Empresários defendem a saída política constitucional para retomada da economia

Envolvimento de Temer com  a corrupção esfriou as expectativas de retomada no crescimento; eles defendem manutenção das reformas como garantia de aquecimento econômico

Iniciada há três anos, a crise econômica brasileira fica ainda mais longe de terminar após as novas acusações de corrupção, desta vez contra o presidente Michel Temer. Empresários ouvidos por A Voz Regional afirmam que a tímida melhora da economia será abalada pelo novo escândalo da política nacional. O clima de otimismo fica prejudicado, assim como a retomada dos investimentos e a possibilidade de gerar empregos.

O empresário aprazivelense Jurandir Longo, que também é presidente da Associação Comercial e Industrial de Monte Aprazível (ACIMA), diz que o novo caso de corrupção envolvendo o presidente “atrapalhará a economia que estava voltando a crescer e agora até que isso se resolva, volta a parar”.

Jorgito Bechara, empresário tanabiense do setor moveleiro, diz que “a economia estava dando sinais de recuperação mesmo com a crise política. O índice de desemprego estava melhorando, a balança comercial estava melhorando, nosso PIB vinha mostrando um relativo crescimento, agora com esse fato é um mistério. Eu particularmente acho que vai continuar recuperando, mas em passos mais lentos, acho que pior que está não vai ficar. Acho que a economia está começando a se recuperar com as pernas próprias graças à ousadia do empresário brasileiro independente de política”.

Jorgito e Jurandir acreditam que a solução política para a crise está na Constituição. Eles defendem para a retomada da normalidade econômica, em caso de afastamento de Temer, um mandato tampão, previsto na Constituição.

Longo diz que em sua opinião “seria bom para o país que Temer continuasse na presidência desde que tivesse apoio político para dar continuidade nas reformas. O país estava voltando a crescer justamente pela expectativa da aprovação da reforma trabalhista e da previdência para eliminar esse déficit que o país tem. Mas se Temer cair penso que deva ser seguida a Constituição e ela não permite eleição direta nesse momento. Seria um mandato tampão por um ano e pouco por eleição indireta como o previsto na Constituição”.

Jorgito diz que não se deve mudar a Constituição. “Se Temer cai,r acho que devemos ter um presidente tampão, eleito pelo Congresso, porque é muito cedo para mudar nossa Constituição. É um processo que estamos passando que ainda não foi depurado. Acho uma eleição direta agora, mudando a Constituição, traumática, porque o momento não é oportuno e incide diretamente na economia mais ainda”, comenta.

A instabilidade política, segundo Antonio José Passos (PP), prefeito de Poloni, vai prolongar as dificuldades dos municípios. “No dia da divulgação das delações do dono da JBS, eu estava em Brasília, na Marcha da Confederação dos Municípios, e a expectativa na retomada da economia era muito positiva e se desfez com a denúncia”, avalia Antonio José. O prefeito de Poloni teme uma queda mais acentuada na arrecadação e repasses para os município e o aumento na demanda por serviços.  “Em momento de crise econômica, as famílias ficam mais vulneráveis, perdem plano de saúde, tiram filhos da escola e cresce a procura por assistência social, por remédios, médicos e creches e os municípios não tem como aumentar os gastos.”

Para Antônio José, que também é empresário do setor agropecuários, essa nova crise política vai prolongar as dificuldades de empresas e dos municípios.

Comprometimento

O advogado Luiz Henrique Lima Vergílio procurado por A Voz para opinar se o presidente incorreu em crime de responsabilidade, diz que na sua opinião “as declarações dele o comprometem bastante, mas não há nada ainda que comprove o crime. Tem que aguardar a perícia. Creio que ele cometeu um erro absurdo. Tiraram a Dilma por um erro menor do que esse, erro que vinha sendo cometido por governos anteriores e no governo dela foi motivo de impeachment. Eu julgo essa declaração do Temer muito pior”.

Embora defenda que é necessário aguardar a perícia, Luiz Henrique diz que “tudo indica que foi crime de responsabilidade e acho que o final dessa história será o mesmo da Dilma: o impeachment”, encerra.

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