A penitência do jejum se renova com a adesão dos mais jovens

A interdição da carne na Quaresma é mantida pelos mais velhos, mas os jovens se abstem do que mais gostam

O jejum e a abstinência não são práticas tão  comuns nestes  períodos modernos  da Quaresma. A igreja recomenda que os fiéis as faça especialmente durante este tempo litúrgico, mas também no decorrer do ano. A restrição alimentar, dirigida mais especificamente à carne, é uma prática um tanto difícil de seguir nesses tempos em que o churrasco na laje ganhou ares de identidade nacional. Mas está longe o desaparecimento da prática que se renova com novos adeptos.

De acordo com o Código de Direito Canônico – livro das leis que orienta a Igreja Católica – o jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos para favorecer a oração e o encontro com Deus.

Pelas orientações da igreja, estão obrigados ao jejum os que tiverem completado 18 anos até os 59 anos completos. Os outros podem fazer, mas sem obrigação. Grávidas e doentes estão dispensados do jejum, bem como aqueles que desenvolvem árduo trabalho braçal ou intelectual no dia do jejum. Mas, muitos dos que estão desobrigados da penitência se sujeitam a algum tipo de imposição como os estudantes Hugo Henrique Varol  Dias e Victor Hugo Pavane Rodrigues, menores de 18 anos. Outros ainda somam ao interdito o sentimento solidário, como o cabeleireiro Lamartine Orsati.  Por convicção religiosa e obrigação do ofício, o frade Francisco Rodrigues se priva dos prazeres das massas nesse período e a cultura regional familiar fala fundo à costureira Maria da Conceição Abreu Gonçalves.

O funcionário municipal José Carlos de Oliveira, foi o único contatado pela reportagem que não é isento do cânone religioso e o pratica.

  não são só os católicos e nem somente os maiores de 18 anos que fazem jejum e abstinência durante a Quaresma. Os estudantes Hugo Henrique Varol Dias, 13 anos e Victor Hugo Pavane Rodrigues, 14, mesmo estando desobrigados da abstinência a fazem por vontade própria.

Frei Francisco

“Faço questão de me abster de alguns alimentos. Eu me esforço para não comer massas e nem doces durante a Quaresma e faço isso todo ano em respeito aos preceitos desse tempo litúrgico, mesmo tendo mais de 60 anos”.

Lamartine

Não como carne e não tomo nenhuma bebida alcoólica nas segundas, quartas e sextas-feiras da Quaresma. A quantidade de carne que deixo de consumir eu dôo para pessoas carentes. É uma penitência que faço há muitos anos, desde que minha mãe era viva.”

José Carlos

“Começou com a intenção da minha mãe. Quando eu era criança ela não cortava o meu cabelo na Quaresma e a intenção dela continuou durante toda a minha adolescência e, adulto, quando fiz 20 anos eu continuei a intenção por vontade própria.”

Hugo

“Durante os quarenta dias da Quaresma não tomo refrigerante e nas quartas e sextas-feiras da me abstenho de comer carne e me imponho ainda a rezar todos os dias do período litúrgico, no mesmo horário, às 13h, o Terço da Misericórdia.”

Maria

“Na minha casa, nas quartas e sextas-feiras da Quaresma não se faz carne e sempre foi assim. Quem for me visitar no almoço e no jantar nesses dias vai ter que jejuar também. Isso vem dos tempos que minhas avó e mãe eram vivas, antigamente ninguém comia carne na Quaresma.”

Victor

“Faço a penitência da Quaresma há três anos, sem tomar refrigerante e nem comer doce durante os quarenta dias. Eu considera a penitência, a privação de algo que gosto como forma de lembrar um pouco do que Jesus sofreu.”

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