“Prefeito Norair não manda na Câmara de Tanabi”, afirma o presidente Marcos Paulo

Tensão política  entre o Legislativo e Executivo de Tanabi cria instabilidade, mas presidente garante que ações são legítimas e do jogo democrático e o município não é prejudicado pela independência

A cada sessão da Câmara de Tanabi fica mais evidente a tensão política e a instabilidade da base de sustentação do prefeito Norair da Silveira (PSB) que conta apenas com os votos fiéis de Rodrigo Bechara (PEN), Advaldo Cristal (PSB) e Devinha Zanetoni (PMDB), diante de uma oposição orquestrada por seu aliado na campanha, o presidente Marcos Paulo Mazza (DEM) e oposicionistas originais,  Fabrício Missena (PP), Tenente Osmar (PP) e Gilbertinho Faria (PSD). Como pêndulos,  se situamos autodenomidados independentes Xandão Bertoline (DEM)  e Sidnei  Pardal (PSDB). Com esse cenário, as derrotas se sucedem como as criações de cargos: dos 13 tentados desde janeiro, apenas 1 foi aprovado. E deve ficar nisso.

Para Marcos Paulo, apesar das motivações políticas, as ações da Câmara não prejudicam a administração e as posições dos vereadores são respaldadas constitucionalmente.  “Sei separar as coisas, as questões políticas e partidárias ficaram para trás, as divergências políticas não tem influência nos projetos votados. A preocupação da Câmara é no sentido de melhorar os projetos, por isso, nada é feito com pressa e contra os interesses daquilo que é bom para o município e nossa população”, sentenciou Marco Paulo.

Ressalvados os cuidados na apreciação dos projetos e dos interesses municipais, como afirma o presidente,  a responsabilidade pela crise ele atribui ao próprio prefeito.  “Não vamos admitir que ele (Norair) mande na Câmara, eu o respeito e exijo que a Câmara seja respeitada como poder independente”, lembrou Marcos Paulo, citando que para deixar isso bem claro, foi acrescido o adjetivo  “Independente” no slogan da Casa que era Democrática e Transparente.   

Para exemplificar ações que considera desrespeitosas, Marcos Paulo diz que o prefeito procura “intrigar” vereadores manipulando notícias no jornal O Município editadas pela assessoria de imprensa da prefeitura, atribuindo ações de oposicionistas a vereadores de sua base. “Apesar dessas tentativas, o clima entre nós vereadores é muito bom”, assegura Marcos Paulo.

Marcos Paulo reclama ainda que o prefeito envia projetos com intenções obscuras. “Os projeto de cargos têm clara intenção de beneficiar funcionários regularizando suas situações de desvios de função que não poderão ser reparadas no futuro por um outro prefeito. Não podemos aceitar isso. Os vereadores são independente e a Câmara não pode fazer as vontades dele (Norair), ele não manda aqui”, enfatiza o vereador.

Por outro lado, as propostas apresentadas pela oposição, segundo, Marcos Paulo, não têm intenção de prejudicar a administração, como é o caso do projeto que obriga a prefeitura a publicar boletim diário de movimentação de caixa no Portal da Transparência. A prefeitura passou a fazer a publicação, mas os vereadores farão nova investida, em um novo projeto, pedindo que a publicação se dê de forma detalhada, por rubrica do orçamento. “A prefeitura tem mais ou menos R$ 10 milhões e é importante que a população saiba o quanto é de recurso vinculado, o quanto está comprometido. É importante que os vereadores saibam disso para explicar ao contribuinte, é importante saber diante da reclamação do contribuinte por remédio se há dinheiro disponível para comprar. Em nada compromete a administração essa transparência, saber se está sobrando o faltando dinheiro”, salientou.

Marco Paulo citou ainda o empenho dos oposicionistas em acompanhar a arrecadação e os serviços da autarquia municipal de água e esgoto. “A SAAT arrecada cerca de R$ 400 mil por mês e as reclamações de falta de água são constantes, especialmente nos finais de semana, quando as mães que trabalham fora precisam lavar a roupa, limpar a casa, aumenta o consumo e acaba faltando água”, explica Marcos Paulo. Os vereadores querem forçar a prefeitura a fazer investimentos no fornecimento de água.

Segundo Marcos Paulo, a Câmara não decide nada sem haver debate, sem ouvir a população, sem estudo de projetos na tentativa de melhorá-los e reitera que os episódios políticos e partidários ficaram pra trás. Norair não teria cumprido acordos eleitorais de participação do DEM, partido de Marcos Paulo, mas não é só isso que levou o vereador à oposição.  O estilo “trator” de Norair em criar atritos com setores expressivos da população como professores, servidores municipais, restrições de remédios e atitude imperiais e aversão ao diálogo, contribuem bastante.

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