Árvore canelinha sobrevive ao ataque criminoso com herbicida

Universo, o técnico em eletrônica que salvou a planta, comemora, no Dia da Árvore, a possibilidade de a espécie completar seu centenário

No dia 8 de março, a árvore da espécie canelinha, na esquina das Ruas Brasil com 26 de Maio, sofreu um ataque com herbicida de um criminoso ambiental que não foi identificado, apesar da denúncia formulada para a Polícia Ambiental. A árvore teve seu tronco furado à broca, em diversos pontos e injetado neles o produto Tordon, um poderoso herbicida. A morte da árvore era certa e nos dias seguinte já manifestava os sintomas de murchamento e amarelecimento de folhas e comprometimento de galhos.

Universo, da oficina de eletrônicos e beneficiária direto da sombra da canelinha não aceitou passivo a fatalidade, julgou que poderia reverter o quadro da morte apostou na vida. E nada representa a vida, como água. Universo passou a irrigar a planta mortalmente atacada, diariamente, com 100 litros de água, por várias semanas. Poucos, quase ninguém, esperava sucesso na empreitada. Mesmo Universo, que sempre foi reticente em permitir que a A Voz Regional noticiasse a sua iniciativa. Só permitiria a divulgação, depois de que a árvore emitisse novos brotos.

Hoje, no Dia da Árvore, já se pode garantir que a árvore está viva e vai continuar fazendo parte da história de Monte Aprazível. Segundo Universo, ela é uma das três que ainda estão de pé e fizeram parte do primeiro projeto urbanístico idealizado pelo prefeito Jorge Carneiro de Campo no início dos anos 40 do século passado, na Rua Brasil, quando ainda era conhecida por João Pessoa. Com o socorro do Universo, poderá chegar ao centenário, oferecendo sombra nas tardes senegalesas, camuflando furtivos beijos enamorados em noites de luar.

Belo Exemplo

Monte Aprazível como todos sabemos, já foi bastante arborizada, mas, como tantas outras, tem perdido esse bem precioso, trocando-o pelo famigerado progresso, ou seria simplesmente por interesse próprio?

Essa discussão ganhou corpo e surgiram vários simpatizantes da perseguida árvore. Os comentários do crime contra a natureza cresceram. Ninguém, por mais afoito que seja ao progresso, aceitou essa barbaridade. Nas rodinhas, o assunto passou a ser um só. Por que tanto maldade?

Até a Polícia foi acionada. Começou a investigação. Outros procuraram pessoas entendidas no assunto, para saber o que fazer para salvar a dita árvore. Pena que não tenhamos recursos para solicitar a ajuda do “NCIS” ou do “FBI”, ou, ainda do “Hawai 5-0”, para colaborar nesse acontecimento.

Há, ainda, os que se adiantaram a todos os inimigos da árvore, e começaram a agir rapidamente: Vamos salvá-la! Se ela tem inimigos, vamos mostrar que também tem amigos. Muito mais!

E vai água, por duas, três e, até quatro vezes ao dia. O que contou e ajudou bastante, foi a fé do povão: Ela não vai morrer! Juntos, somos mais fortes. E vai adubo e outras coisas mais para salvar a coitadinha, que começava a murchar e amarelar as folhas.

Aos poucos, com muita dificuldade, a dita árvore juntou-se a seus amigos humanos e, bola prá frente! Vamos reagir! “Quem sabe faz a hora, não espera acontecer!”

E é nessas horas que conhecemos nossos verdadeiros amigos! Todo mundo se uniu ao UNIVERSO, para salvar a amiga árvore, tão maltratada por seus inimigos.

Agora refeita desse monstruoso ataque, ela deve estar pensando consigo mesma: “Quando se tem amigos, somos mais fortes ainda!”

Parabéns, Universo, o responsável direto pelo renascimento da nossa “Canelinha”!

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