Após queda de Dilma, empresários torcem para a economia melhorar

O plenário do Senado aprovou na última quarta-feira (31), por 61 votos favoráveis e 20 contrários, o impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT). A condenação de Dilma é a segunda na história do Brasil – a primeira foi em 1992, com Fernando Collor de Melo, que renunciou antes da condenação por corrupção e tráfico de influência. Desta vez, a presidente afastada foi condenada sob a acusação de ter cometido crimes de responsabilidade fiscal – as chamadas pedaladas fiscais no Plano Safra e os decretos que geraram gastos sem autorização do Congresso Nacional. A decisão deu novo ânimo a empresários, que acreditam em melhoras na economia e aquecimento interno.
Antônio Aparecido Minuci diz acreditar que a economia vá melhorar a partir de agora, porque muita gente estava esperando a conclusão desse processo para investir. Além disso, tem também o efeito psicológico. “Percebemos que o otimismo voltou”.
Ele diz que a partir de agora as notícias tendem a ser melhores, o que também contribui para a melhora da economia. “É claro que vai depender também das medidas de ajuste fiscal, mas acredito que elas trarão confiança ao mercado”, comenta.
Indagado se achou o processo correto ou se achou que ele feriou a democracia do país, Minuci diz que existem duas vertentes que precisam ser analisadas. “Uma que considera a questão como política e outra que defendia o afastamento de Dilma. Acho que o processo foi todo acompanhado pelo Supremo Tribunal Federal então foi correto, embora acredite que ela perdeu o cargo porque perdeu apoio político, porque essas pedaladas fiscais já tinham sido praticadas antes e não foram consideradas crimes, agora foram consideradas crime”.
“Mas já que houve o afastamento – continua – acho que se o novo governo for inteligente deve investir primeiro na área de construção civil, que é o setor que emprega mais rapidamente e pessoas que não tem tanta qualificação profissional. Movimentando esse setor, movimenta toda a indústria da construção e por consequencia todos os demais setores acabam sendo beneficiados. Creio que tudo vai depender de como o Congresso vai se portar daqui para frente. É um conjunto de fatores que acredito que vá contribuir para a melhoria da economia. Mas a perspectiva é boa”.
O comerciante Giuseppe Maset Junior também espera melhoras. “Acreditamos que o governo renovado, renove também a economia que está um caos. Desde que começou esse processo de impeachment o país travou. Acredito que agora com a situação resolvida os investimentos devam ser retomados, inclusive os internacionais”.
Maset diz que durante o primeiro pronunciamento de Michel Temer como presidente ele tocou muito na questão do desemprego. “Isso mostra que o governo deva atuar para amenizar o desemprego e recuperar postos de trabalho. Ele (Temer) falou também da retomada de vários investimentos que estavam parados, então temos esperança de melhora”.
Indagado sobre o processo de impeachment, Maset diz que foi um pretexto para afastá-la em razão de seu mau governo. “Acho que feriram a constituição, embora ela estivesse fazendo um péssimo governo, mas as pedaladas fiscais já tinham sido praticadas por governos anteriores e nada aconteceu”.

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