APABOR comemora 25 anos em meio a nova crise de preços da borracha

Mão de obra é entrave para ampliação da cultura, diz Wanderley

A Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (Apabor) comemorou 25 anos em meio a uma nova onda de queda no preço internacional da borracha.  “O preço é guiado pelo mercado internacional e pelo dólar e o mercado internacional não está bom. Hoje a tonelada de borracha está em torno de US$ 1,4 mil enquanto que em junho esteve próximo a US$ 2 mil e o dólar hoje está em torno de R$ 3,17, enquanto que em junho esteve próximo de R$ 4,00”, diz seu presidente Wanderley Sant’Anna

Ele diz que “como o preço não está a contento, a Apabor, como sempre fez, trabalha junto ao governo para que haja uma garantia de preço mínimo, que dê para pagar os custos e que sobre um pouco para os produtores. A princípio o cálculo da Apabor apontava para R$ 2,80 o quilo do coágulo, mas o preço mínimo estabelecido pelo governo ficou em R$ 2,10. Como os asiáticos produzem por preço mais baixo em razão da mão de obra lá ser muito barata, neste ano nós conseguimos elevar a taxa de importação da borracha de 4% para 14% para proteger o produtor interno e com tudo isso o preço do coágulo tem sido comercializado em torno de R$ 2,40”, conta.

A entidade oferece assistência técnica aos produtores no sentido de aumentar a produtividade e qualidade, mas segundo Wanderley, a entidade se destaca na parte econômica. “É uma luta eterna para conseguirmos melhores preços e para isso temos representantes em diversas instâncias, estaduais, federais e até internacionais”, conta.

O Brasil, segundo ele, foi no passado o maior produtor mundial de borracha extrativista, mas perdeu o posto para os países asiáticos por deixar de investir na cultura e por ironia passou a importar borracha dos asiáticos para seu consumo.

Apesar das inconstâncias no valor do produto, é a mão de obra o maior entrave para a ampliação da cultura . “A mão de obra não é boa e é pouca, mas tem que prepará-la e isso conseguimos resolver  através de cursos que promovemos em parceria com o Sebrae, Sindicatos Rurais Patronais e Casas da Agricultura”.

A Apabor é uma associação diferenciada, que congrega os dois elos da cadeia.  A Voz quis saber como é contornado o conflito de interesses desses dois segmentos. Wanderley diz que essa é a parte política da associação, que ele considera muito importante. “Temos todos os cálculo que são necessários quando sai o preço da borracha e sabemos quanto a usina pode pagar ao produtor. Entramos em contato com as usinas que eventualmente não estejam pagando o preço mínimo e mostramos a eles a importância de continuarmos no segmento com um bom relacionamento”.

“Já ocupamos algumas vezes a Câmara Setorial da Borracha Paulista – prossegue – e atualmente foi eleito novamente um diretor da Apabor.  Nosso grande objetivo é ter uma cadeira na mesa de negociações que regula o preço da borracha pela bolsa de Singapura”.

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