Estiagem prolongada atrasa plantio e afeta ainda mais a economia regional

Depois de dois anos bons de chuva, agricultura está sendo castigada por seca bastante severa

A seca deste ano afetou diretamente as lavouras da região. Nos dois anos anteriores a falta de chuvas e a seca não afetou lavouras como cana e o plantio de culturas perenes como o milho, amendoim e pastagem ocorreram já em setembro. Este ano está tudo parado, pois até agora não houve chuva sequer para o preparo de solo.

O coordenador agrícola da Associação de Produtores de Cana da Região de Monte Aprazível (Aplacana), João Aoki, diz que “numa estimativa bem otimista” calcula que haverá uma quebra de produtividade das  lavouras de cana de 10% a 11%. Ele diz que “a seca comprometeu a produtividade dos canaviais. Mais da metade dos canaviais de nossos associados tem idade média avançada, encontram-se no quarto ou quinto corte e o sistema radicular de canaviais com idade avançada é superficial, o que sujeita a planta a maiores danos em razão da seca”.

A estimativa da Aplacana é que seus associados colhessem 2,3 milhões de toneladas de cana, mas com a quebra de produtividade a produção deve cair em cerca de 230 mil toneladas, que resultarão em uma perda de R$ 17 milhões aos associados da entidade, o que afeta, segundo Aoki, o ânimo dos produtores. “Até o ano passado havia uma expectativa de que até 2018 o valor da cana estivesse bom, no entanto, este ano o valor de abril até agora caiu e junta com o impacto da seca o pessoal acaba desanimando”, diz.

“Trata-se de um cenário complexo – prossegue – porque muitos produtores têm filhos que não os sucederam na atividade e com a idade avançando muitos acabam arrendando a área para a usina e aquele que arrenda área de um terceiro acaba devolvendo a terra e parando com a atividade”, comenta.

O gerente da casa agropecuária Agro São Pedro, Cleber de Paula Naves, confirma o desânimo do produtor rural com a falta de chuvas. “Com essa seca o produtor está bem desanimado, principalmente porque o preparo de solo e a adubação depende da chuva. Quem tem outra atividade está lidando com ela para passar o tempo, porque não consegue mexer na terra”, diz.

Ele diz que ainda assim se mantém otimista. “Acreditamos sempre em melhora, mas hoje com o preço baixo do milho e insumos altos o pessoal está cauteloso. O preço do milho e da soja começou a dar sinais de melhora, por isso acreditamos que a área plantada deva se manter próxima a dos últimos anos, porque o problema hoje é a falta de chuva, quando tudo está parado, mas assim que chover eu acredito que o pessoal anima e o ciclo começa a rodar de novo”.

O presidente do Sindicato Rural Patronal de Monte Aprazível, Diogo Martins Arruda, é outro entrevistado a confirmar o desânimo do produtor rural com a falta de chuva. “O preço de alguns produtos está ruim e a falta de chuvas acaba sendo mais um fator desestimulante. O produtor está desanimado, mas assim que chover ele dá uma animada, porque com a chuva pouco ou muito ele planta, está no sangue”, encerra.

Categorias: Agricultura