Editorial: Da ineficiência à suspeição

O governo de Nelson Montoro, em Monte Aprazível, deu um salto espetacular para o precipício. Por nove meses, a administração se debateu no pântano do imobilismo, da ineficiência e do deslumbramento estéril para jazer, de forma irremediável, no poço da suspeição, ao resgatar do apropriado limbo a que estava relegado o cidadão Nelson Avelar e reintroduzi-lo ao centro do poder municipal. E com amplas e plenas prerrogativas decisórias.

Ao fazê-lo, Montoro, de próprio punho e livre iniciativa, imprimiu no seu governo o estigma da suspeição. Não há outra forma de se ler a nomeação de notório réu em punhados de processos judiciais, autos que detalham as ações criminosas, os delitos rotineiros e sistemáticos de burla aos procedimentos legais de licitações e contratos celebrados entre o município e fornecedores e prestadores de serviços.

Eis a capacidade gerencial do indicado para a assessoria de planejamento, conforme se infere dos numerosos inquéritos e processos em tramitação na Comarca e em tribunais de apelação: fraudar licitações.

Essa dita capacidade de fraudar não se traduz em competência para a fraude. A constância em fraudar, o fez temerário, o crer na impunidade, o fez um fraudador relapso e descuidado. Foram fraudes grosseiras, amadoras pela clareza dos indícios evidentes e a descobertos que facilmente levaram os investigadores às provas que o condenaram a si, ao seu parceiro, Wanderley Sant’Anna, o prefeito a que serviu, e aos comparsas empresariais que participaram das fraudes.

Que Montoro tome tento para os riscos que corre.

As fraudes são a parte vistosa no currículo do indicado ao planejamento como gestor público. Em 16 anos como servidor municipal nomeado, em quatro mandatos, não há ação que corrobore a excelência administrativa de Nelson Avelar. A capacidade administrativa e de gestão dele, são mitos aceitos por áulicos de seu grupo político, comprados por adversários que, talvez, no fundo, admiram nele é o destemor pelo delito. Como gestor, Nelson é uma pálida luz captada do brilho administrativo irradiado pelo seu chefe de longa data, Wanderley.

Por eficiência administrativa, então, não se justifica a participação do contumaz fraudador na administração. Mesmo que a tivesse exuberante e sapiente, não é oportuno virar as costas aos apelos dos brasileiros que clamam pelo fim da corrupção e do desvio de dinheiro público em benefício de uma casta de políticos e de servidores criminosos e delinquentes, associados em quadrilhas com empresários desonestos.

O gesto de Montoro foi desastroso, por ferir a ética e a moralidade. Mesmo que não venha ele a atentar contra esses princípios, inocularam-se na administração os venenos do vício e da desconfiança, vírus que repelem os íntegros de conduta e de firme caráter e atraem os biltres com vocações corsárias e patifes travestidos de empresários.

Serão anos tristes! E longos por comprometerem toda a vida das crianças em idade escolar ao mesmo tempo em que abreviam a vida dos mais velhos.

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