Vote em mim! Pelo Face, Whats e também, na urna digital

Com a reforma anunciada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as campanhas políticas, os candidatos se viram diante de um cenário mais desafiador, já que as campanhas cheias de placas, carros envelopados e comícios são coisas do passado. O foco, agora, passa a ser em cativar a atenção do eleitor por meios muito mais ágeis e baratos, ou seja, postura séria e uso da internet, principalmente, as redes sociais.
3 candidatos a prefeito de Monte Aprazível e Tanabi reconheceram nessa nova ferramenta de campanha uma forma eficiente de comunicação e criaram páginas no Facebook e grupos no Whatsapp para se comunicar com o eleitor.
Renata Sant’Anna, candidata em Monte Aprazível, possui uma pagina no Facebook com suas propostas de governo e onde coloca todas as ações de corpo a corpo que tem desenvolvido ao longo da campanha. “É uma ferramenta eficiente e barata que consegue atingir pessoas de diversas faixas etárias e classes sociais”.
Ela diz estar satisfeita com o retorno que tem obtido pelas redes sociais. “As pessoas interagem com a gente, e é uma excelente oportunidade de esclarecermos dúvidas e falarmos de nossas propostas. O uso das redes sociais é a grande inovação dessa campanha”. Mas, ela não abre mão do corpo a corpo, que considera tão eficiente quanto o uso do virtual. “As redes sociais e o corpo a corpo tem sido os principais pilares de nossa campanha”, conta.
Mauro Pascoalão, candidato à reeleição em Monte, também tem feito campanha pautado pelas redes sociais e pelo corpo a corpo. “Hoje praticamente todo mundo está antenado nas redes sociais, por isso acho importantíssimo usar esse recurso, ainda mais que tem custo praticamente zero para nós candidatos. Acredito que cerca de 30% a 40% do eleitorado tenha acesso as redes sociais e nesse público, pessoas de diferentes faixas etárias e classes sociais”.
Mas Maurinho também considera importante a visitação aos bairros e as moradias dos eleitores, o chamado, corpo a corpo, que ele faz questão de fazer. “O eleitor acessa as redes sociais, mas gosta da presença do candidato”. Como ocupa o cargo de prefeito e encontra-se em campanha, Maurinho tem uma equipe “caseira” que o ajuda a atualizar suas redes sociais. “Mas muitas coisas sou eu pessoalmente que atualizo”.
O médico Nelson Montoro, também candidato a prefeito em Monte Aprazível, teve que aprender a conviver com o novo palanque eleitoral já que ele não tinha perfil no Facebook e no primeiro dia de campanha criou um perfil e uma fan page. Ele diz já estar familiarizado com a nova ferramenta e a aprovou pelo alcance que proporciona.
O jornalista Carlos Carmello, que assessora Montoro na rede, diz ser ela a versão moderna do velho comício e cita o fato de que os três candidatos acordaram não realizar comício de rua, devido ao alto custo, como indício de que ela cumpre esse papel, com mais agilidade, de forma mais ampla e a custo zero. “Ali na rede tem tudo do comício, a proposta, a ideia que convence, o discurso que empolga, o eleitor que avalia o candidato, o que aprova e o que acredita, o que aplaude e até aquele que se comporta como o bêbado ou provocador, com a intenção de tumultuar”.
Porém, Carmello previne: “Nenhum candidato ganha a eleição só com a internet, o resultado eleitoral é a soma de um conjunto de fatores e os principais deles são o corpo a corpo e a confiança que o candidato transmite. Se a internet não ganha eleição, como no comício, uma frase mal colocada, a manifestação de preconceito, mesmo involuntária, pode custar uma eleição”.

Muitos likes
e posts em Tanabi
José Francisco de Mattos Neto, candidato a prefeito em Tanabi, diz que também usa as redes sociais para divulgar seus programas de governo e fazer campanha. “Temos uma fan page no Facebook, onde disponibilizamos vídeos com nossas propostas de governo e santinhos nossos e de nossos candidatos a vereador. Temos também dois grupos de Whatssap, onde interagimos com nossos candidatos a vereador e simpatizantes e onde colocamos todas as nossas ações”.
José Francisco diz que tem recebido muitas perguntas de eleitores por meio das redes sociais, o que o faz crer que a ferramenta é “um importante instrumento de abordagem do eleitor”, mas ele não abre mão do corpo a corpo. “Faço campanha das 5 horas da manhã até as 23 horas”, comenta.
Valdir Uchoa, também candidato, é outro que recorre às redes sociais para levar suas propostas de governo até o eleitor e fazer campanha política. “É uma ferramenta muito acessível e barata. Eu já a usava quando era apenas vereador e agora como candidato a prefeito uso muito também”.
Apesar de considerar as redes sociais eficaz, ele não abre mão do corpo a corpo, que considera insubstituível numa campanha. “A rede social casada com o corpo a corpo e outros instrumentos potencializa a campanha, fazendo com que consigamos atingir várias faixas etárias e pessoas de diversas camadas da população. Com a diminuição do tempo de campanha, nós candidatos teremos que recorrer cada vez mais às redes sociais, uma vez que ela dá ao eleitor a praticidade de ver o plano de governo dos candidatos na hora em que puder, sem que o candidato chegue em sua casa em hora inadequada”, diz.
Norair Cassiano da Silveira, também é candidato a prefeito em Tanabi, e é outro candidato a usar as redes sociais. Como o tempo de campanha é curto e ele prioriza a campanha corpo a corpo, tem uma equipe que o ajuda a atualizar sua página no Facebook. “A campanha na internet é barata e atinge cerca de 17% da população, mas normalmente são pessoas que já possuem sua posição definida em relação aos candidatos, por isso considero o corpo a corpo uma ferramenta tão eficiente como as redes sociais”.

Eleitores não curtem muito a abordagem virtual
A rede mundial de computadores, além dos inúmeros outros benefícios que proporcionou, tornou-se recentemente uma importante ferramenta na comunicação entre candidatos a cargos políticos e seus eleitores. Mas, ao que parece, os jovens que tem recebido pedidos de votos a programas de governo de candidatos via Facebook ou Whatssap parecem se incomodar com isso. Consideram invasivo o acúmulo de mensagens.
A secretária Julyce Martins da Silva, 19 anos, diz que já recebeu pedido de voto de diversos candidatos a vereador e prefeito pelo Face e pelo Whats e afirma que isso não a fez definir em que irá votar. “Pelas redes sociais é muito impessoal, a gente precisa conhecer bem o candidato e suas propostas para votar, não acho que seja enviando vídeos ou mensagens que obterão votos, pelo contrário, acho até chato, incomoda”.
O acadêmico de Direito Guilherme Gonçalves Padovesi, 23 anos, diz que ainda não recebeu pedido de votos pelo Face e pelo Whatssap e afirma dar “graças a Deus” por não tê-lo recebido porque acha que isso não define nada, já que nas redes sociais tudo é maravilhoso, tudo é bacana e na realidade não é assim. “Eu prefiro que o candidato chegue em mim para pedir meu voto e entregar seu plano de governo do que ficar mandando mensagens. Acho muito invasivo”.
A escrituraria Marcela Dantas Arruda, 29 anos, também recebeu várias mensagens de candidatos pedindo votos e falando de suas propostas de atuação. A exemplo dos demais entrevistados, Marcela também não se deixa levar pelas redes sociais. “Prefiro que o candidato me aborde na rua ou em outro lugar me pedindo voto e falando de suas propostas do que encher minhas redes sociais com mensagens. Acho uma intromissão”.

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