Mesmo sem economia na conta de luz, o horário de verão está de volta este ano

Para o sistema elétrico a economia não é mais eficaz e consumidor não identifica nenhuma economia

O governo cogitou acabar com o horário de verão neste ano no Brasil após estudos realizados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) indicarem que a iniciativa não é mais tão eficaz do ponto de vista econômico como em anos anteriores. Mas, o Ministério de Minas e Energia anunciou a decisão de manter o horário de verão para o ano de 2017. Desta forma, os moradores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste deverão adiantar os relógios em uma hora no dia 15 de outubro.

A manutenção do horário de verão, porém, só está confirmada para 2017. O governo ainda não sabe se vai praticar a medida de 2018 em diante. Uma pesquisa para saber a opinião da população quanto ao tema está sendo estudada pelo governo. O horário de verão foi criado com o objetivo de economizar energia elétrica durante o período em que está em vigor. No entanto, um estudo da ONS e do Ministério de Minas e Energia concluiu que essa política pública traz efeitos “próximos à neutralidade” com relação à economia de energia elétrica. Ou seja, o principal objetivo da medida, economizar eletricidade, não é mais atingido.

A Voz Regional repercutiu com empresários e cidadãos comuns o efeito da medida. Antônio Aparecido Minuci, proprietário da MM Gabinetes, diz que na sua empresa o horário de verão não propicia economia alguma. “A gente trabalha das 7 às 17 horas, as máquinas permanecem ligadas durante o período todo, igual no horário normal, então não há reflexo algum. Pelo contrário, é um desserviço para o Brasil. Está provado que não propicia economia. Só serve para atrapalhar a vida das crianças em idade escolar, que entram na escola às 7 horas, e que acaba complicando o seu rendimento porque o relógio biológico delas está programado para o horário normal, sendo que elas têm que acordar uma hora mais cedo”, enfatiza.

Justino Alves, proprietário da Imobiliária Casa Branca, também diz não perceber economia alguma com o horário de verão. “Nós não sentimos nada, porque o período de trabalho é o mesmo e os equipamentos ligados à energia elétrica permanecem ligados da mesma forma durante todo o período, que é das 8 às 17 horas. Se alterar é em indústrias pesadas, que funcionam em três turnos, que depende de quantidade maior de energia, mas indústria leve e no comércio não impacta nada”.

A funcionária pública municipal Neliza Ribeiro dos Santos também não percebe nenhuma economia com o horário de verão em sua residência. “Não economiza porque a gente tem que acordar mais cedo, quando ainda está escuro e tem que acender todas as luzes. Por isso na minha casa não baixa o consumo, tanto que a conta permanece igual e às vezes até sobe”, diz.

O engenheiro agrônomo Marlon Miguel Baldin também não percebe economia alguma em sua residência em razão do horário de verão. “Muito pelo contrário. A coisa está de um jeito que a conta de energia até aumenta. Demora para escurecer, mas pela manhã demora para clarear, então eu acho que sai elas por elas”.

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