Vereador quer proibir pulverização aérea de veneno em Tanabi

O vereador Fabrício Missena (PP) apresentou na última sessão da Câmara de Tanabi projeto de lei proibindo o uso de pulverização de agrotóxico nas lavouras. O projeto estabelece multa de R$ 30 mil por pulverização, com valor dobrado a cada incidência.

Segundo o vereador, em sua justificativa, a iniciativa foi apresentada a pedidos de produtores rurais que se sentem prejudicados com a prática. O vereador contou a A Voz Regional ter sido procurado por produtores de legumes e frutas que perderam a produção de lavouras atingidas pelos produtos químicos, usualmente produtos estimulantes de maturação da cana-de-açúcar. “A pulverização desses produtos atende a uma parcela pequena de produtores, que causa prejuízo às lavouras dos vizinhos e ao meio ambiente.” Fabrício argumenta que a prática é feita em plantios de destilarias, incluindo as de outros municípios, e a maioria em terras arrendadas por grandes empresas agrícolas de cidades vizinhas.

O presidente da Câmara, Marcos Paulo Mazza (DEM) vai propor uma audiência pública para discutir o assunto.

Moradores     

A prática de pulverizações de produtos químicas tem deixado apreensivos produtores rurais, especialmente os que ainda residem na zona rural ou produzem alimentos como verduras, legumes, mel, leite e pequenos animais, o que pode atingir diretamente os moradores das cidades.

“É uma situação muito preocupante. Eu sou produtor de leite, tenho uma preocupação em fornecer um produto de qualidade, livre de contaminação. Eu não ordenho vacas que estão em tratamento à base de antibióticos, vermífugos e outros remédios e isso tem um custo muito alto e eu não tenho mais certeza se estou produzindo um leite de qualidade. Os venenos que são pulverizados na roça de cana vizinha são trazidos pelo vento no pasto das vacas”, protesta um produtor que não quis se identificar.

Ele contou A Voz Regional que a casa onde mora fica a 30 metros do canavial vizinho e que durante as pulverizações os bebedouros e vasilhas de ração dos animais doméstico e galinhas são contaminados e que os produtos químicos podem ser observados na superfície dos móveis. “Eu sempre tive horta e frutas buscando uma alimentação saudável e livre de agrotóxico, agora acabei com a horta e não como mais as frutas do quintal, eu compro no mercado, pelo menos eu tenho a dúvida, porque do meu quintal eu tenho certeza da contaminação.”

“Eu espero que o curador do meio ambiente da Comarca seja convidado para a audiência pública e compareça”, concluiu o produtor enviando um recado ao presidente da Câmara e ao promotor de Justiça.

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