SINDALQUIM assume mobilização na região contra a aposentadoria aos 49 anos

Sindicato  dos trabalhadores nas indústrias do álcool e químicas vai realizar trabalho de conscientização de trabalhadores da região sobre os prejuízos da reforma previdenciária

 

O Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias do Álcool, Químicas e Farmacêuticas, nos últimos meses perdeu três de seus sete diretores (inclusive seu presidente, Almir Fagundes) por falecimento, mas promete superar  o momento difícil do luto com muita luta contra a Reforma da Previdência pretendida pelo governo federal.  “Vivemos um momento muito difícil, mas será um momento de honrar a memória dos companheiros que nos deixaram e mobilizar os trabalhadores e a sociedade  para o mal que representa a reforma Previdência”, antecipou o atual presidente da entidade João Pedro Alves Filho.

Mas não é só a Previdência que preocupa os sindicalistas do SINDALQUIM, um dos sindicatos mais atuante da região, nas próximas semanas. Os dirigentes e associados enfrentam outras reformas, que afetam diretamente os trabalhadores, que começam a ser discutidas no Congresso, como a Sindical e a Trabalhista, além da campanha salarial da categoria, cuja negociação com os patrões começa em abril. O alto desemprego observado no setor nos dois últimos anos é outra fonte de preocupação. “Serão várias frentes ao mesmo tempo, mas nós contamos com a tradição de luta do nosso Sindicato e da nossa categoria para vencer esses desafios”, aposta o sindicalista.

O SINDALQUIM goza de amplo prestígio no meio sindical brasileiro pela representatividade que possui, traduzida por campanhas salariais vitoriosas e bem sucedidas e alto índice de filiação. Por isso, a Reforma Sindical não chega a preocupar tanto seus dirigentes. “O SINDALQUIM é uma entidade de muita representatividade e uma reforma sindical vai afetar os sindicatos sem representatividade. A própria reforma trabalhista pode ter pontos positivos, embora somos radicalmente contra e não vamos aceitar alguns pontos dela, como a terceirização da atividade fim das empresas e não vamos aceitar nada que modifique a Previdência em prejuízo das conquistas e direitos dos trabalhadores”, ponderou João Pedro.

A REFORMA

Para João Pedro, o grande papel dos sindicalistas diante da ameaça, conforme ele classifica as intenções da Reforma, é conscientizar os trabalhadores e a sociedade para “que lutem para impedi-la, afinal, ela atinge principalmente os nossos filhos, as gerações futuras.” O sindicalista entende que a reforma  vai aumentar o problema do desemprego e o mercado de trabalho dos jovens. “O desemprego vai se agravar porque quem está na ativa hoje só deixará de trabalhar depois de 49 anos de contribuição. O primeiro emprego já é difícil, com a reforma, os jovens vão demorar ainda mais para ingressar no mercado e como terão de contribuir por 49 anos, poucos vão se aposentar antes de morrer e aqueles que conseguirem a aposentadoria vão morrer logo depois. Não teremos opção, vamos morrer trabalhando ou trabalhar até morrer.  O que o governo está querendo é uma maldade muito grande”, constata João Pedro.

João Pedro afirma que os argumentos do governo para a Reforma são mentirosos. “A Previdência não está quebrada. Ela integra o sistema de seguridade, que engloba Previdência, Assistência Social e Saúde. Na soma dos recursos, sobra dinheiro para a Previdência, mas o governo usa a DRU (Desvinculação de Receitas da União) e retira parte dos recursos do sistema de seguridade para outros fins”, explicou. Ele aponta ainda a responsabilidade do governo no déficit previdenciário, já que ele não tem mecanismo de combater a sonegação e é omisso na cobrança dos devedores que, juntos, devem cerca de R$ 500 bilhões.

Para João Pedro, a Previdência tem sérias distorções que beneficiam algumas categorias de trabalhadores, como funcionários públicos federais e estaduais e pensionistas e filhas de militares das três Armas. “O trabalhador da iniciativa privada, principalmente os que ganham pouco. não tem benefício algum. O teto é limitado é  e as perdas da inflação só é corrigida integralmente para quem se aposenta com salário mínimo”, explica.

O sindicalista identifica nas novas regras situações perversas que atingirão todos os trabalhadores, sendo os mais afetados, os rurais, aqueles com menos estudos e qualificação profissional que tem mais rotatividade no trabalho. Se a reforma é ruim para todos, ela tem viés machista, penaliza mais as mulheres. “Elas recebem menos, trabalham mais horas e têm jornada dupla com o trabalho doméstico, ficam menos tempos em cada emprego, são maioria entre os desempregados  e vão ter de contribuir o mesmo tempo que homens. A maioria das pensões por morte é paga as mulheres e com a reforma elas só vão receber 50% do salário do marido e como nenhum trabalhador vai poder acumular aposentadoria e pensão, a mulher vai perder mais”, avalia.

João Pedro promete grandes mobilizações dos trabalhadores da categorias para as discussões salariais e sobre a reforma. “Não só SINDALQUIM, os sindicatos vão se mobilizar para o trabalho de conscientização não só dos trabalhadores, mas também a sociedade, porque essa é uma luta de todos”, resumiu o presidente.

Campanha salarial

Além da luta contra a Reforma, o SINDALQUIM inicia no mês que vem a campanha salarial. Segundo João Pedro, apesar das indústrias de álcool e açúcar estarem vivendo seu melhor momento, ele espera negociações difíceis, pois os patrões devem usar o emprego como trunfo. Nos últimos dois anos, as indústrias da base territorial do SINDALQUIM demitiram 25% de seus funcionários permanentes, o que representa 2.500 trabalhadores. Para a moagem desta safra, segundo João Pedro, devem ser abertas  em torno de 250 vagas permanentes apenas.

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