Pequenos empresários não aguentam mais a crise; ano acabou antes do Natal

Se as grandes empresas estão com dificuldades neste momento da economia, imagine as pequenas. O cenário é de queda nas vendas, da produção e de demissões. Pequenos empresários  relatam as dificuldades que encontram na crise para pagar as contas, impostos, salários e fornecedores.

André Gomes, proprietário de loja de moda feminina,  diz que momento está “tenso.” ” Todo mês é uma nova luta, sempre na expectativa de conseguir honrar  compromissos e receber o que vendemos, porque as pessoas estão sofrendo com a recessão e isso afeta diretamente a gente que precisa receber o que vendeu”.

Para conseguir atravessar a crise, André conta que trabalha em família, “justamente para conter gastos e manter o dinheiro na família”. Ele conta ter dificuldade para pagar os compromissos e os fornecedores, que são rígidos com os pagamentos, por isso, as vezes é necessário recorrer a cartão de crédito, limite do cheque especial e empréstimos, com cargos muito alto, o que delapida o capital de giro. “Acabamos usando o capital  da reposição de mercadoria  para pagar contas.”

Segundo ele, vender está difícil, tanto quanto receber, por isso, parou com o crediário próprio, diminuindo venda e receita com negócios só com cartão. “Trabalhei com crediário próprio, mas o prejuízo consumiu todo meu lucro. Parei, hoje só no cartão.”

André diz  ser difícil prever reação nas vendas.. “Às vezes parece que vai reagir, mas acontece algo no cenário político e as vendas retrocedem. Quero acreditar que 2018 será melhor, apesar de crer vai uns dois anos para voltar o que era antes da crise”, comenta.

“Tenho procurado manter minhas mercadorias na promoção para ver se consigo um giro mais rápido”, diz Adriana Facincani, dona de uma loja de bolsas. Ela trabalha sozinha, para economizar  o salário de funcionários, mas diz estar trabalhando as contas. “Não tem sobrado nada e tem meses que fecho no negativo. Nos últimos três meses estou empatando e por causa disso meu capital de giro diminuiu”.

Adriana  responsabiliza a política e diz  não ter “nem ideia” de quando voltará a faturar como antes da crise, “vai depender do cenário político, mas espero que seja logo, pra ontem, pois o momento está crítico”.

Apesar do aperto, ela prefere não recorrer a empréstimo bancário, com receio de não conseguir liquidar a dívida. “Prefiro trabalhar apertada do que pegar empréstimo e depois não dar conta de pagar”.

O marceneiro Marcelo Ramos é outro proprietário de pequena empresa a passar sufoco nesse período de crise financeira. “Hoje eu estou conseguindo pagar as contas. Nos últimos quatro meses me ajustei justamente por causa do final do ano, mas se as coisas não melhorassem eu fecharia a empresa”, diz.

Marcelo conta que para atravessar o período de crise, diminuiu seus gastos particulares e da empresa. “Estou sem salário desde 2015, faço pequenas retiradas da empresa apenas para meus gastos pessoais e na empresa reduzi custos. Me adaptei para sobreviver a essa crise”, enfatiza.

Ele tem a empresa há dez anos e diz nunca ter vivido uma crise como a atual. “Sempre tem altos e baixos, mas como essa eu nunca tinha visto. Desta vez está bem difícil, complicado”. Marcelo teve até que fazer um empréstimo bancário para investir em equipamentos, o que, segundo ele, “foi fácil porque o valor foi pequeno. Tive que recorrer ao banco, porque em 2016 usei todo o meu capital de giro para tocar a empresa. Se em 2017 não mudasse eu teria fechado a empresa”, ratifica.

O marceneiro diz que no seu segmento tem percebido sinais de melhora, “mas isso associado a uma gestão consciente. Além disso, notando que em Monte Aprazível o serviço diminuiu e os preços baixaram, parti para buscar novos clientes em outras cidades, como Birigui, Jaboticabal, Rio Preto, Ribeirão Preto, Nhandeara, São Paulo e Votuporanga, entre outras. Onde tem trabalho a gente vai”, enfatiza.

Se 2017 está perdido, para Marcelo, recuperação mesmo só a partir de 2019, se os juros continuarem caindo, fator que alavanca a construção civil e, por tabela, seu negócio.

José Nicezo Alves dos Santos, proprietário de panificadora, diz que para conseguir honrar os compromissos foi obrigado a diminuir o número de funcionários e ajustar os gastos, “mesmo assim não está fácil. Graças a Deus estou conseguindo honrar meus compromissos, mas é uma luta diária”.

José  diz não dar para ver o fim da crise ainda, por não ver nada mudar e teme que pode piorar ainda mais. Para fugir da crise ele parece ter a receita:  “Monte precisa urgentemente de indústrias, caso contrário, a cidade não anda.”

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