeito. Valdir vai terminar a campanha, pelo menos, na frente do “poderoso” candidato que a oposição arranjar.

Por ora, não
O PSOL se reuniu durante a semana e, dentre outros assuntos, discutiu a coligação proporcional com o PTN de Rodrigo Bechara. A avaliação foi de que o partido terá chapa só com os candidatos do partido, estando já definidos os 17 nomes possíveis. Caso até na convenção, houver desistência de um nome masculino, o assunto poderá ser rediscutido. Porém, a resistência será tão grande que a chance de dar certo é nula. A lógica é fatal para o PTN. Rodrigo é o único candidato de seu partido e o risco é dele se eleger no lugar de um socialista libertário.

Suprema proteção
Todos os gestores do Brasil, pendurados nos Tribunais Regionais por crime de improbidade, ganharam um refresco do ministro do Supremo Tribunal Federal, Teori Zavask. Todas as ações, especialmente dos prefeitos, estão suspensas até que o STF julgue a prescretibilidade das condenações relativas a devolução do dinheiro desviado dos cofres públicos. Com isso, o prefeito que estiver em campanha pela reeleição ou é candidato a mais um mandato, não corre o risco de ser impedido de disputar.

Avivamento
O PTN, de Valmir Salvione, e PROS, de Danilo Cesar, artculadores da reeleição de Mauro Pascoalão, promoveram uma reunião na última quinta-feira, com a presença de 11 partidos. Pelo menos cinco deles já estão comprometidos com outras candidaturas. Do grupo de legendas restantes, apenas o PROS e o próprio partido de Mauro, o PSB, tem expressão eleitoral.
Agregar partidos com representatividade será o grande desafio de Mauro. Agora, com as candidaturas de Montoro e Toninho se desenhando aumenta a fragilidade eleitoral do prefeito. Se ele fosse mais racional e tivesse amor próprio mediano, jogaria a toalha. O que pode acontecer, já que estamos vivendo tempos de recuar.

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