Monte Aprazível registra primeiro caso de leishmaniose em cão que foi sacrificado

Segundo o assessor de saúde Nereu Paschoalli as ações para evitar o surgimento de novos casos já foram tomadas

Depois de detectada a presença do mosquito palha, transmissor da leishmaniose visceral,  em armadilha instalada por agentes de Controle de Endemias, em inspeção preventiva diante de casos ocorridos em cidades vizinhas, o departamento de saúde de Monte Aprazível se pôs em alerta em virtude da alta probabilidade da contaminação de humanos e cães, hospedeiro definitivo do transmissor, segundo o assessor Nereu Pashoalli. Não houve caso de contaminação nativa, mas a inimiga veio de fora, um cão, oriundo de Bauru, já com a doença, na cidade desde janeiro, o que aumenta a preocupação.

O animal foi identificado por denúncia no dia 10 de agosto, a confirmação se deu no dia 24 e o cão  sacrificado no dia seguinte, em procedimento realizado por médico veterinário, de acordo com os protocolos para tal situação.  Segundo Nereu, as primeiras providencias para evitar o contágio e o surgimento de novos casos já foram tomadas

“Com relação aos cães, a princípio iremos testar apenas animais suspeitos da doença, mas temos uma reunião marcada para a próxima segunda-feira com a equipe de vigilância em saúde do município, que envolve a vigilância sanitária, a vigilância epidemiológica, a equipe de controle de vetores e a assessoria municipal de Meio Ambiente, com o prefeito, o departamento jurídico do município e representantes da vigilância em saúde do Estado para deliberar sobre outras possíveis ações, como a busca ativa de cães contaminados que se dá por amostragem aleatória de animais aparentemente sadios nas imediações do local onde o animal doente habitava”.

Além disso, Nereu diz que foi distribuído um ofício circular a todas as clínicas veterinárias do município, alertando sobre a presença do mosquito palha e de um cão contaminado e orientando sobre a necessidade de notificação compulsória à saúde municipal em caso de detecção de cães contaminados ou doentes com leishmaniose. Também foi realizado alerta aos profissionais de saúde, “médicos e enfermeiros para se aterem aos sintomas da leishmaniose visceral em humanos”.

Ele conta que a equipe de controle de vetores está intensificando o manejo ambiental e as ações de educação e informação da população sobre os locais propícios para o desenvolvimento do mosquito palha. “Aliás – diz ele – é importante ressaltar que esse mosquito se desenvolve bem em ambientes úmidos, na sombra, sobre entulho, lixo em decomposição e dejetos de animais e aves, como as galinhas”.

Uma dica que Nereu dá a donos de animais de estimação é a existência de coleira que age como repelente do mosquito e ele convoca a população a manter seus quintais limpos e isentos de material que propicia a existência de criadouros do mosquito palha.

DOENÇA E TRATAMENTO

A leishmaniose visceral humana é uma doença crônica, causada pelo protozoário Leishmania infantum.  Apesar de grave, a doença tem tratamento para humanos, o que não acontece para o cão. O diagnóstico e tratamento estão disponíveis na rede de serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Quando não tratada, a letalidade pode chegar a 90% dos casos.

O período de incubação varia em média de 2 a 6 meses e geralmente os sintomas são febre, emagrecimento, fraqueza, anemia e aumento de baço, dentre outras manifestações. O diagnóstico baseia-se na epidemiologia do paciente, quadro clínico e nos exames que detectam a Leishmania infantum, segundo Nereu Paschoalli Junior, assessor de saúde, exame direto e/ou cultura através da punção aspirativa de medula óssea e/ou exames imunológicos, como o teste rápido imunocromatográfico e a imunofluorescência indireta.

Os cães não são curados parasitologicamente, permanecendo como reservatórios do parasito. Os medicamentos utilizados atualmente para tratar a leishmaniose não eliminam por completo o parasito nas pessoas e nos cães, no entanto, no Brasil o homem não tem importância como reservatório, ao contrário do cão que é o principal reservatório do parasito em área urbana. Portanto, nos cães, o tratamento pode até resultar no desaparecimento dos sinais clínicos, porém os mesmos ainda continuarão como fontes de infecção para o vetor, e, portanto um risco para saúde da população humana e canina.

Os cães infectados pelo parasito podem adoecer logo ou demorar meses para apresenta sintomas. Todos os cães infectados, mesmo aqueles sem sintomas aparentes, são fonte de infecção e, por isso, precisam ser sacrificados. Os sintomas nos animais são emagrecimento, queda de pelos, crescimento das unhas, descamação da pele, fraqueza, feridas no focinho, orelhas, olhos e patas. A única forma de saber se os cães estão infectados é por meio de exames específicos de laboratório. (R.G.)

Categorias: Saúde