Norair chega aos cem dias de administração colecionando atritos e polêmicas

O eleitor costuma ser benevolente com o gestor nos primeiros 100 dias de governo. Ele abandona o senso crítico, suporta até mesmo falta de médicos e remédios em nome do voto de confiança.  Em Tanabi, a administração de Norair da Silveira (PSB) não teve o privilégio dessa tolerância tácita devido aos seus próprios desatinos que fizeram com que a população desistisse de praticar o exercício da benevolência.

Norair exagerou no preenchimento do cheque em branco que recebeu do eleitor para os primeiros cem dias, trocou os pés pelas mãos, comprometendo seu capital político pela quantidade de “cacas” que protagonizou antes mesmo de assumir o cargo.

Sem sequer ter sido diplomado como prefeito, Norair desqualificou a administração da Santa Casa e colocou sob suspeição os diretores do hospital, solicitando que prestassem contas das receitas e despesas. A posição, do então até ali apenas prefeito eleito, foi afrontosa, já que a Santa Casa é administrada pelos Vicentinos, organização governamental, que administra também o asilo de velhos, composta por tanabienses devotados a servir o próximo de forma voluntária.

Como fanfarrão de botequim, desqualificou o trabalho dos Vicentinos, sugerindo que deixassem a administração, alugassem o prédio para a prefeitura que assumiria o serviço do pronto socorro do hospital. No cargo de prefeito, incapaz de assumir o serviço, se viu obrigado a aceitar a proposta da diretoria da Santa Casa e pagar os R$ 220 mil mensais pelo serviço, depois de desgastar e expor, desnecessariamente, os Vicentinos.

Política

Julgando-se gênio da política, depois de eleito, fomentou a divisão e o enfraquecimento de seu próprio grupo político. Incentivou a candidatura de Rodrigo Bechara (PEN) a presidência da Câmara, contra Marcos Paulo Mazza (DEM), enquanto almoçava, escondidinho em Monte Aprazível, com o oposicionista Dorival Rossi (PSD), seu preferido para a presidência da Casa. É claro, que daria errado. O jogo triplo dele uniu aliados e oposicionistas em torno de Marcos Paulo.

Desapontado com seu próprio fracasso e disposto a se vingar do DEM, seu mais importante aliado eleitoral, rompeu o acordo político que tinha com o partido. Não nomeou ninguém da legenda, apesar do DEM, pelo acordo eleitoral, admitido pelo próprio Norair, ter direito a duas pastas. Politicamente, Norair foi sutil como um elefante em loja de louças.  Perdeu a maioria folgada eleita para a Câmara.

Parentes e afins   

Na formação do governo, Norair exagerou na nomeação da “companheirada” (termo cunhado pelo ex-vereador Valdir Uchoa para definir aliados de políticos) em cargos na prefeitura. Em campanha, o então candidato garantiu que não iria preencher todos os cargos existentes na estrutura da prefeitura. Eleito, só não preencheu o inexpressível de Direitos Humanos, como criou uma batelada de novos. A Câmara teve o bom senso de rejeitar a criação de vários deles.

A família de Norair, a Silveira, é enorme, uma das maiores do município. Não bastassem os parentes consanguíneos, Norair assumiu seu segundo mandato, coincidentemente, em segundo casamento. E tome nomeação de cunhado, primos, enteado, sem o genro fazendo negócios com a prefeitura, como fornecimento de combustível. Por mais transparente e lícita que tenha sido o certame, contratar parente como fornecedor, no caso, o genro José Moreno, é ato administrativo criminoso.

O caso da nomeação do enteado é acintoso. Encostado no Departamento de Pessoal, órgão municipal eminentemente técnico, a sua nomeação era bastante vulnerável em caso de denúncia ao Ministério Público. Norair não teve dúvida, deu ao menino status de secretário municipal, livre da interferência do MP,  e com o salário elevado de R$ 2.200,00 para R$ 6.500,00.

Professores

O prefeito expôs ao vexame os quase duzentos professores, coordenadores e diretores das escolas municipais, no episódio do bônus do FUNDEB. O regime de repasses de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento do Ensino Fundamental estabelece que as sobras de dinheiros deve ser rateada entre os professores da rede municipal como forma de incentivo. Lei municipal, criada na gestão do ex-prefeito José Francisco de Mattos Neto, determina que, se os valores forem insuficientes para perfazer 140% do salário de cada professor,   devem ser utilizados recursos municipais que o complementem.

Norair tentou se esquivar do pagamento do benefício a que os professores têm direito referente ao exercício de 2016. Diante da reação de professores que foram às ruas, o prefeito recuou e admitiu pagar o bônus em 8 parcelas, mas ingressou na Justiça para não pagar o referente a 2017. O prefeito chegou a dizer que a categoria não fazia “mais que a obrigação”, não sendo merecedora do bônus. Tanabi é o município da região de Rio Preto que tem o ensino fundamental mais bem avaliado pelo Ministério da Educação.

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