Marceneiro reinventa carroção de boi como mesa de jantar

“Se o Eike Batista pode ter uma Ferrari na sala dele, eu também posso ter um carroção de boi na minha. Eu precisava de uma mesa e me deu um estalo que eu podia fazer a mesa e relembrar meus tempos de criança, quando ajudava meu pai a fabricar e reformar carro de boi. Decidi fazer o carro e usar como mesa.

A ideia foi tão boa que abri uma oportunidade de negócio, uma vizinha viu e encomendou uma maior. O custo de um carro fica em mais de R$ 3 mil só de material.

É um carro de verdade, só não tem o cesto e os fueiros. Do resto tem tudo, canga, roda  inteiriça de 90 cm (imagina o tamanho da árvores) eixo e cocão que até canta. Mas é tudo madeira de demolição, nada é retirado de mata. Por isso que é caro, porque o material de demolição é mais caro porque é ecológico e de madeira de muita qualidade, madeira de lei que não se encontra mais na natureza.  Eu acho que vou vender muitos para decoração e até mesmo para uso em sítios.

Eu acho que praticamente não existe ninguém mais que faz carro de boi no Brasil, mas tem comércio, porque é muito usado para decoração  e é muito difícil encontrar um abandonado em sítios e fazendas, mesmo em Minas.

A minha mesa é pequena, de dois 2 metros x 1 metro, mas devem caber 10 balaios. O carro até hoje é usado como medida de milho em palha, 1 carro é 40 balaio de 100 litros, que equivale de 14 a 15 sacos de 60 quilos debulhados.

Eu tenho muita habilidade com madeira, faço qualquer coisa, e tudo manual, nada é no torno, é tudo na serra, no formão. Esse dom pra madeira pode ter nascido comigo, mas eu aprendi tudo com meu pai, Sebastião Bernardo, que teria hoje 112 anos, eu tenho 60. Ele veio para Tanabi com meus avô, de Minas, de São Sebastião do Paraíso. Ele tinha 5 anos e veio como guia do carro da mudança da família. Meu pai chegou em Tanabi em 1910 e meu avô comprou uma fazenda que começava ali no Peixeiro, pra baixo onde hoje é a Pão e Bar , e ia até na Grama, eram 300 alqueires. Na fazenda, meu pai fazia serviço de carpintaria e marcenaria e trabalhava para outros fazendeiros. Ele veio pra cidade e fez a carpintaria de muitos prédios, como o Fórum, Lar das Crianças, Delegacia, e muitas sedes de fazenda.

Eu  o acompanhava desde criança e fui aprendendo. Eu fiz muitos carros alegóricos de Carnaval, desfile de 7 de Setembro e aniversário da cidade. Eu tenho que acabar o carro que vendi antes do 4 de Julho, porque vai ter desfile no aniversário e a dona Márcia, que comprou tem uma loja de decoração, e vai desfilar com ele.

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