Vereador suspeita de alinhamento de preço em postos de Monte Aprazível

Comerciantes alegam uniformidade nos preços nas distribuidoras e de custos para negar combinação

O vereador Gilberto dos Santos suspeita que postos de combustíveis de Monte Aprazível pratiquem alinhamento de preços. Por essa razão, indicou à mesa diretora da Câmara que oficie o Ministério Público sobre a desconfiança. Ele alega que na vizinha Tanabi a variação nos preços dos combustíveis chega a R$ 0,30 do posto mais barato para o mais caro.

Ele diz estranhar o fato do preço dos combustíveis em Monte variar apenas R$ 0,01 de um posto para o outro “e isso em todos os combustíveis, seja etanol, gasolina ou óleo diesel. Nos municípios circunvizinhos há uma verdadeira concorrência, a variação de preços é grande, chega a R$ 0,30 e já cheguei a ver variação de até R$ 0,50 no litro de um posto para outro. O combustível de Monte Aprazível é o mais caro da região”.

Ele diz que não pretende com a iniciativa “pegar no pé de donos de postos”, mas espera que essa investigação faça com que “os donos de postos dêem uma explicação lógica à população sobre os preços semelhantes que praticam e que passe a haver uma concorrência real e sadia entre os postos, beneficiando o consumidor”.

Explicação

Os proprietários de postos afirmam que não há alinhamento de preços e que o custo final do combustível é ditado pelo custo operacional do negócio. Eles alegam que em Tanabi existe um posto de uma rede de supermercados que não visa lucro com os combustíveis e sim atrair clientes ao mercado.

O dono de posto Adhemar Ferreira  afirma  não haver alinhamento de preços. “Os valores são semelhantes porque, segundo ele, os preços nas distribuidoras são praticamente iguais e os custos operacionais são iguais.”.

Guilherme Nagata, também dono de posto, diz que a prática de preços semelhantes acontece na maioria das cidades pequenas, “pois os custos operacionais são praticamente os mesmos.” Ele diz que o consumidor pode acompanhar no site da Agência Nacional de Petróleo (www.anp.gov.br) a tabela de preço de custo do combustível por região. “Ninguém aqui está explorando o consumidor, o preço é formulado levando-se em conta os custos operacionais e a qualidade do combustível”.

Guilherme destaca que o preço praticado pelo posto do supermercado em Tanabi está “detonando com os demais, que tentam acompanhá-lo para vender, mas não estão aguentando. Lá se travou uma guerra de preços que está detonando os postos da cidade que vivem só do comércio de combustíveis, o que não é o caso do posto do Proença”, diz.

Guilherme diz entender a preocupação do vereador, mas acredita que ele está se envolvendo em uma área que desconhece. “Já que se preocupa tanto com o preço dos combustíveis na cidade, o vereador deveria verificar o motivo pelo qual a prefeitura está comprando diesel de uma distribuidora de Rio Preto a preço de bomba. Se tivesse feito uma licitação com os postos da cidade obteria cerca de R$ 0,20 mais barato no litro. Isso sim merece uma investigação”, enfatiza.

Luiz Henrique de Lima Vergílio, do Stop Auto Posto, concorda com os colegas. Ele diz que quem dita o preço de combustível hoje em Tanabi é o posto do supermercado “que não tem interesse em lucrar com a atividade porque essa não é sua principal atividade, mas sim atrair clientes para o supermercado”.

Segundo ele, o lucro do setor de combustíveis é bem menor do que o de outros segmentos comerciais, como alimentação, vestuário e de calçados. “Os custos de um posto de combustíveis são muito altos. Não existe alinhamento de preço, o que existe é a colocação do custo operacional mais uma margem para poder manter o negócio em funcionamento e se for comparar, basta ver os preços praticados em Rio Preto, que são R$ 0,20 mais caros que aqui.”

Consumidor

O consumidor de combustíveis Donaldo Paiola diz que “ao que tudo indica existe um diálogo entre os postos para estabelecer um alinhamento de preços e isso é prejudicial para o consumidor e também para os postos, porque com preços praticamente iguais o consumidor não se fideliza com um posto, abastece no que der certo, além de abastecer um cidades da região, onde o preço é menor. Eles acham que estão se beneficiando, mas acabam vendendo menos”.

A também consumidora Adriana Aparecida Alves diz que a proximidade de preços verificada nos postos em Monte Aprazível prejudica o consumidor que fica sem opção. Por conta disso, o consumidor abastece em qualquer posto e deixa de abastecer aqui para colocar combustível em outras cidades onde é mais barato. Se houvesse uma concorrência de verdade o consumidor teria opção na cidade e acabaria abastecendo mais aqui”, encerra.

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