João Francisco Neto: Eternas oligarquias

O ano de 2018 se aproxima e com ele virão as eleições gerais para a escolha do próximo presidente da República, novos senadores e governadores de Estado, e todos os deputados federais e estaduais. É um tempo em que o povo renova suas esperanças por um Brasil mais ético, pois todos os candidatos prometem o melhor dos mundos, se forem eleitos. Em breve, teremos então mais uma temporada de mentiras generalizadas.

No horário eleitoral “gratuito”, seremos novamente obrigados a suportar as cantilenas dos candidatos que se fazem de sinceros, acenando com justiça social e desenvolvimento econômico, geração de empregos, criação de escolas técnicas, reforço da segurança pública, aumento do salário mínimo, habitação para todos, melhoria nos programas de saúde, etc. Os candidatos sabem muito bem que, se disserem a verdade, jamais serão eleitos. Se é assim, então mentem sem nenhum pudor.

Muitas das vezes, uma suposta renovação da política se apresenta na forma de jovens candidatos, que, aparentemente, estão aptos para traçar novos rumos para a desgastada política tradicional. São candidatos que costumam ter excelentes chances de obter sucesso nas eleições, pois representam o sangue novo na política.

Entretanto, muitos desses jovens candidatos nada mais representam do que a mera continuação do poder de grupos que controlam a política de muitas regiões do Brasil. São as velhas – mas sempre presentes – oligarquias regionais. Como se sabe, a oligarquia existe quando, ao longo do tempo, o poder é exercido por um grupo de pessoas, pertencentes à mesma família ou classe social.

São famílias ou grupos que exercem forte influência política em suas respectivas regiões. Em geral, são proprietários de grande patrimônio e frequentemente de rádios, TVs e outros meios de comunicação. Por isso, é muito frequente que mantenham o controle de suas bases eleitorais, por meio da política municipal, de onde se calçam para conquistar mandatos nas esferas estadual e federal. Em tempos de vacas magras, essas bases eleitorais servem de refúgio, para se aguardar dias (e cargos) melhores.

Vale ressaltar que o controle dos meios de comunicação não serve apenas para promover o candidato da oligarquia. Na verdade, essas emissoras de rádio ou TV acabam “filtrando” todo o noticiário, de modo a não destacar as notícias que podem comprometer ou ferir a imagem de seus controladores, que são da família do candidato, quando não o próprio candidato. Por outro lado, exaltam todas as “realizações” de todos os membros da família, para reforçar o seu cacife eleitoral. Assim, a oligarquia vai se eternizando.

Veja-se o recente caso do deputado André Fufuca, inesperadamente alçado à condição de presidente da Câmara dos Deputados. Trata-se de um político muito jovem (28 anos), médico, do qual nunca se tinha ouvido falar. Segundo consta, Fufuca pertence a um clã político do interior do Maranhão, tendo herdado o codinome de seu pai, chefe da oligarquia regional local. É óbvio que Fufuca nada de novo trará para a cena política nacional, pois, como tantos outros, ele lá está tão somente para a perpetuação do poder do seu grupo.

Em tempo: há sindicatos e partidos políticos que, por sua estrutura viciada, acabam se transformando em verdadeiras oligarquias que asseguram o poder para o mesmo grupo de pessoas, que, obviamente, fingem representar os interesses de seus filiados.

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