Ibiporanga, distrito de Tanabi, reclama autonomia administrativa

O vereador Xandão Bertoline gostaria de ver o distrito que o elegeu separado de Tanabi e começou a amadurecer a idéia de transformar Ibiporanga em município. Para ele, o distrito reúne todas as condições sociais e econômicas para emancipar, mas não é o que diz a lei, pois faltam à cidade, ao menos cinco mil moradores, dos seis mil exigidos pela Constituição de São Paulo, que estabelece a  população mínima para que distritos ou qualquer localidade pleiteie status de município.

A ducha gelada da fria lei, não arrefeceu o ímpeto de Xandão por melhorar o status do local em que nasceu. “Eu vou continuar batalhando, podemos ter uma grande chance em breve, o Rodrigo (deputado Rodrigo Garcia (DEM) postulante a candidato ao governo estadual) pode ser governador e aí podemos conseguir”, avalia o vereador. Para amolecer o deputado, além do componente político, Xandão pensa em apelar pelo sentimentalismo, usando a mãe. Do deputado, que é Ibiporanguense, certificada, do tempo em que o topônimo de distritos constava do RG do nativo.

O vereador sabe que a possibilidade tem muito do imponderável e, talvez, até improvável que a candidatura saia de fato, mas vai continuar com a ideia de conseguir uma prefeitura e uma Câmara para o seu distrito. Mas, até lá, espera trabalhar por Ibiporanga cobrando mais atenção do prefeito Norair Cassiano da Silveira (PSB) mais serviços e até mesmo uma subprefeitura ou algo assemelhado, como uma unidade, um braço do Executivo no distrito.

Ele argumenta que o distrito tem uma identidade cultural, social e uma estrutura que justificaria a presença mais efetiva da administração. “Muitos serviços poderiam ser melhorados, especialmente, na área da educação. A cidade cresceu, tem casais jovens, com crianças que precisam de uma creche, mas é em número que não comporta uma creche ainda, então seria preciso criar um anexo na escola. Isso seria mais fácil resolver, se o distrito tivesse aqui uma estrutura municipal com mais autonomia”, explica o vereador.

A unidade autônoma da administração, até que chegue a emancipação definitiva, proposta por Xandão, segundo ele, agilizaria muito mais os serviços e ele cita o sistema de tratamento de esgoto existente, mas que não está em operação.

“Apesar de pertinho, há uma distância administrativa muito grande entre o distrito e a sede. Ibiporanga cresceu bastante nos últimos anos. Durante muito tempo, os moradores deixavam o distrito e se mudavam para Tanabi. Agora, tem muitas famílias se mudando pra Ibiporanga, com  destilaria (Usina Guarani instalada a três quilômetros), Ibiporanga ganhou um grande impulso econômico e cresceria muito mais com a prefeitura mais presente”, avalia Xandão.

O vereador se entusiasma ao falar do distrito, deixando a impressão de que o distrito tem importância econômica maior que a cidade sede. Ele cita, sem precisar números, que o distrito tem mais produtores rurais que o restante do município . Também está localizada lá a Nação Móveis, uma média empresa produtora de móveis escolares e uma envasadora  de água com marcante presença regional. “Ibiporanga é muito importante para a economia de Tanabi e precisa ter uma atenção melhor da prefeitura. Algumas decisões poderiam ser tomadas no distrito mesmo, poderia se ter alguma estrutura da prefeitura que resolvesse diretamente as demandas. Eu, como vereador, sou procurados por moradores, por produtores rurais, 24 horas por dia, em feriados, no domingo, mas resolver as coisas não dependem de mim, levo o problema para a prefeitura e nem sempre se resolve”, reclama o vereador.

Xandão não chega a reclamar do prefeito, mas acredita que a pressão política da sede é muito maior e os investimentos são alocados para ela e seus problemas e Ibiporanga acaba recebendo menos do que merece.

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