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Com o dólar perto dos R$3, Cancun, a Miami do México, se torna mais atrativa e se consolida com um dos destinos favoritos dos brasileiros na América Latina. Região da Península de Yucatán oferece mergulho na milenar história dos Mayas, mergulho com animais marinhos, além de muito luxo em hotéis e turismo de massa

De repente, o verão chegou ai, e a palavra praia se torna um item extremamente desejado no vocabulário de 9 entre 10 turistas. Para os que os que gostam de incluir entretimento, um bom hotel e também compras, Cancun, no México, faz brilhar os olhos. Ainda mais em um período no qual o dólar tem sofrido leves quedas e está na casa dos R$3,15. Some-se a isso o fato de o brasileiro ser um dos povos que mais gastam em viagens ao exterior e pronto: é hora de rumar para a Miami da América Latina. Brincadeiras a parte, a cidade mexicana, com cerca de 1 milhão de habitantes, mesmo que tenha bebido muito de um dos principais centros da Flórida, tenta vender uma imagem mais plural e variada para atrair visitante dos 8 aos 80, e de todos os gostos possíveis.

Localizada na Península de Yucatán, no extremo sul do país, Cancun, caprichosamente esmagada entre um lago e o oceano Atlântico, é o paraíso para quem aprecia boa hotelaria, com uma centena de hotéis espalhados pela costa de águas em tons de azul e verde. Há opções para todos os bolsos, desde resorts de luxo que fariam um político brasileiro se sentir em casa, até outros que também oferecem tudo incluído (hospedagem, comida e bebida), só que com valores mais reduzidos e ideais para companhias de viagens oferecerem pacotes que rivalizam ou até são mais baratos do que uma estadia no nordeste brasileiro. Ao mesmo tempo que isso cria uma concorrência saudável de destinos de viagens, a região no México também sofre com o que se chama de “turismo de massa”. Ir para lá é ter a consciência de que muito da atmosfera original do lugar foi plastificada afim de receber milhões de dólares e pessoas, que obviamente não vão para lá pensando em questões muito filosóficas, e sim, em esticar o pé na areia, tomar uma tequila e se divertir. Se a sua intenção de férias for essa, bingo.

mexico-1Além de muitas praias, Cancun também está muito bem servida das melhores lojas internacionais, distribuídas em shoppings centers de dar inveja a um faraó do antigo Egito, tamanha suntuosidade. Enquanto os carros passeiam pela Avenida Kukulkán, a principal artéria da cidade, lojas de grife, boates e mercados de artesanato se exibem aos olhos do visitante, que logo percebe que a via foi construída para as 4 rodas mesmo, por conta das poucas faixas de pedestre e semáforos. Se quiser andar a pé, é bom tomar cuidado. Os mexicanos de lá gostam de pisar no acelerador, desde carros particulares a ônibus. Falando em ônibus, é possível percorrer Cancun a bordo de um. Os busões locais cobram uma taxa de 10.5 pesos (50 centavos de dólar) do hotel em que você está hospedado até o centro. Também é bom se ligar que ali, a moeda norte-americana é a preferida e a que rege os preços. O peso mexicano, atualmente, flutua na conversão de 17 até 20 por uma verdinha dos EUA. E com Donald Trump no poder da Casa Branca, e a subida das políticas pouco amistosas com o vizinho, o temor da bolsa local é que o peso se desvalorize ainda mais.

Atrações nos arredores

Mas se você quer fazer de Cancun a base da viagem, e viajar pela península, esta é a melhor pedida. Yucatán, assim como o estado de Quintana Roo (Cancun pertence a este), estão repletas de pontos turísticos. Para quem deseja mergulhar na história de mais de 3000 anos dos Mayas, a ida até a cidade de Chitzen Itza, a 2 horas de ônibus, é obrigatório. A antiga cidade imperial, onde eram realizadas as cerimonias religiosas, sacrifícios humanos e também, os anúncios do imperador e governantes, impressiona pelo nível de conservação, principalmente pela pirâmide dedicada ao deus Sol. As divindades Mayas eram os fenômenos da natureza, e eles sempre pediam proteção para a colheita e nas viagens marítimas que eles empreendiam pela América Central, para conquistar novas terras e fazer comércio. Ali, de frente à pirâmide, é possível ver como este povo era engenhoso. Nos dias do equinócio, em julho e dezembro, a luz do sol bate nas laterais do prédio, e forma pequenos triângulos de luz, que no fim formam o desenho de uma serpente, Kukulkán, responsável por descer à terra, abençoá-la e torná-la fértil para a agricultura.

Mesmo com tanta inteligência Maya, há um ponto bem negativo no sitio arqueológico, eleito uma das 7 novas maravilhas do mundo. A infestação de vendedores de bugigangas e artesanatos dentro do lugar. Não há um só canto ao redor das construções em que não veja uma barraquinha e um mexicano desesperado por uma venda. E neste quesito, eles chegam a ser cansativos, e até um pouco grosseiros, tamanha a insistência em tentar empurrar uma camiseta ou um imã de geladeira guerra abaixo. A “praga” em Chitzen Itza, inclusive, fez com que a Unesco, órgão que cuida de patrimônios da humanidade, ameaçasse retirar o título da cidade, algo que pode impactar no repasse de recursos internacionais e número de turistas.

mexico-2Tchbum!

Além de Chitzen, a região concentra muitos outros sítios arqueológicos, como a antiga cidade portuária de Tulum, Cobá e outros. Os Mayas eram excelentes arquitetos, e conseguiram fazer com que parte de suas construções conseguissem resistir a força de 3 milênios. Mas se você acha toda esse banho de história um saco, o bom mesmo é explorar as atrações na água, que vão desde parques aquáticos, como o Xel-Há, uma imensa área verde próxima a Tulum, e que lembra muito a região de Bonito, no Mato Grosso do Sul. Lá, é possível mergulhar em um braço de encontro do rio com o mar, e observar peixes, a vida no mangue, e também, comer bem e dar uma espreguiçada nas muitas praias nas margens do parque.

Tanto no Xel-Há quanto na Isla Mujeyes e em Cozumel, é possível comprar pacotes para nadar com golfinhos, arraias e até mesmo, com tubarões. Só tome cuidado com uma coisa, e não são os bichos: o preço que eles podem te cobrar para fazer uma simpática foto ao lado do golfinho. Um pedaço quadriculado de papel fotográfico custa U$ 35, e pacotes com fotos, de U$ 100 para cima. A dica a se levar é que os mexicanos adoram negociar, e você nunca pode se levar pelo preço inicial. É preciso encarnar o espirito do desconto e regatear mesmo. Principalmente os brasileiros, que eles recebem sempre com frases bem humoradas como “amigo do Neymar tem desconto”, “preço mais barato do que a 25 de Março”, ou “preço melhor para brasileiro. Tá quebrado igual a gente”.

Cancun e a Península de Yucatán são altamente turísticas, e uma viagem por lá pode durar de 1 semana a 1 mês. É interessante pesquisar os locais de interesse antes de ir, mas se você não é do tipo planejador, da certo do mesmo jeito, já que lá é difícil fugir do turismo de massa e das inúmeras operadoras que fazem os passeios. Uma boa opção para quem não suporta guia turístico e clima de grupos de famílias num ônibus é alugar um carro e rodar. O sol é uma constante por lá, e se pode planejar uma ida a Cancun e arredores em qualquer época do ano. No site http://cancun.travel/pt/, há várias dicas e fotos para já começar a mexer com a imaginação. Buen viaje, tequilero!

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