Walter Spolon: Olha o passarinho…

Tudo começou por volta de 1969… Naquele ano, incentivado pela Profa. Ruth Ceneviva, que era minha diretora no Capitão, fiz a prova para seleção dos candidatos para o Curso de Artes Industriais, no Centro de Treinamento para Professores dos Ginásios Pluricurriculares (CTPGIP), exame esse realizado no Mackenzie, em São Paulo, com mais de 600 candidatos. Classificado em 16º lugar, o curso se estendeu de março a dezembro, com aulas de segunda a sábado, que fez com que me mudasse para lá.

Hoje, não mais, mas nas décadas de 70, 80 e 90, era muito comum essa expressão. Esse era o bordão usado pelos fotógrafos, para chamar a atenção, principalmente das crianças, ao serem fotografadas.

A grande maioria desses “modelos fotográficos” procura, até hoje, o dito passarinho. Não se sabia a cor e não se ouvia seu canto.

A fotografia começou a ser parte integrante de minha vida, em 1971. Nessa época, ao cursar o CTPGIP, tivemos aulas de fotografia, ministradas pelos técnicos da Kodak.

Foi aí que a história começou. Ao voltar de São Paulo, procurei mais informações sobre fotografia. Nessa época conheci o amigo Mohamed Kharfan, que era, sem dúvida, o melhor fotógrafo de Rio Preto.

Com ele aprendi as técnicas de revelação dos filmes Branco e Preto, o grande sucesso da época. Aprendi, também, a preparar os reveladores do papel, em tons frios e quentes, Kodakrome e Ektachrome. Isto levou algum tempo, pois essas aulas aconteciam nas horas vagas, lá no seu laboratório na Rua XV de Novembro, ao lado do Forum. Lia as revistas especializadas e os livros sobre fotografia que ele tinha em sua biblioteca.

Conheci, posteriormente, o Heleno de Castro que, juntamente com Kharfan foram meus guias.

Aos poucos, fui ampliando meus conhecimentos e adquirindo os equipamentos necessários. Lembro-me com orgulho do segundo ampliador, Fuji cabeça branca, como era conhecido naquela época. Com ele era possível fazer fotos 2×2 e até Posters de 1,50 metro. Uma realização pessoal que me acompanhou por 23 anos.

Ana Paula, minha filha, foi modelo para minha aprendizagem de fotografia.

Nessa época montei o foto na Rua Brasil, o Foto Tin, onde hoje está o Foto Reinaldo, ali permanecendo por muitos anos. Com o passar do tempo, mudei-me para o prédio do Sr. Otávio Perezi, nessa mesma rua.

Nessa época, comecei, também, a filmar casamentos. Fabrício fazia a filmagem enquanto eu fotografava os eventos.

Como professor, ensinei fotografia aos meus alunos da Escola Estadual, que funcionou durante muito tempo, no prédio na frente da Santa Casa, hoje abandonado. Durante as aulas de Artes os alunos que se interessaram puderam aprender algo sobre fotografia e, alguns deles, chegaram a fazer seu pôster, 50 x 60 cm, no laboratório ali improvisado.

Nessa época lecionava, também, em Poloni, no José Zanovelli, no período de 1968 a 1986 e lá, com o Professor Roberto Anéas, professor de Ciências, montamos, também, um laboratório de fotografia, para que os alunos pudessem aprender essa arte. O diretor da escola, à época, era o Professor Darcy Amâncio, um grande incentivador.

Nessa época, também, surgia a fotografia em cores, de início com uma qualidade inferior à B x P, pois costumava desbotar. Aos poucos, entretanto, foi tomando conta do mercado. Hoje, a fotografia em BxP praticamente não existe.

Vamos falar um pouco dos equipamentos. Além do ampliador para o laboratório era essencial uma boa máquina fotográfica. No mercado, àquela época, dominavam as Yashica 6×6. Já a um preço bastante alto, havia a Rolleyflex, sonho dos fotógrafos. Paralelamente, podíamos encontrar, também, as 35 mm. A minha Topcon quebrou o galho no começo. Depois vieram as Mamiya. Essa máquina, no formato 6×6, fez muito sucesso, pois permitia ao profissional vários tipos de montagens, que eram do agrado dos clientes. A Hasselblad era o sonho de consumo de todo fotógrafo.

Casamentos, aniversários, books e muitas reportagens, além de filmagens, feitas pelo Fabrício.

Foram mais de 23 anos de aprendizagem e realização daquilo que, inicialmente, era um sonho, mas que se tornou uma realidade.

Há, também, uma outra pessoa, a quem sou agradecido, o Sr. Felix Buissa, pelas orientações e ensinamentos. Aliás, ele tinha um bordão bastante conhecido. Quando alguém reclamava da foto, a resposta era: “Saiu o que estava na frente da máquina…!”

A fotografia evoluiu muito rapidamente.

No final do século passado, há pouco mais de 20 anos, a foto digital começa a ganhar mercado.

De início as máquinas usavam disketes, que armazenavam de 10 a 12 fotos cada e logo foram substituídos pelos “chips”, que podem armazenar milhares de fotos , sem necessidade de troca.

Atualmente a foto digital encerrou de vez a fotografia em papel.

Também os celulares hoje, são utilizados  como “máquina fotográfica”, que não existiam há algum tempo. São dotadas de efeitos especiais. Não há necessidade de regular a abertura e a velocidade do obturador. A foto é instantânea, de ótima qualidade, com uma série de efeitos.

Nela, tudo é digital, tudo é automático.

Enquanto isso …  a máquina tradicional serve apenas para enfeitar estantes.

Ah! Que saudades da fotografia antiga…

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