Quando o poder se acaba

Resignado, Mauro Pascoalão deixou a prefeitura afirmando que sua derrota foi uma escolha, não dos eleitores, mas de Deus,  que teria projeto melhor para ele. A melancólica conclusão do ex-prefeito de Monte Aprazível foi feita para A Voz Regional, no final do mandato, ainda como prefeito

Como o senhor avalia a sua passagem pela prefeitura de Monte Aprazível?

Muito boa. Experiência única,  uma oportunidade de estar a frente da cidade que eu amo. Me coube administrar problemas e buscar soluções em prol do município, superando adversidades de idéias, posicionamentos, enfim uma batalha continua com direcionamento e objetivos coletivos contrários aos interesses individuais, ou seja, tudo o que foi feito, foi sempre por Monte Aprazível.

Na opinião do senhor, qual será o maior legado do seu mandato?

Muito trabalho. Trabalhamos muito, pois sabíamos ao iniciar o mandato que tínhamos muito a fazer com uma máquina de recursos operacionais e estruturais limitados frente às obrigações e serviços à comunidade. Foi preciso muita seriedade, transparência e dedicação para manter a administração com credibilidade perante a população, sem protecionismo ou vantagem, mas priorizando e avaliando o que é melhor para o município.

Tem algum ponto que o senhor acha que deveria ter feito mais?

Poderíamos ter feito muito mais, mas quando se encontra pelo caminho não só problemas estruturais e operacionais, tivemos o passivo de precatórios, processos trabalhistas em torno de 8 milhões, parcelamento de INSS 4,5 milhões, aproximadamente, dividas que a curto prazo seja qualquer mandato distribuído nos 4 anos, dificulta muito as ações e projetos a desenvolver. Para complicar ainda mais o gasto do pessoal em 2013, já entramos com 54,6% ou seja, acima do limite permitido e a crise política e econômica iniciando 2014/2015 que afetaram muito nossa administração. É muito dinheiro colocado à disposição de obrigações não geradas neste governo. Resumindo: fizemos muito mesmo, tenho certeza. em todos os setores, ações, projetos melhorias, obras, adequações estruturais, enfim, o reconhecimento virá, para muitos já é realidade.

Durante parte do seu mandato, o senhor alegou que herdou a prefeitura com dificuldades financeiras e estruturais. Como a prefeitura está sendo deixada para o seu sucessor?

Como citei acima, muito melhor 2017 que 2013 em todos os sentidos, gasto com pessoal em janeiro 2013, 54,6% e em 2017, aproximadamente, em  47% a 48%, o menor dos quatro anos, frota nova bem diferente da encontrada no inicio, prédios novos, ampliações e reformas gerais, muitas obras em andamento a ser entregue, equipamentos, mobiliários, programas, diminuição de gastos, unificação de sistemas interno administrativo, aumento de recursos e arrecadação, o orçamento  2013 R$ 44.700,00 e em 2017 R$ 59.400,00, diminuição no passivo (dividas precatórios, processos trabalhistas), enfim uma situação bem mais favorável.

O senhor reclamou muito dos precatórios trabalhistas que tiveram origem  em ações trabalhistas. Segundo a Câmara, em sua gestão, surgiram mais de 200 novas ações. O que o senhor fez para corrigir as falhas do departamento de pessoal?

Há falhas que terão que ser corrigidas, mas não podemos crucificar o RH, precisa de uma força conjunta de todos os setores no planejamento de ações com o foco nos problemas. Fizemos novas contratações de serviços para atualizar, houve investimentos com resultados abaixo do esperado, mas que estará a disposição da nova equipe nas mudanças anunciada.

Durante o seu mandato, o senhor afirmou ter sido vítima da imprensa local. Qual a influência da imprensa no cotidiano da administração?

Influência negativa à Administração foi pesada e totalmente parcial vinculada à interesses políticos principalmente. Afeta muito no campo familiar, pois lê a noticia sabendo que não é verdadeira, conflitos, revoltas se iniciam a transparecer no convívio social e na administração.

Após a eleição o senhor disse não entender o motivo de não ter vencido a disputa. Recentemente se mostrou resignado e afirmou que Deus mostrará lá na frente  o motivo da derrota e quem estaria certo… Quem o senhor acha que está certo?

Tenho que partir do principio quando ao meu relato, que por algum motivo Deus não queira que eu esteja a frente do município, pois quer o meu bem com certeza, assim preparou algo melhor pra mim, e ele demonstrará isto com o tempo, tudo tem um propósito, agora da forma que buscamos em nossa vida temos o bem e o mal, seguiremos um caminho. E Monte Aprazível passará por essa transformação, tanto que fui criticado, humilhado por alguns, agora terão a oportunidade de provar tudo que falaram e será um paraíso? Claro que não, haverá problemas e criticas, mas se avançarmos quem ganha é Monte Aprazível. Quando quem está certo? O tempo irá dizer mais uma vez, talvez seremos reconhecidos mais na ausência do que estar presente. Temos certeza que fizemos um grande trabalho, é só comparar com mais de 50% dos municípios brasileiros não fecham as contas. E vamos provar isso.

Qual o seu desejo para o seu sucessor? Acredita que ele fará um bom mandato?

Que faça o melhor pela nossa cidade. Somos aprazivelenses assim queremos as melhorias nos serviços e qualidade de vida, desta forma haverá de dedicar muito tempo, pois atualmente necessita de estar presente para acompanhar as ações administrativas.

O que irá fazer daqui pra frente?

Primeiramente férias, também mereço uma pausa para avaliar tudo que passou em minha vida nestes quatro anos. Como sempre entrego nas mãos de Deus e vamos em frente, continuar sendo a mesma pessoa, andando pelas ruas, conversando, ser da mesma forma que sempre fui. O importante é que temos muitas pessoas torcendo por mim de verdade.

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