Sonho olímpico que vem a cavalo

Enquanto todos os olhares mundiais estão voltados para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, Julia Orpinelli uma pequena garota de Monte Aprazível, também segue os outros olhares e enxerga no Rio 2016 um exemplo para coloca-la nos Jogos de Tóquio, em 2020.
Para isso, Julia, de apenas 12 anos, já começou sua caminhada no mundo esportivo. Recentemente, a amazona representou a Federação Paulista de Hipismo e conquistou o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro da modalidade, disputado em Curitiba, onde obteve um dos melhores resultados da carreira de 2 anos. O conjunto da aprazivelense subiu ao pódio na terceira colocação após uma prova limpa e sem derrubar os obstáculos de 1,10m de altura.
“O nível do brasileiro estava muito alto, muita gente boa disputando a competição, foi muito difícil, mas eu consegui, foi muito bom”, comenta. A amazona começou a montar com apenas quatro anos de idade no sítio de familiares e já pode ser considerada uma veterana nas competições com cavalos. A mãe dela, Eliz, conta que a filha também se aventurou na prova dos 3 tambores, mas estava desanimada, até fazer uma aula experimental no hipismo. “Ela se encantou e não largou mais”.

As referências
Fã do cavalheiro Rodrigo Pessoa, medalha de ouro em Atenas 2004 e bronze em Sidney (2000) e Atlanta (1996), Julia também pretende seguir os passos do ídolo e disputar as Olimpíadas a partir de 2020, no Japão. “Quero muito chegar aos Jogos Olímpicos. É um sonho que pretendo realizar. Sei que é algo muito difícil, mas quero um dia chegar lá”, comenta a atleta mirim, que terá apenas 16 anos, mesma idade da também amazona Luiza Almeida, atleta brasileira mais nova nesta edição dos Jogos.
Além das dificuldades esportivas, Julia sabe que também terá que manter algumas obrigações fora da pista, como o bom rendimento escolar. Ela e a mãe entraram num acordo para a prática do esporte, onde Julia precisa manter boas notas na escola para continuar treinando e competindo. “Até agora ela está bem, com boas notas, fazendo todas as tarefas escolares, não faltando às aulas, ou seja, no caminho certo” comenta Eliz, que se mostra preocupada com os estudos da filha. “Sempre digo pra ela que estudar é o melhor caminho e que é necessário, mesmo disputando as competições o hipismo ainda é um lazer pra ela, o foco, ainda mais nesta idade, serão sempre os estudos”.
Mesmo dando as suas escapadas para Rio Preto, local de treinamento dela e o do seu cavalo, batizado de Sheik, Julia também encara os estudos com seriedade e garantia de bons resultados mais a frente. “A minha rotina é muito cansativa, pois tenho minhas obrigações da escola, treinamentos, mas é algo que eu quero e pretendo seguir então estou sempre animada e gosto bastante”
Com ingresso na mão e muita vontade de embarcar para o Rio de Janeiro para a final do hipismo das Olimpíadas, Julia, a mãe Eliz e o pai Gemoaldo estão animados para os Jogos. “Também estou empolgada para ir lá e ver de perto os jogos, muito legal ter esta oportunidade”.

bronze(2)Coração saltando
Enquanto Julia saltava tranquilamente na pista de Curitiba e zerava o percurso sem nenhuma penalidade, o que assegurava o terceiro lugar na disputa, toda a família que estava presente na arquibancada tinha todo nervosismo possível na torcida.
“Você fica muito tenso durante toda prova, com medo do salto dar errado e ter uma queda perigosa, alguém se machucar” afirma Eliz. “Na verdade, todo salto é uma tensão muito grande, a primeira preocupação é não se machucar e depois que não derrube o obstáculo e se prejudicar na competição”, analisa a mãe e torcedora de Julia.
Totalmente oposta ao sentimento de ansiedade e nervosismo da mãe, Julia, mesmo sob toda responsabilidade da competição, se divertia na pista com o seu cavalo Sheik. Totalmente tranquila, como se estivesse tomando sorvete segundo a mãe dela, a amazona passava calma para os torcedores na arquibancada.”O meu cavalo é pequeno, não tenho medo e fico bem calma na hora. Às vezes percebo minha mãe, meu pai e as pessoas gritando da arquibancada e penso em pedir calma pra eles”, se divertindo da situação de adrenalina em que colocam os torcedores “O hipismo de salto é emocionante porque um erro pode custar o título, então isso deixa mais emocionante, mas passo tranquila por tudo isto”.

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