O supereficiente

Sou Daniel de Abreu, mas ao longo dos anos ganhei o sobrenome do meu ídolo do basquete, Michael Jordan, e passei a ser chamado de Daniel Jordan. Sou fã incondicional do basquete, principalmente dos grandes times da NBA, e me considero um privilegiado, pois pude ver uma grande geração de astros como Jordan, Magic Jhonson, Karl Malone, Jhon Stockton, Scott Pipen, entre outros.
Assistindo a todos estes lances, arremessos e jogadas, me fizeram desenvolver, além da torcida imensa pelo Chicago Bulls, uma vontade enorme de ser super jogador assim como eles. A sensação de marcar um ponto, empolgar a torcida ser um jogador é algo fantástico.
Todos estes sonhos foram o suficiente para eu superar algumas dificuldades que poderiam surgir por conta da minha paralisia cerebral, e me impossibilita de caminhar sem o auxilio de cadeira de rodas. Atualmente, me vejo como um super eficiente, já que consigo realizar várias tarefas que muitos não conseguem, tendo algumas dificuldades que muita gente não tem.
A primeira cesta veio do incentivo familiar
Cheguei ao basquete de cadeira de rodas por conta de uma tia. Como eu era fã de basquete, esta minha tia me levou para conhecer um grupo de cadeirantes de Rio Preto que praticavam a modalidade. Fui, gostei e me tornei um jogador, erealizei meu sonho de jogar basquete como meus ídolos.
Em 2000, consegui chegar à seleção brasileira, algo muito importante na minha carreira, consegui disputar vários jogos como ala e servi a seleção por quase 20 anos. Com o basquete, tive a oportunidade de conhecer várias cidades, pessoas e algo que não conseguiria senão tivesse o esporte presente em minha vida.
Estou feliz com o inicio das Paralimpíadas aqui no Brasil. Acredito que esta será uma oportunidade imensa para os atletas paralímpicos mostrarem o seu valor, divulgar o seu esporte e acima de tudo, mostrar a superação dos deficientes. Acredito que o desempenho nas paraolimpíadas será melhor que o das olimpíadas que terminaram recente, já que os paraatletas parecem ter mais força de vontade e também superação do que ‘os normais’. Sei que vamos fazer bonito nestes jogos.
Ao contrário do que muitos pensam, o esporte paralimpico é mais técnico e equilibrado do que o convencional, já que existem fatores a mais. No basquete, por exemplo, o contato das cadeiras é muito grande, o atletismo também exige muito mais força para correr com a cadeira de roda, a natação, o futebol, entre todas as outras modalidades.
Posso afirmar com toda certeza, que o esporte foi algo essencial na minha formação e contribuiu imensamente para desenvolvimento próprio e da minha família. Hoje tenho total independência para ir com minha cadeira de rodas em todos os cantos de Tanabi, viajo, trabalho, mas infelizmente tive que abandonar algo que sempre gostei e gosto até hoje.

Obstáculos para passar por cima
Depois de quase 2 décadas voltadas para a prática esportiva, principalmente o basquete e algumas vezes o atletismo, me vi forçado a parar, já que não tinha incentivo, tanto financeiro quanto logístico. Para a prática do basquete eu preciso de uma cadeira de rodas especial, equipamentos voltados para a prática do esporte o que me fizeram sair do profissionalismo, mas até hoje jogo na quadra aqui perto de casa em Tanabi.
A dificuldade que encontrei no basquete sei que muitos cadeirantes e deficientes encontram no cotidiano, principalmente com a falta de respeito de muitas pessoas. Percebo que aumentou a quantidade de rampas de acesso nas calçadas, mas muitos motoristas não respeitam e param o carro na frente da rampa ou então nas vagas destinadas aos deficientes físicos.
Nos últimos seis anos, aproximadamente, tivemos melhorias na adaptação de ambientes para receber os portadores de necessidades especiais. No ônibus, por exemplo, todos os que eu utilizo tem o elevador para subir a cadeira, um espaço reservado, os prédios também tiveram algumas adaptações, mas precisamos melhorar ainda mais, para que tenhamos sucesso no tratamento e adaptação dos cadeirantes.
Eu espero que as Paralimpíadas deixem um legado de incentivo tanto para aqueles que têm algum tipo de deficiência e estão desanimados, quanto para a população e o poder público para que notem e incentivem a inclusão e o respeito com os pessoas.

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