A Propósito: Genealogias de patos, o quebra-cabeça de Montoro e as denúncias de Lelo Mazet

Genealogia patética

Há nos eleitores de Monte Aprazível uma grande curiosidade para conhecer a identidade de perfil anônimo na rede social que se intitula Fábio Pato. Pato é bicho gregário, não voa só, anda em bando.  Portanto, não há um pato, são vários os patos e patas.

A hipótese das identidades dos patos e patas tem lógica cristalina. Tratam-se de pessoas de extrema fidelidade ao ex-prefeito Mauro Pascoalão (PSB) e ocupantes de cargo de confiança na administração dele. Não são mais de três, havendo aí dos dois sexos. Há ainda os patos e patas colaboradores, em posições mais próximas àqueles e a Mauro, com funções de contribuir com fotos, ilustrações, assessoria informática. E há também, os patos, mais assemelhados a gansos, informantes. Estes estão encastelados como funcionários em todos os em todos os setores da administração.

Há ainda ao menos um pato alienígena, que, na campanha eleitoral, nadou em outro lago, ou no pateiro da então candidata Renata Sant’Anna (PSC). Nessa hipótese, não se colocam Lucas Ribeiro (PDT) e o ex-vereador Lelo Maset (PDT), mais para preservar a lógica citada acima e menos pela ousadia oportunista deles.

Como já dito, este texto é um exercício de lógica e não de caça-nomes. Para se chegar a eles (os nomes), basta associar lê com crê e se chegar aos patos e patas líderes, especialmente, os dois principais, com idade próxima ou pouco mais dos 60 anos, educação formal dos tempos em que a escola pública cuidava em ensinar bem a língua, o que exclui o ex-prefeito de suspeita.

Sinal amarelo

Ao retomar suas atividades pós recesso, a Câmara de Monte emitiu sinal de alerta ao prefeito Nelson Montoro (PSC) (ler matéria à página 3). Foram críticas educadas, porém, claríssimas. Se o prefeito não atentar para elas e nem percebê-las como encrenca próxima,  pode criar uma situação de instabilidade entre Executivo e Legislativo que não ajuda em nada.

Fugir da arapuca

O prefeito tem que evitar o isolamento em que o ex-prefeito Mauro Pascoalão caiu. As circunstâncias atuais são ainda piores em virtude da situação de penúria dos municípios, por isso vale muito as relações republicanas com a Câmara e a ampliação da proximidade  com todos os setores da sociedade, como Montoro tem feito com pequenos produtores rurais. Relação republicana com o Legislativo não é submissão é sabedoria como ensina o ex-prefeito Luiz Carlos Canheo que chegou a alertar Mauro sobre os risco que corria.

Quebra cabeça

O apoio popular que Montoro manteve até aqui foi seguro pela dinâmica da “inércia” do alheamento político, mas que lhe começa a fugir pela ausência de obras de vulto, serviços precários, atendimento desleixado de servidores. Salvo três ou quatro assessores competentes e dedicados, mas prejudicados por circunstâncias administrativas, legais, materiais e financeiras, a maioria “dos homens do governo” pecam pelo distanciamento político, que imaginam desnecessário no exercício de suas funções, no que erram de forma irremediável.

Próspero Ano Novo

Administrativamente, o ano acabou. O cinco meses que restam só servirão a Nelson Montoro para reorganizar sua agenda política e com ela planejar 2018. O planejamento de 2018 passa pela Câmara. Sem uma base política nela, coesa e afinada com o Executivo, Montoro não caminha. Para exercer o poder de fato e dar o ritmo político, o prefeito deve saber quem é da base de sustentação do governo, quem é da oposição na Câmara.

O jogo político

Prefeitura não é loja de armarinho em que a palavra final é do dono, como não é agência bancária em que as normas vêm da matriz. Prefeitura é ambiente político em que não existe espaço para gerentes. Todas as ações de uma prefeitura são políticas e assim, prefeito e assessores agem politicamente ou estarão arruinados. O cuidado técnico conta muito em todos os setores, mas é a sensibilidade política que obriga os gestores a fazer muito do pouco. Ao governo Montoro falta política e sobra boa vontade. Faz falta ao governo Montoro um planejador com estratégia política, um financista que entenda de custos e benefícios políticos na aplicação das receitas e despesas e de um chefe de gabinete que saiba planejar investimentos políticos de baixo custo financeiro. Em resumo, o governo de Montoro precisa de três técnicos políticos. Só assim terá tempo e recursos para fazer política. E o que é fazer política? É justamente investir no bem estar social do cidadão, coisa em que o dono do armarinho e o dono da agência bancária não têm interesse e nem foram eleitos para promover.   

A volta do atirador

O ex-vereador Lelo Maset (PDT) volta à função. Não de vereador, mas de denunciante. Ele imagina haver uma série de irregularidades  em contratações na prefeitura de Monte Aprazível. Disse que encaminha na segunda-feira, ao Ministério Público, a primeira delas. Vai denunciar a fisioterapeuta Carina Faria. Lelo acredita na existência de nepotismo, já que a profissional é irmã do vereador Ailto Faria. Ela é contratada pela Santa Casa para prestar serviço aos pacientes do sistema de saúde do município. Para pagar esses profissionais, a Santa Casa recebe da prefeitura e o ex-vereador entende que a fonte pagadora de Carina, em última análise, é a mesma pela qual o irmão recebe o subsídio de vereador.

Segurem, peões

O Tribunal de Conta do Estado está enviando, sistematicamente,  ao  Ministério Público e estão virando processos, as doações feitas por Mauro Pascoalão ao Clube dos 22 para a realização das festas de peão, quando era prefeito. A doação de 2014, de R$ 230 mil, já está no Fórum à espera da notificação para a defesa dos envolvidos, o ex-prefeito, a prefeitura e a diretoria do Clube.

Doar dinheiro  tem regras claras. Quando o gestor quiser dar dinheiro que não é dele, deve se ocupar em saber se há mais gente que também queira, fazendo uma licitação.

Caldo de galinha 

No primeiro ano de seu mandato, o prefeito Nelson Montoro se negou a repetir as doações de Mauro ao Clube dos 22, propondo, ao invés do dinheiro diretamente, licitar um show. A diretoria não aceitou e cancelou a festa. Os R$ 230 mil ficaram no cofre e Montoro se livrou de processo.

Já o prefeito de Tanabi, Norair Cassiano da Silveira (PMDB) não doou dinheiro, mas cedeu o recito sem licitação e o Ministério Público está no seu calcanhar pelo deslize.

Ao rés do chão

A região da Rio Preto já foi representada em Brasília por homens da altura moral de um Coutinho Cavalcanti, um Octacílio Alves de Almeida e um Roberto Rollemberg, os dois últimos contemporâneos.  Hoje, temos em Brasília gente rastejante como “Falso” Pinato e Sinval Malheiros, contrário a investigar o ladrão presidente Temer.

Categorias: Artigos