Empreendedores pretendem alavancar reciclagem de materiais

O operador de máquinas pesadas Leandro de Oliveira e o agente ambiental Gustavo Rodrigues da Silva se associaram para montar uma reciclagem de resíduos em Monte Aprazível. A iniciativa já tem dois meses e eles afirmam que começaram “com a cara e a coragem”, mas estão satisfeito com o desenvolvimento do trabalho.

Gustavo há 13 anos já trabalhava com reciclagem, mas sempre como empregado de outros recicladores, Leandro trocou o serviço de operador de máquinas pesadas pelo serviço pesado de reciclador. “Resolvemos apostar na reciclagem de lixo porque há muito material reciclável que é descartado no lixo comum, que vai para aterro sanitário”, diz Leandro.

Eles estão recolhendo todo material que é reciclável, desde papelão até óleo de cozinha usado. “Monte Aprazível é uma cidade em que há muito para ser explorado na reciclagem, a população ainda descarta muito material reciclável no lixo doméstico, se a população fizesse a separação do material, pouco lixo iria para o aterro sanitário”, diz Gustavo.

Eles estão recolhendo cerca de 7 mil quilos de recicláveis por semana e dizem só não estar recolhendo mais porque não dispõem de caminhão, “Trabalhamos com uma carretinha puxada por meu carro particular. Se tivéssemos um caminhão conseguiríamos dobrar e até triplicar a coleta”, conta Leandro.

Eles coletam óleo de cozinha usado, pet, papelão, alumínio, PVC, que são objetos de construção e forro, PP, que são objetos plásticos como baldes bacias e tampas de refrigerantes, cobre, chaparia, ferro fundido, PAD, que são embalagens de produtos domésticos como chocolate em pó, amaciante, entre outros, sacolas plásticas, mangueiras, parachoque de veículos, latões de óleos e insumos e isopor. Os mais rentáveis, segundo eles, são o alumínio, o pet, o cobre e o PAD.

Eles estão começando na atividade, mas tem ideias para tornar a coleta de materiais recicláveis oficial no município. “Embora já haja uma iniciativa de reciclagem no município, ainda há muito o que ser explorado, porque muita coisa reciclável ainda vai para o lixo doméstico, descartado em aterro sanitário. Nossa proposta é que a prefeitura dê apoio ao trabalho de reciclagem, fazendo uma campanha de conscientização da população e instituindo a coleta reciclável de forma oficial na cidade todas as terças e quintas-feiras, dessa forma nesses dias a população só colocaria na rua materiais recicláveis e nós e os outros recicladores passaríamos pegando. Há espaço para todo mundo”, diz Leandro.

Ele também sugere que os agentes de controle de vetores se engajem na campanha fazendo a distribuição de folhetos explicativos sobre a separação de materiais recicláveis. “Acho que tem tudo a ver com o trabalho deles e a separação de materiais recicláveis ajuda no combate ao criadouro do mosquito aedes aegypti e de outros vetores e como eles entram na casa das pessoas teriam um papel fundamental na conscientização da separação dos recicláveis”, comenta Leandro.

Por enquanto Leandro e Gustavo estão trabalhando apenas com um ajudante, mas contam que tem visitado famílias em busca de parceiros. “Nós pedimos que eles separem o material e nós compramos deles, seriam nossos colaboradores, parceiros, porque salários nós não temos condições de pagar e não temos uma associação, o que facilitaria a contratação de catadores, como nossa empresa é particular, trabalhamos com parceiros”, conta.

Eles dizem que pretendem oferecer oportunidade para pessoas desempregadas e ex-usuários de drogas. “É uma oportunidade de trabalho, tão digna como outra qualquer, com a diferença que a pessoas serão remuneradas de acordo com sua produção. Quanto mais reciclável conseguir juntar, mais receberá pelo material”, comenta Gustavo.

Eles acreditam que se a prefeitura oficializar a coleta de lixo reciclável na cidade, mais de 50% do volume de lixo deixará de ir para aterro sanitário e afirma que isso deveria ser de interesse da prefeitura, já que ela paga para dar o descarte correto ao lixo, enviando-o para aterro sanitário na cidade de Onda Verde.

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