Câmara não veste a carapuça tecida por Mauro

Vereadores de Monte não assumem afirmação de prefeito de que o Legislativo teria atrapalhado a administração e apontam os erros da administração e de relacionamento do prefeito

A maioria dos vereadores de Monte Aprazível reagiu às críticas do prefeito Mauro Pascoalão (PSB) de que a sua administração teria sido prejudicada pela oposição sistemática ao seu governo. A afirmação foi feita na semana passada, em entrevista a A Voz Regional, quando o prefeito culpou ainda parte da imprensa e o ex-prefeito Wanderley Sant’Anna (PTB) de que teria deixado dívidas de precatórios trabalhistas.
O vereador João Roberto Camargo (PPS), que foi o articulador da candidatura de Mauro e coordenador de sua campanha, classificou as críticas de inverdades e lembrou que todos os projetos que o prefeito apresentou foram aprovados pelo Legislativo, independentemente, das divergências políticas. “Ele foi covarde com o grupo que o elegeu, ao virar as costas para os vereadores eleitos na coligação dele e outros setores que o apoiaram, decidindo governar sozinho. Ele nunca chamou um vereador, nem do grupo e nem da oposição, nunca tentou se aproximar, e mesmo assim teve todos os projetos de seu interesse e do interesse do município aprovados”, garantiu Camargo que foi presidente da Câmara no biênio 2013/14. Mauro se elegeu com uma base aliada de seis, dos nove eleitos e terminou o mandato com sete vereadores na oposição.

Colaboração
Camargo ressaltou que se tivesse interesse em prejudicar a administração, não teria implantado, quando a presidiu a Câmara, uma gestão de austeridade e controle de gastou que possibilitou ao Legislativo devolver para a prefeitura cerca de R$ 2 milhões, incluindo salários de um médico plantonista e um anestesista para a Santa Casa. “Se o prefeito conseguiu melhorar o atendimento na saúde, a contratação de plantonista e de um anestesista, pagos com dinheiro do orçamento da Câmara, foi fundamental para isso. Esse tipo de contribuição nunca se viu em Câmara nenhuma, nem em Monte, nem em qualquer outra cidade da região, e não me parece que foi uma decisão de quem quer prejudicar o prefeito, muito pelo contrário”.
A devolução do valor do pagamento dos médicos, teve continuidade na gestão do atual presidente Márcio Miguel (PP) e, segundo ele, foi interrompida no início deste ano em função de um convênio da Santa Casa, com anuência de Mauro Pascoalão, com a Divisão Regional de Saúde, pelo qual o município passou a atender pacientes de sete municípios, além dos quatro que já atende habitualmente. “Não tinha sentido a Câmara subvencionar a Santa Casa para atender pacientes de outros municípios, porque aumentou muito o atendimento e o valor coberto pelo SUS, conforme o estabelecido no convênio não cobre os custos com pacientes de outros municípios.”
Camargo e Márcio lembram ainda que neste mês, a Câmara autorizou a prefeitura a elevar os repasses para a Santa Casa de R$ 1.920.000,00 para R$ 2.920.000,00. “A Câmara, se agisse de forma política para prejudicá-lo, tinha aí um grande motivo, mas nós, vereadores eleitos pela coligação do prefeito, como os de oposição, somos responsáveis e conscientes de que fomos eleitos para defender os interesses da população e não beneficiar ou prejudicar o prefeito”, esclareceu Márcio que, da base aliada de Mauro, é hoje candidato a vice-prefeito na chapa do oposicionista Nelson Montoro (PSD).

Crise e precatório
Na entrevista, publicada na semana passada, Mauro citou ainda a crise econômica como fator que o impediu de fazer uma administração melhor. Para Camargo, ele usa a crise para se esconder. “A prefeitura não cria receita, o gestor trabalha com o orçamento que tem, e se ele optou por gastar os recursos com grande festas e não focou os recursos que tinha nas promessas que fez, como criar a circular, contratar médicos especialistas, fazer convênios com laboratórios e clínicas para exames de média complexidade e outras promessas, não é honesto culpar a crise quando chegam as eleições”, criticou Camargo.

Distanciamento
Eleito em 2012 pela oposição, o vereador Gilberto dos Santos (PDT), concorda com os seus colegas de que as declarações de Mauro são eleitoreiras. “Ele nunca procurou se aproximar da Câmara, ao contrário, ele sempre procurou desqualificar os vereadores. Em quase quatro anos de mandato, eu conversei com ele uma única vez, em 2014, quando fui informá-lo de que tinha conseguido uma verba de R$ 80 mil e depois disso nunca mais nos falamos. Antes da eleição ele nem me cumprimentava, ele se elegeu, eu me elegi e ele nunca fez um gesto de aproximação, então ele não tem direito de falar que eu ou qualquer outro vereador prejudiquei a administração e também não foi o ex-prefeito, não foram os precatórios, ele se atrapalhou sozinho”, constata Gilberto.
Como membro da comissão de Constituição, Redação e Justiça, Gilberto afirma que o prefeito nunca teve um projeto engavetado, nunca teria havido posição deliberada dos vereadores em prejudicá-lo. “Nunca usamos a prerrogativa do tempo determinado pelo Regimento Interno para votar os projetos de urgência, sempre procuramos votar antes do prazo para atendê-lo. O prefeito foi injusto, ele usa isso na campanha eleitoral porque não tem nada para apresentar para o eleitor”, ironiza Gilberto que lembra que o prefeito só teve dois projetos rejeitados em quatro anos. Em um ele pretendia dar aumento para os cargos nomeados por ele e nada de aumento para os demais funcionários e em outro ele atentava contra a transparência, pois queria modificar a lei que o obriga a publicar os atos do Executivo em jornal.”
Gilberto e Lelo Maset (PDT), juntos, são autores de cerca de 20 denuncias contra Mauro. “Denunciamos o prefeito ao Ministério Público, mas sempre com base em provas e indícios, e ele não pode recamar por isso. Das dez denuncias que fiz, só duas foram arquivadas, oito viraram inquéritos e em um deles o prefeito foi condenado e já teve recurso rejeitado no Tribunal de Justiça.”
Márcio garante que as críticas de Mauro não procedem em nenhum momento. Ele adianta que pedirá informações de quanto realmente foram pagos dos precatórios trabalhistas. “Na questão dos precatórios, ele é tão culpado como os outros prefeitos que o antecederam, ele cometeu os mesmo erros que vinham sendo cometidos que já geraram novas ações trabalhistas, não sabemos quantas, vamos levantar, mas acredito serem entre 50 a 100. Vamos concluir o relatório da Comissão Especial de Inquérito e denunciar ele e outros ex-prefeitos, pedindo inclusive que sejam responsabilizados e que cubram os prejuízos sofridos pelo município.”
O ex-prefeito Wanderley Sant’Anna também rechaça as críticas. Para ele, os precatórios representaram muito pouco, menos de 20% do orçamento de cerca de R$ 50 milhões anuais. “Quando assumi em 2005, assumi com d[ividas em torno de 20% do orçamento da época. Eu não fiquei lamentando ou culpando o (Luiz Carlos) Canheo que era o prefeito, eu fui trabalhar e paguei a dívida, resume Wanderley.

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