Para Norair, CEI da Água, pode “pegar” quem criou e se beneficiou de autarquia

Prefeito de Tanabi não teme CEI e acredita que relatório vai constatar que sistema dá prejuízo e valor da água deve ser revisto

O resultado da Comissão Especial de Investigação, criada pela Câmara Municipal de Tanabi, com o objetivo de chegar a eventuais irregularidades no sistema de abastecimento de água e esgoto do município, não preocupa o prefeito Norair da Silveira (PSB). “Eu vejo a criação da CEI como normal, tanto mais que os vereadores o problema da falta de água me preocupa e estou trabalhando para resolvê-lo, mas não temo a investigação porque não tenho nada a ver com a criação da autarquia que foi feita de forma irregular, criada para dar um sentido de modernidade, mas na verdade foi para acomodar companheiros políticos.”

Para Norair, na prática, a autarquia, responsável pelo sistema de água e esgoto do município, não existe, foi criada na administração do ex-prefeito José Francisco de Mattos Neto, mas nunca foi regulamentada. “Na criação estava prevista uma estrutura de funcionamento, com 8 a 10 cargos, mas nada disso aconteceu, e a CEI pode chegar a conclusão que o ex-prefeito e o ex-presidente da autarquia têm de devolver os salários pagos. Na minha administração não preenchi nenhum cargo no SAAET.”

Norair diz aguardar com tanquilidade os pedidos de informação dos vereadores da CEI, Fabrício Missena (PP), presidente, Rodrigo Bechara (PODEMOS), relator e Gilbertinho Faria (PSD). Um dos pontos principais da investigação CEI é saber dos valores arrecadados com o sistema e a eventual não aplicação dos recursos na manutenção e melhorias dos serviços. Quanto a isso, o prefeito é categórico ao afirmar que a prefeitura gasta com o sistema ao menos 10% a mais do arrecada.

Norair não fornece números de quanto arrecada e quanto gasta. “Eu não sei o que a CEI quer saber, mas se pedirem vou demonstrar que o sistema dá prejuízo”, garante.

Norair diz que a inadimplência é muito alta, o valor cobrado pelo serviço não cobre os custos.

“Todos os dias, incluindo feriados, equipes de 6 a 8 funcionários, veículos e máquinas  municipais estão nas ruas dando manutenção no sistema, trocando materiais, consertando e substituindo bombas, registros, reparando redes a um custo muito alto”, explica o prefeito. Para dimensionar as finanças do sistema, Norair defende que faltou a regulamentação da autarquia, que ela ficasse com a receita, mas que fosse responsável pelo custo do sistema. “Não tem como estabelecer o valor real da água porque toda a despesa fica com a prefeitura, a autarquia tem receita, mas toda a despesa é bancada pela prefeitura”, argumenta.

Norair admite a gravidade da falta de água, mas coloca a culpa no próprio sistema e menos na falta de investimento. “O sistema foi montado sem planejamento técnico. Existem vários pontos de captação que levam a água para reservatórios e da captação ao reservatório são quilômetros sem registro. Para se fazer um reparo, todo o reservatório é esvaziado em minutos e para enchê-lo vão horas, sem contar que a rede de distribuição é muito velha.”

Mesmo diante do quadro pintado, Norair diz que tem feito investimentos: “Aprofundamos vários poços, pesquisamos vazamentos e a construção de um novo reservatório e bombas com maior produção.”

CEI

Para os vereadores que compõem a CEI, é importante mostrar a população o andamento de todo processo. “Assumo o compromisso pessoal, da forma que todos os envolvidos assumiram que todo esse processo será analisado com total lisura e compromisso com a população. Nós iremos investigar e trazer propostas para melhorar o sistema de água e não faremos palanque político e sim um mecanismo de resolução da água. Essa CPI representa o povo”, ponderou o relator Bechara.

“Devemos ser firmes nas decisões e representar com clareza o povo. Não suportamos mais essa falta de compromisso com o sistema de água e esgoto de Tanabi. Vamos trabalhar para promover o bem estar do povo que não pode mais sofrer com esta falta d’água”, frisou Marcos Paulo Mazza.

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