Faltam árvores, os elementos agregadores da convivência entre pessoas, em Monte Aprazível

O casal de engenheira e arquiteto sugere mudança cultural na relação da população com a flora urbana para promover qualidade de vida, preservação dos espaços públicos e incentivar a convivência entre pessoas

A arborização urbana é importante à qualidade de vida. Um planejamento urbano sério e responsável deve se preocupar com a qualidade de vida da população, considerando preservar os espaços públicos arborizados. Esta é a opinião da engenheira de materiais Adriana Pinatti e do arquiteto e urbanista Márcio Moreira. Procurados pela reportagem de A Voz Regional para comentarem a arborização de Monte Aprazível, eles dizem que a cidade é pouco arborizada e lamentam a cultura de poda adotada pelos aprazivelenses.

“A arborização em Monte Aprazível não prospera – diz Adriana – porque as podas são radicais, não tem sombra. As árvores tem que ter uma altura que conviva harmoniosamente com a iluminação urbana, mas tem que ter copa, é preciso aumentar o porte das árvores”, enfatiza.

Márcio aponta também a erradicação de árvores de forma desnecessária como outro fator que impede a arborização urbana na cidade de prosperar. “Algumas pessoas acreditam que árvores fazem sujeira e por motivos banais optam por arrancá-las”. Adriana completa: “o próprio poder público fez isso com árvores antigas na Praça São João, no norte da praça da matriz Senhor Bom Jesus, na Praça do Jardim Europa e no prolongamento da Avenida Joaquim Alcazas Garcia”.

Eles afirmam que é preciso mudar “essa cultura”. Márcio diz que é preciso criar espaços que permitam a convivência dentro de um ambiente arborizado. Ele elenca vários benefícios da arborização urbana. O mais conhecido, segundo ele, é a capacidade das árvores de alterar o clima das cidades. “A vegetação contribui significativamente ao estabelecimento de microclimas mais aprazíveis, reduzindo variações climáticas induzidas pelas atividades urbanas”. Ele cita também o processo de fotossíntese, que auxilia na umidificação do ar através do vapor d’água que libera e a vegetação urbana tem ainda a capacidade de fixar a poluição e poeira, através da fotossíntese e a partir de materiais oleosos presentes nas folhas. “Estudos apontam que ruas arborizadas apresentam 70% menos poeira em suspensão em relação a ruas não arborizadas”.

Adriana sugere que seja feito um projeto paisagístico para a cidade. “A entrada de Monte Aprazível deveria ser arborizada porque lá não tem fiação elétrica, ela é subterrânea, a Avenida Santos Dumont deveria ser transformada em uma Alameda de árvores floríferas que vão florir em épocas diferentes”. Ela sugere o Flamboyant, Ipês de todas as cores e Quaresmeiras.

“A quantidade de árvores na cidade é insuficiente – prossegue – podiam plantar inclusive árvores frutíferas para alimentar as pessoas. O Parque das Águas poderia ser transformado em um bosque, o estádio municipal poderia ser embelezado com o plantio de árvores, a Praça da Bíblia poderia ser arborizada. Percebo que as praças da cidade não têm habitabilidade e só as árvores dão essa condição do povo ocupar a praça. Basta observar a praça da matriz, na Rua Brasil, onde as árvores foram poupadas, as pessoas permanecem debaixo das árvores conversando, jogando baralho. Aquilo é arborização, que é bonito. Na praça São João, próximo a banca de jornais também se concentram algumas pessoas conversando em baixo das árvores, usufruindo da sombra e do lugar agradável”.

Adriana e Márcio dizem que não basta apenas plantar árvores, é necessário diversificar em porte e espécie. “Acho que tinha que se buscar mais espécies nativas e locais – diz Adriana – o conceito que se tem de paisagismo aqui em Monte é de palmeiras, mas palmeiras não fazem sombra, além de deixarem o ambiente monótono”.

Adriana e Márcio acreditam que a arborização vai de encontro ao projeto do Município de Interesse Turístico (MIT), que está sendo pleiteado pela administração. “A arborização deixa a cidade bem bonita, atrai turistas da região, porque a gente tem um potencial muito bom para ter turismo dentro da nossa região – comenta Adriana – ambientes arborizados proporcionam a convivência de pessoas. Nesse sentido as matinhas da Aroeira, bem como do Copacabana se tiverem investimentos como percursos de caminhada, bancos, iluminação e paisagismo podem se tornar espaços de convivência, inclusive de turistas”.

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