Astros das arenas sem chapéu

Responsável direto pelo sucesso, assim como o insucesso, dos peões, os animais que participam dos rodeios estão recebendo cada vez mais os cuidados especiais que os tornam astros das arenas onde se apresentam. Segundo o regulamento das montarias em touros, metade da nota do cowboy depende do desempenho do animal, tornando o boi co-protagonista da festa. Um animal ‘bom de pulo’, como define os peões, é meio caminho andado para que os oito segundos se tornem a glória na competição.
Nas últimas décadas o preparo de animais que vão pular nos rodeios também movimenta vários profissionais que se especializam para o bom trato e o sucesso dos “coadjuvantes” de uma das maiores paixões do brasileiro, o rodeio. O investimento abrange desde a escolha da genética do animal até a escolha da melhor forma de transportá-lo para o local da competição, evitando que ele tenha uma atuação prejudicada.
Responsável por uma das tropas mais respeitadas do Brasil, Paulo Mulato, da Cia de Rodeio Paulo Emilio, explica a evolução dos animais de rodeio nas últimas décadas. “Um animal de rodeio hoje tem todo um preparo dedicado a ele, fazendo com que ele seja especialmente tratado para ir para uma arena de rodeio, são vários profissionais e procedimentos em prol do animal”, afirma o gerente de tropa.
Com uma alimentação balanceada, rotina de exercícios, exames e medicação contra doenças e parasitas, a vida dos animais nas fazendas é semelhante as condições de atletas de alto nível nos países de primeiro mundo. Segundo Paulo Mulato, o tratamento dos animais leva em consideração até os momentos de descanso de cada animal. “Logo que eles chegam de um evento, eles ficam alguns dias descansando de acordo com o tempo em que ele trabalhou ou viajou para participar do rodeio”.
Para o rodeio de Monte Aprazível, que está sendo realizado este final de semana, a Cia enviou 20 dos 180 animais que compõem a boiada, uma das mais respeitadas do rodeio brasileiro. “Dificilmente um boi pula duas noites no mesmo evento, ou em eventos seguidos, tem um rodízio de folga pra cada animal, ou seja, ele trabalha de fato no rodeio oito segundos, mas nós trabalhamos para que eles sejam sempre estrelas do rodeio” comenta Paulo
“Eu gostaria de receber o mesmo tratamento especial que um boi de rodeio recebe” afirma Molezan, proprietário da Cia Molezan de Rodeio. “A pessoa que fala que um boi de rodeio é maltratado não conhece o trabalho que é feito para o bem estar destes animais. Conheço dono de boiada que deixa de comprar algo pra ele, chega quase passar fome, mas não deixa de tratar bem ou então investir na saúde e no cuidado de um boi”, ressalta emocionado.
Com um plantel de 35 animais na sua companhia,Molezan fala também dos valores de cada animal. “Quanto mais o animal ficar famoso no rodeio, com boas apresentações, boas montarias, aumentam mais o valor de mercado dele e também da genética dele” afirma o boiadeiro de Cajobi dono do touro bombardeio, um dos mais famosos de sua companhia.
Equipe que ficou famosa ao ter no plantel o touro Bandido, tendo sua história contada por meio de músicas e até mesmo participações na novela América da Rede Globo em 2005, a equipe Paulo Emilio tem entre os mais famosos nomes o animal Agressivo. “Depois do Bandido acho que o que mais criou respeito na equipe e sempre é sinônimo de sucesso é o Agressivo, mas temos vários que os peões acabam respeitando” afirma Paulo Mulato.

Escolha no pasto
Com um tratamento totalmente diferenciado dos animais de corte, colocados praticamente para engorda, os animais que vão para o mundo do rodeio por vezes são escolhidos por conta da sua genética. “Tem animal que nós analisamos desde a ninhagem para saber se o colocaremos para as arenas, e fazer todo o trabalho de desenvolvimento dele para este trabalho”, explica Paulo Mulato.
Segundo o gerente de boiada, o animal é colocado para o mundo do rodeio após quatro anos de vida. “É como um jogador de futebol tem toda uma preparação e a vida dele trabalhando é curta de certa forma, em média os animais de rodeio ficam até cinco anos pulando, sempre com o melhor cuidado possível”.

O pulo do boi
Uma das maiores polêmicas do mundo do rodeio para os que não acompanham o esporte dois oito segundos é o que faz o animal pular durante a montaria, além da espora do cowboy. “O seden (corda utilizada pelo peão) é colocado na virilha do animal e aquilo o incomoda como se fosse uma cócega ou uma coceira, então o boi pula para tirar aquela corda da virilha dele, não tem nada amarrado ou então machucando o animal como muitas pessoas pensam” explica Molezan.

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