Casa dourada para os paraatletas do Brasil

Para quem ainda está com problema de abstinência com o fim dos Jogos Olímpicos, o início das Paralimpíadas, no próximo dia 7 de setembro, pode servir de remédio para quem curtiu a overdose esportiva que invadiu o país no mês de agosto. E a excelente notícia, além de mais esportes vindo por ai, é que o Brasil, no mundo dos esportes para pessoas com deficiência, é um dos líderes e potência na formação de atletas paralímpicos. Prova disso é o recém-inaugurado complexo do Centro Paralímpico Brasileiro em São Paulo.
O CPB, que ocupa uma área de 65 mil m2na Zona Sul da capital paulista, pertence a um seleto e ainda inédito grupo de locais voltados para a formação e treinamento de alta performance para atletas com algum grau de deficiência física ou mental. Fora São Paulo, existem no mundo inteiro outros 3 centros com esta finalidade: na China, Coréia do Sul e Ucrânia. O complexo brasileiro comporta até 300 atletas, e abriga modalidades como futebol, atletismo, vôlei sentado, basquete e tênis em cadeira de rodas e natação.
Nessas últimas semanas que antecedem os Jogos, entre 7 e 18 de setembro, o centro multiesportivo tem servido ao processo de lapidação final da delegação brasileira, que desembarca no Rio de Janeiro atrás de uma marca histórica: ficar entre as 5 nações mais ranqueadas no ranking de medalhas. E a previsão é bastante positiva, já que o Brasil é considerado uma das potências paralímpicas, ea cada ciclo, de 4 em 4 anos, cresce em conquistas. Só a título de comparação, em Sidney (2000), o país foi o 24º geral, com 6 medalhas de ouro. Em Atenas (2004), os brasileiros foram o 14º melhor no ranking, com 14 ouros. Já em Pequim (2008), o Brasil chegou na 9ª colocação, com 16 ouros. E 4 anos atrás, em Londres (2012), 24 ouros garantiram o país em 7º, a melhor marca desde que os Jogos Paralímpicos foram criados, em 1960, em Roma, na Itália.

Meta é alcançável, afirma presidente
Para o atual presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Andrew Parsons, o Brasil e seus 285 atletas alcançarem o top-5 é perfeitamente possível. “O país vem aumentando seu nível de investimento e preparação dos atletas paraolímpicos. O resultado no Parapan, ano passado, nos anima muito em nos consolidarmos como uma das principais forças do esporte no mundo”. Andrew se refere ao fato de o Brasil ter liderado o ranking da competição disputada em Toronto (Canadá) com 257 medalhas, sendo 109 de ouro.
O Comitê aposta que terá destaque na maioria das 23 modalidades paraolímpicas, e conta com nomes de destaque para encabeçar o quadro de medalhas, como o nadador Daniel Dias, com 12 medalhas conquistadas, a corredora Terezinha Guilhermina, campeã paralímpica, o futebol de 5 e de 7, o esgrimista JovaneGuissone, que vai defender o bicampeonato paraolímpico, após a medalha de ouro em Londres.
Outra aposta dos dirigentes está no apoio do torcedor brasileiro. “Registramos um aumento de quase 100% na procura de ingressos para os Jogos após o fim da Olimpíada, no dia 21. Muita gente não veio ao Rio com receio de não encontrar um evento organizado, mas foi ao contrário. Tem muita gente arrependida de não ter participado da festa, e agora quer fazer parte das Paralimpíadas”. Andrew também ressalta que os ingressos iniciando em R$ 10 e a curiosidade de conhecer o Parque Olímpico, que será parcialmente desmanchado e remodelado após o dia 18 de setembro, também pesam para o registro de um grande público e com perfil mais familiar.
Quanto à gerencia do imenso complexo, que comporta, além das quadras, piscinas em tamanho olímpico, academias, escritórios e alojamento, Parsons segue cauteloso em como funcionará a gestão entre Comitê e governo do estado de São Paulo. “Fechamos por 1 ano a gerência do centro, mas queremos ficar mais e transformar este complexo em referência de alta performance para atletas com deficiência. Muitos atletas “normais” não contam com uma estrutura dessas e não podemos desperdiça-la. O momento é de foco na competição, para depois definirmos as bases para termos a melhor administração possível deste espaço”.

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