Monocultura canavieira tem responsabilidade no desemprego

Monte Aprazível tem ido contra o panorama de recuperação de emprego que se verifica no Brasil. A cidade não responde às contratações como ocorre no Brasil e mesmo em cidade de porte semelhante, como Tanabi. A dependência econômica do município ao setor açucareiro é apontada por empresários como responsável pela crise ser mais acentuada no município e prolongada. Enquanto a crise no emprego emerge pelo país, na cidade a tendência é aumentar com o fim da safra.

Mas não é só isso, falta, para o empresário João Roberto Camargo, do setor de serviços, a elaboração de uma  política de desenvolvimento econômico consistente e com visão moderna, baseado na vocação do município, na qualificação de trabalhadores e investimento na infraestrutura urbana, em asfalto, recapeamento de ruas, limpeza urbana, opções de lazer. “Ninguém vai investir seu dinheiro em uma cidade com baixa autoestima.”

Camargo lembra que na campanha eleitoral, coordenada por ele,  o plano de governo do para o desenvolvimento econômico definia algumas prioridades na geração de emprego, mas nenhuma ação se materializou até agora.

Camargo defende que um projeto de desenvolvimento envolve o fortalecimento do comércio e deve ser discutido com todos os setores econômicos, especialmente a agricultura que dá respostas rápidas e em grande volume.

“Eu não vejo essa movimentação em Monte Aprazível. Em época de crise é que é necessário incentivar e estimular as empresas para se fortalecerem A crise econômica abalou as estruturas dos prestadores de serviços, bem como dos demais segmentos, por isso é preciso se reinventar, buscar novas alternativas, mas o poder público municipal tem que estar presente, fazendo a sua parte”.

Jurandir Longo, comerciante do ramo calçadista e de confecções, acredita que esse déficit em postos de trabalho se deva ao fechamento de várias empresas na cidade em razão da crise econômica e ao fato da cidade depender muito da cana de açúcar. “Municípios com economia mais diversificada se recuperam com mais rapidez das crises ou sofrem menos”, diz.

Diogo Martins Arruda, presidente do Sindicato Rural Patronal de Monte Aprazível, também credita à monocultura da cana o fato da cidade não responder bem à recuperação de empregos. “A usina está terminando a safra e vai ter mais desempregados ainda – diz – Monte Aprazível deveria ter mais diversificação de empresas, indústrias, comércio e agricultura. Apesar de que a agricultura está numa fase em que os insumos sobem mais que a inflação comprometendo a safra do produtor e impossibilitando-o de contratar mão de obra. O agricultor está praticamente trabalhando em regime familiar, porque os produtos agrícolas não acompanham a inflação e os insumos sobem mais que ela”.

Fábio Pelizer Marcondes, empresário do ramo farmacêutico, diz que são várias as razões pelas quais Monte Aprazível não reagiu bem à recuperação de empregos. A cidade, segundo ele, não tem indústria e “não vejo muita novidade no comércio, a logística da cidade não ajuda muito e a cidade não tem o que oferecer para atrair novos empresários a se estabelecerem aqui. Falta tudo, incentivos municipais que atraiam empresários, mão de obra qualificada até o visual urbanístico da cidade está deplorável. A cidade virou cidade dormitório. Diariamente muitas pessoas saem daqui para trabalharem em Rio Preto, Mirassol, Jaci e essa mão de obra que sai é justamente a mão de obra qualificada, então o que resta é qualificar a mão de obra excedente”, comenta.

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