Walter Spolon: Lá tinha…

Monte já foi um dos maiores municípios e a maior Comarca do nosso Estado. Era chão que não acabava mais. Imaginem uma Comarca que ia até às barrancas do Rio Grande. Que loucura! Imaginem, também, a área de nosso Município, que abrangia os atuais Sebastianópolis do Sul, Nipoã e Macaubal. Tempos em que não havia estradas asfaltadas. Era chão puro! Aos poucos, foi se dividindo, novos municípios foram criados e se desmembrando do nosso. Ainda assim, contamos hoje, com uma enorme área territorial, 496,9 km², que inclui os Distritos de Engenheiro Balduino, Junqueira e Itaiúba.

A cidade, fundada em 1º de julho de 1898, pelo Capitão Porfírio de Alcântara Pimentel, que é patrono, também de nossa maior escola, foi elevada à categoria de Distrito Policial em 1912 e, em 1914, a Distrito de Paz.

No dia 6 de agosto de 1919, é lançada a pedra fundamental de nossa Igreja Matriz. No dia 10/03/1925 foi oficialmente criado o Município de Monte Aprazível. Em 1927, foi elevado à categoria de Comarca. No dia 26 de Maio comemoramos (?) 90 anos de Comarca!

De lá prá cá, muita água rolou e passou por baixo da ponte. Aos poucos, nosso município foi se firmando e surgiram novas conquistas. Mas, vieram também muitas perdas.

Só para lembrar de algumas: Sanbra (Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro) – Glycério Cappi, foi um de seus gerentes; Fábrica de Cola e Gelatina – Gerente, Sr. Olden;  Curtume Aprazível, do Toninho Egydio; Destilaria Água Limpa – Donaldo, José Arlindo e Ary de Carvalho; Jornais: A Comarca – Constantino de Carvalho – e Hora e Vez – Dr. Joaquim P. Nazário; Delegacia Seccional de Polícia, por ali passaram o Dr. Dória e a Dra. Suzana; Diretoria de Ensino “Profa. Valisnéria Laguna Araujo” – Delegados de Ensino Prof. Archangelo Affini, Prof. Jesus Luiz Gagliardi, Prof. João Salviatto, Prof. Nilson Troleis, Prof. Clorival F. Silva e professor Walter Spolon; Escola Capitão funcionando com capacidade total de alunos, nos períodos da manhã, tarde e noite; do Ginásio e Internato Dom Bosco, do saudoso Padre José Nunes Dias; da Escola de Comércio “Fraga Moreira”, que teve como um dos diretores o saudoso Professor Raul Vieira Luz; das Agências de automóveis Chevrolet, dos Irmãos Maset e, depois do Vacílio Ivanova; Wolksvagen, do Carlos e Toninho Faria; Fiat, do Valentim e Ford, dos Irmãos Maionchi, ultimamente dos irmãos Cabrera; dos Tratores Valmet, Massey Ferguson e CBT; da Serralheria dos Irmãos Justi; das Agrotec, da Marilene e Ezuperândio Julio;  do Mercado Municipal; da Coletoria e Posto Fiscal, onde trabalharam Ari de Carvalho, Sr. Zuza, Victor Sapienza, Newton Costa, Bartolo, Abel S. Mendes, Ariosto Monteiro, Isako , Orlando Galoro, o ex-Prefeito de Tanabi, Sr. Alberto Víctolo, Cícero Nogueira; Sr. Alfredo e o Toninho Ginack (era na frente da Igreja Matriz); da AABB (Associação dos Funcionários do Banco do Brasil); do saudoso Iate Clube, do Centro Operário XV de Novembro; do Aprazível Clube; do GEMA (Grêmio Esportivo Monte Aprazível; do SEMA (Sociedade Esportiva Monte Aprazível); do IMA (Infantil Monte Aprazível); do local de lazer da criançada de antigamente, o Buracão; dos jogos de Basquete, Volei e Futebol de Salão na Quadra da Sede Pio XII; das Quermesses na Praça da Matriz e de tantas outras coisas que, aos poucos fomos perdendo. Uma pena. Ficaram as lembranças.

E, por falar de antigamente, você se lembra, ainda, dos potentes veículos da Polícia: Um  Jeep, novinho, uma Rural Willys e, depois um Fusca, pintados em branco e preto, conhecidos como “Curintiana”? Bons tempos. Isso nos faz lembrar de algumas pessoas ligadas à segurança, de então: Dr. Mariano P. de Andrade, Dr. Pitóscia; Sr. Alexandre Braga;  Adolfinho e o filho Ayrton; Sr. Toninho Oliveira, pai do Serginho; , Da. Adélia Dib; Sr. João Justino; Joanim Furlan, Antonio Naime, Newton Costa, Nelson Soubhia, Tizá, Agostinho, Rubens Molina, Carlinhos Canheo e tantos outros, que ajudaram a escrever a história de nossa cidade! Ah! E você se recorda quando a cadeia era na parte inferior do atual Forum? E, por falar nisso, você se lembra do Juiz de Direito, Dr. José Alberto W. de Andrade, que gostava de músicas clássicas e se deliciava até altas horas da noite, mas fazia a moçada dormir às 22 horas? E do Juiz, Dr. Newton Hermano, que gostava de futebol e ajudou o GEMA, a disputar a série B?

É, amigos, muita coisa mudou durante esse tempo todo. Boa parte de nossa história está esquecida, relegada à própria sorte.

É por essas e tantas outras coisas, que nossa cidade está perdendo a identidade. Perdendo o rumo.

“Não há como cuidar do presente, sem se lembrar do passado.”

Pensem nisso!

Nota: Nomes e fatos citados não obedecem à ordem cronológica.

Categorias: Artigos