Escolas Raul e Feliciano investem dinheiro arrecadado no Juninão no benefício dos alunos

As diretoras Cassiana Ferreira e Sandra Júlio têm sonhos para suas escolas, mas trabalham com  a realidade possível diante do cotidiano da educação nacional, transformando os espaços dos estudantes

As diretoras Cassiana Flauzino Ferreira e Sandra Júlio deram lição de como gerir muito pouco dinheiro em benefício de suas clientelas, os estudantes das escolas Raul Vieira Luz e Feliciano Salles Cunha.  Passados pouco mais de 30 dias do Juninão de Monte Aprazível, as escolas municipais que dirigem, que participaram do evento com barracas beneficentes, já investiram o dinheiro arrecadado. No Raul, a verba foi empregada na reforma do parquinho da escola e no Feliciano o dinheiro está sendo usado para a manutenção dos aparelhos de ar condicionado das salas de aula.

Cassiana, diretora da escola Raul Veira Luz, conta que no Juninão vendeu lanches e batatas fritas no cone, além de bebidas, como água, refrigerantes e cerveja. Ao todo, segundo ela, foram 1,630 latinhas de bebidas entre refrigerante e cerveja, 160 garrafas de água, 350 lanches, que eles chamaram de X-Raul e 805 cones de batata frita, o que gerou uma receita líquida de R$ 7.013,03.

O dinheiro foi investido no parquinho de diversões da escola. Ela conta que a escola já possuía um parque, “mas tinham vários brinquedos quebrados, uma casa de madeira que estava podre e os brinquedos estavam instalados na terra.Fizemos o alambrados e restauramos os brinquedos quebrados, fizemos a casinha em alvenaria trocamos  a terra por areia e plantamos árvores.

Ela justifica o investimento no parquinho dizendo que “a hora do parquinho é um momento muito esperado pelas crianças e todo esse entusiasmo se dá porque elas têm liberdade de escolher seus brinquedos e companhias. O brincar vai além do se divertir. Brincar capacita a criança a resolver problemas, tomar decisões, explorar, negociar e expressar-se em situações que são relevantes e significativas para elas. Ao brincar, os alunos não desenvolvem apenas suas capacidades físicas, mas principalmente suas competências emocionais e sociais. Ao reformarmos este espaço, que já existia na escola, nosso objetivo foi criar um ambiente seguro, que promovesse o desenvolvimento dos nossos alunos, afinal brincando também se aprende. Não podemos esquecer de que nada disso seria possível sem o comprometimento e dedicação de nossos professores e funcionários. A eles, nossa gratidão”, enfatiza.

Cassiana conta que a escola tem algumas receitas próprias, mas a maioria é condicionada a investimentos determinados pelo MEC (Ministério da Educação e Cultura) em materiais permanentes e pedagógicos.

Cassiana e os demais funcionários da escola têm um sonho: ligar os aparelhos de ar condicionado que foram adquiridos com recursos próprios da escola há três anos e meio à rede elétrica. “Todas as salas de aula possuem aparelhos de ar condicionado instalados na parede, mas não estão ligados à rede elétrica, porque a rede elétrica da escola não suporta o funcionamento de tantos aparelhos juntos, sendo necessário um projeto que fica caro”, diz. O sonho, de acordo com ela, está próximo de se realizar, “porque estamos em tratativas com o prefeito que se comprometeu a fazer o investimento.

Sandra Helena Julio da Silva, diretora da escola municipal Feliciano Salles Cunha, também empregou o dinheiro arrecadado com a participação no Juninão na manutenção da escola. A barraca da escola vendeu porções de esfirras e tábua de frios, além de água, refrigerantes e cerveja. A renda líquida da barraca, segundo ela, foi de R$ 4.003,00, dinheiro que ela está empregando na recuperação de alguns aparelhos de ar condicionado e na compra de outros que não deram conserto. “Temos que repor 8 aparelhos de ar condicionado e recuperando os demais”. Ela estima os gastos em R$ 10 mil, que serão completados com os valores em caixa da receita própria, como arrendamento da cantina e da verba da Associação de Pais e Mestres.

Ela conta que o investimento na manutenção dos aparelhos de ar condicionado foi priorizada porque a escola possui muitos alunos em cada sala de aula. “Trabalhamos com 35 alunos por sala e no verão não tem condições de ficar na sala, tamanho calor”, justifica.

Sandra conta que a equipe escolar tem um sonho: voltar a ter um data show e um notebook em cada sala de aula, como já teve antes. “No momento não temos o dinheiro para adquirir esses equipamentos, mas estamos trabalhando para isso”, encerra.

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