Dançando conforme a música

Marcos Paulo, presidente da Câmara de Tanabi, promete gestão republicana, mas se diz preparado para atuar como vereador na oposição ou como aliado, no ritmo  dado por Norair

Aliado de Norair Cassiano da Silveira (PSB) na campanha eleitoral, o vereador Marcos Paula Mazza (DEM) foi eleito presidente da Câmara de Tanabi, com 10 votos, segundo ele, contra a vontade do prefeito que preferia na cadeira Rodrigo Bechara (PTN). Para Marcos Paulo, foi Norair quem quebrou o acordo que tinha com o partido e com ele, fechado na negociação das composições partidárias que apoiaram o então candidato socialista.

“Eu expus minha intenção de ser candidato e ele concordou desde que eu conseguisse os votos necessários. Terminada a eleição ele se pôs claramente em favor da candidatura do Rodrigo Bechara, então eu fui procurar meus caminhos e ele só admitiu a minha candidatura depois que percebeu que não teria condições de apoiar um candidato e fazer a presidência”, explicou Marcos Paulo. O vereador conseguiu o apoio dos vereadores oposicionistas Fabrício Missena (PP), Osmar Canela (PP), Gilbertinho (PSD) e Dorival Rossi (PSD) e o apoio declarado dos eleitos  da coligação de Norair, Xandão Bertolini (DEM), Devinha Zanetoni (PMDB), Pardal (PSDB), Advaldo Cristal (PSB), forçando a desistência de Bechara. Rose de Paula (PSOL), eleita pela oposição, manteve a sua candidatura.

Norair alega ter sido procurado por Mazza e Bechara após as eleições e teria dado a mesma resposta. “Eu disse a cada um, faça o seu trabalho, só pedi para que buscassem o voto do grupo, que mantivessem o grupo unido e foi isso que aconteceu, o Marcos Paulo conseguiu os votos do grupo e o apoio da oposição.”

Marcos Paulo não esconde a insatisfação, dele e do partido, com o distanciamento do prefeito que, suspeita, está por trás de deserções de filiados demistas, como o assessor de imprensa da prefeitura, Hilton Cristiano, que pediu desfiliação da legenda. “Durante a campanha estava tudo bem, o DEM estava junto com o PSB, pedimos votos para ele de casa em casa, nosso material de campanha pedia voto para ele, prometemos 1.400 votos, faltaram 50, mas elegemos dois vereadores. Nós fizemos a nossa parte e esperamos que ele faça a parte dele.”

Ao divulgar os nomes que fazem parte do governo, até agora, o DEM está ausente da lista. Segundo Marcos Paulo, o acordo previa duas secretarias. Está vaga ainda a inexpressiva,  politicamente, de Direitos Humanos. Segundo o presidente, o partido aguarda até o dia 6, data do anúncio oficial, mas adianta que essa é uma questão que o prefeito deve tratar com o partido, que é presidido pelo ex-vereador e ex-vice-prefeito Samuel Garcia, “por não ser assunto que tem a ver a com a Câmara.”

O prefeito confirma o acordo de duas secretária que seria ocupada pelos militantes Marcia Cabrera e Alexandre Bertoline, mas alega que o arranjo perdeu validade com a eleição de Alexandre para a Câmara. “O Alexandre, como se elegeu, não quis e não precisava mais da secretaria  e assi, o acordo foi cumprido, a vaga da Márcia está de pé.”

As divergências políticas, entretanto, garante Marcos Paulo, não devem afetar as relações entre o executivo e legislativo que permanecerão republicanas. Já as relações do vereador com o prefeito vão depender da postura do segundo. “Fui vereador por 4 anos e estive na oposição, participei de diversas discussões polêmicas, vencemos algumas, perdemos outras, então eu sei ser oposição e sei também ser situação e a minha posição vai depender do tratamento que receber e de como o prefeito vai tratar a Câmara”, resumiu o vereador. Porém, ele parece prever que a relação não será das melhores. “A Santa Casa vive um momento delicado, está sendo discutido com a prefeitura uma saída, mas a negociação está difícil e o prefeito não tem conversado com a Câmara sobre o assunto, mas não estamos parados, vamos participar dessa negociação a já convocamos uma reunião com a Santa Casa nesta semana.”

Obras

A primeira resolução administrativa na Câmara do novo presidente foi cortar o telefone corporativo da presidência, como forma de economizar, e iniciou uma reforma do prédio. Marcos Paulo criticou a postura dos ex-presidentes (de pelo menos 10 anos, em que se inclui seu pai, João) pela política adotada de economizar para devolver a sobra do orçamento para a prefeitura com claras intenções eleitoreiras. “Virou uma guerra para ver quem devolvia mais e não perceberam que a Câmara estava caindo na cabeça deles”, atestou. O prédio está com sérios problemas de infiltração, teto de madeira corroído, pintura a ser refeita que estão sendo reparados.. Marcos Paulo adequou algumas salas, transformando o espaço da presidência para sala de reunião dos vereadores e passou a ocupar a sala do diretor geral, Laerte Mazza, afastado por problemas de saúde e em processo de aposentadoria e fez outras adaptações de sala.

Ao cortar seu próprio telefone, o presidente espera que seja seguido pelo executivo que corte os celulares corporativos dos secretários.

Marcos Paulo pretende discutir com a população todos os projetos mais polêmicos. “Antes de votar temos que conhecer o que pensa a população sobre o assunto.” O presidente vai oficializar, com inclusão no Regimento da Casa, as sessões nos bairros.

O presidente pretende realizar concurso público para preencher três cargos a serem cri9ados, de atendente, telefonista e serviços gerais, funções que vem sendo exercidas por estagiários, com restrição do Tribunal de Contas. Ele vai preencher a vaga de diretor geral e criar um outro para assessorar os vereadores.

Nos cargos em comissão, Marcos Paulo manteve o advogado João Brizote na assessoria jurídica e substituiu o assessor de imprensa Peterson nomeando Neto Correa.

O orçamento da Câmara para 2017 foi estabelecido em R$ 2,25 milhões, pouco mais da metade do orçamento limite legal que é de até R$ 5,01 milhões.

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