A Propósito: Vereadores se impacientam com Montoro; convidado para assumir cargo em Monte, João Paulo recusou

Nervos de aço

O prefeito de Monte Aprazível, Nelson Montoro (PSD), parece não se preocupar com o clima tenso demonstrado pela postura de desaprovação dos vereadores nas relações dele com a Câmara, na última sessão de terça-feira. Estão descontentes oposicionistas, situacionistas e aliados de última hora. Montoro diz entender o descontentamento e que tem feito o possível para atendê-los. Mas, falta o dindim.

Saco sem fundo? 

É verdadeiro que vereadores querem dividir a bolsa do prefeito, mas no caso de Monte Aprazível, a “sovinez” de Monto está um grau acima. Os vereadores atingiram a marca de 250 indicações, quase 100% delas são pedidos para que a prefeitura preste serviços que são de competência exclusiva e obrigação dela. Por exemplo, pedidos de troca de lâmpadas e colocação de braço de luz, contam-se em lotes em uma mesma rua.

Pra se coçar

Circulam boatos de que Nelson Montoro pretende preencher ao menos um dos importantes cargos de auxiliar direto que estão vagos, como planejamento, finanças, chefia de gabinete. Comenta-se que seria cidadão morador de Zacarias.

E  o tempo levou 

A liberalidade dos cidadãos e eleitores de Monte Aprazível para contratação de gente de fora está expirada. Fazer isso agora, tem proporção de descarrilamento ferroviário na Índia. Não teria havido nenhuma restrição se, no início do ano, João Paulo da Silveira, funcionário de carreira da prefeitura de Tanabi, tivesse aceitado o convite para o planejamento. O prefeito da cidade vizinha, Norair da Silveira, não fazia objeção, caso o funcionário, que foi chefe de gabinete da ex-prefeita Bel Repizo, pedisse licença. João Paulo preferiu continuar no quadro de Tanabi.

Melhor assim

João Paulo tem duas especialidades em administração municipal que seriam mãos na roda para Monte Aprazível. Ele é bom no relacionamento e organização funcional e planejamento. Talvez até conseguisse organizar o caos funcional de Monte Aprazível, mas dificilmente daria conta de planejar algo. Dos novecentos funcionários da prefeitura, não se encontra um capaz esboçar um projeto. Um município, como é o caso de Monte, sem engenheiro, sem arquiteto, sem desenhista, sem técnico ambiental, sem departamento de trânsito, sem advogado especializado em urbanismo, zoneamento, burocracia estatal e sem ente especializada,  só projeta caos. Em Tanabi, toda essa estrutura estava à disposição de João Paulo.

Se Montoro conseguir implantar algum grau de profissionalismo no quadro funcional do município vai ser o melhor prefeito que a cidade já teve. Os artífices do quadro funcional até aqui tiveram a preocupação única de acomodar eleitores em cargos. Nunca se preocuparam em criar funções a serem preenchidas por profissionais. O resultado é esse cabaré ingovernável.

Querer e poder 1

O prefeito de Monte Aprazível reclama que falta dinheiro. Não parece ser verdade. Estagiários que deixaram a prefeitura com o fim do contrato, na administração anterior, continuam a receber, todo santo mês, depósitos da prefeitura em suas contas. A coluna já alertou o prefeito em edições anteriores sobre tamanha irregularidade. Até que A Voz Regional pretendeu trazer o assunto em reportagem, mas não é possível. Os estagiários não constam da folha de pagamento e para saber quantos estão recebendo seria necessário saber o nome de cada um deles e a rubrica das despesas de onde sai a sinecura. Para tanto, o jornal teria de recorrer à lei de informação e esperar semanas pela resposta. Já o prefeito, havendo interesse, consegue a informação em minutos.

Querer é poder 2

O jornal já publicou várias reportagens sobre a sangria de dinheiro municipal, dinheiro da população de Monte Aprazível, provocada pelo departamento de pessoal, o órgão mais perdulário e malandro da prefeitura.

Não se sabe o tamanho do dinheiro que se dissipa ali. Para tanto, é necessário uma auditoria ou coisa assemelhada, mas para barrar pelos menos as mais flagrantes, conhecidas e sabidas como a autoconcessão,  de horas extras, bastaria uma canetada do prefeito.

Poder paralelo

O Departamento de Pessoal da prefeitura de Monte Aprazível tem poderes ilimitados, manda, desmanda, impõe, faz o que quer e o que bem entende, mesmo que seja ilegal. Ao menos há 30 anos, o DP conduz prefeitos pelo cabresto.

  

Pagando a conta

O prefeito Norair nomeou Orlandinho Escribone para o cargo de secretário da agricultura de Tanabi. Segundo o vereador Fabrício Missena, a nomeação faz parte do acordo eleitoral com o PMDB. Fabrício computa também como parte do acordo o contrato de locação da prefeitura de um prédio na rua Jorge Tabachi, de propriedade do ex-vereador peemedebista, João Ribeiro. O prédio é usado por programas sociais da primeira dama Sandra.

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