O sucesso econômico de Poloni provocou a ruína de Colombo há 921 anos

Para se viabilizar como cidade, o povoado de Vila Rosa se articulou politicamente para retirar de Colombo o Cartório Civil, decretando a ruína do antigo distrito e promovendo sua ascensão 

Cândido Poloni foi um dos maiores e bem sucedido cafeicultor da região, na década de 20 do século passado, quando a cultura ainda não tinha entrado em crise com a quebra da bolsa de Nova Iorque. Para criar um núcleo citadino em suas terras, passou da ideia á prática com o envolvimento de outros fazendeiros da região.

O 3 de maio, dia de Santa Cruz, de uma manhã de 1926, Cândido, com os companheiros e parentes, ergueu o Cruzeiro, a marca da fundação de cidades, onde hoje é a Praça Santos Dumont. Estava criada a Vila Rosa, pertencente ao Distrito de Paz de Colombo, comunidade ligada administrativamente ao município de Mirassol e, juridicamente a Comarca de Rio Preto.

Não há registro de quem participou da elevação do Cruzeiro naquela manhã,  contudo, graças depoimentos orais de antigos moradores, podem ser citados, entre outros, José Poloni, pai de Cândido, Marcos, o tio, João Tabareli, Antonio Lourenção, Jorge Sartore, Ângelo, José e Vicente Semensin, Ricardo Facchini, Luiz Mussoline e Rafael dos Santos.

Observe-se que apenas um dos citados, Rafael, tem sobrenome de origem portuguesa, o que não elimina a possibilidade de ascendência italiana materna. Embora não haja dados estatísticos, dá para arriscar ter sido Poloni a mais italiana das cidades da região.

Para criar a cidade, bastava a vontade de Cândido e demais moradores, mas era preciso muito mais para desenvolvê-la administrativamente, já que, economicamente, o café se encarregava de impulsionar tudo. Nessa época, o café era o carro chefe da economia regional, embora o arroz e suas máquinas de benefício tinham participação importante. Outro produto agrícola de importância foi o algodão, que inaugurou novas relações de trabalho, com o arrendamento, pelo qual quem não tinha terra pagava para usar terras ociosas dos fazendeiros de café. Essa modalidade de contrato de trabalho prosperou, principalmente, com o imigrante japonês, presente no Brasil desde 1908 e, na região, a partir dos anos 1920.

Para que Vila Rosa prosperasse como cidade era preciso, além do aglomerado populacional, o estabelecimento dos organismos de Estado, como a elevação a distrito de paz, com a implantação do Cartório de registro de nascimento, casamento e formalização de documentos e contratos. Essa era a grande dificuldade já que Colombo foi elevado a Distrito de Paz em dezembro de 1928, um golpe rude para Cândido e seus amigos.

A emancipação

Eles entenderam que a saída era transferir o cartório e organizaram uma intensa luta com esse objetivo. Em campanha pelo Distrito de Paz, o farmacêutico Lamabert aponta, na edição de 27 de março de 1932 do jornal A Cidade, de Monte Aprazível, o progresso da Vila, já rebatizada pela população com o nome da família Poloni. O autor aponta as 230 casas, 32 de comércio, 4 farmácias, 4 dentistas, 2 médicos, um advogado, 3 máquinas de benefício, 6 “bombas” de gasolina, 4 oficinas mecânicas, 2 padarias, 3 sapatarias, 2 hotéis, 3 alfaiatarias, 6 açougues, bar, posto policial, selaria, cinema, banda musical “e sua ermida (igreja) pequenina e branca, erguendo com seus minaretes grandiosos e sua Cruz como a esprair pelas imensidades silenciosas destes horizontes formosos, as bênçãos do Creador.” Lambert afirma que Colombo está em um plano inferior e alega que os próprios moradores reconheceria “a superioridade de nosso progresso, concordando com sua transferência (do cartório).”

Além dos meios de comunicação, a pressão para a transferência se dá junto às autoridades estaduais e do judiciário e o desfecho dessa disputa acabou por favorecer Poloni, com a decisão do juiz da Comarca de Rio Preto, em 14 de novembro de 1932. A transferência física dos livros para a nova sede se deu no início da noite, certamente para evitar reação dos desolados colombinos, mas que gerou a falsa interpretação de que se tratou de ação ilegal.

Em dezembro de 1933, o nome de Vila Poloni foi oficializado pelo interventor do Estado e a 26 de outubro de 1937, por decreto federal, foi incorporada como distrito de Monte Aprazível.

Em 1950, iniciou-se o movimento para a elevação do distrito a município, sob a liderança de Frederico de Cápua Filho, então vereador representando Poloni na Câmara de Monte Aprazível. Foi uma batalha árdua e difícil dada a oposição dos políticos de Monte Aprazível. São inúmeros os registros que demonstram o esforço de Frederico junto ao povo para que se mobilizasse pela emancipação. É de justiça que se conste entre os que se engajaram no movimento com entusiasmo e recursos financeiros Antonio Ferreira Neto e os irmãos Savério e Rafael Fochi, entre outros. Na assembleia Legislativa, destaca-se o trabalho do deputado Hilário Torloni que afastou os obstáculos que travavam a emancipação.

A criação do município se deu em 30 de dezembro de 1953 e a instalação se deu em 1 de janeiro de 1954, com a posse do prefeito Cândido Poloni e dos vereadores José Ferreira Filho, Clarindo Belo Borsato, Odilon Ferraz, Clemente Poloni, Frederico de Cápua Filho, José Fochi, Leonardo Mario, Santo Agostinho Selan e Silvino Pereira da Silva.

Os prefeitos que se seguiram foram José Maria Ferreira Filho (59/62), Cândido Poloni (63/66), Antonio Morales (67/69), Clemente Poloni (60/72), Gentil Zanovelli (73/76), Frederico de Cápua Filho (77/82), Álvaro Fochi (83/88), Valdírio Borsato (89/92), Osvaldo Passos (93/96), Antonio Lourenção (97/2000) Zequinha Alécio (2001/2008), Rinaldo Escanferla (2009 a março de 2016) e o atual, Antonio José Passos que assumiu em março e foi reeleito.

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