“Produtor rural está receoso em levantar financiamento”

Líder do setor diz que Bancos estimam que valores contratados por ruralistas fiquem 20% menor do que safra passada

A procura por financiamentos agrícolas oscilou de um banco para outro esse ano. No Banco do Brasil, que tem tradição no agronegócio brasileiro, fluiu dentro da normalidade, mas na Caixa Federal, nova na linha de financiamento agrícola, a procura foi menor em 2017. Diogo Martins Arruda, presidente do Sindicato Rural Patronal de Monte Aprazível, credita a queda ao receio do produtor de não conseguir honrar seus títulos.

Claudiney de Souza Ribeiro, gerente da agência do Banco do Brasil de Monte Aprazível, diz que os financiamentos estão fluindo dentro da normalidade, “porém com valores contratados em torno de 20% acima do mesmo período da safra passada”. Dos valores liberados 65% foram para investimento e as principais culturas beneficiadas foram a cana de açúcar e a bovinocultura.

José Orivaldo Silva, gerente da agência da Caixa Federal em Monte Aprazível, diz que na Caixa a procura por financiamentos agrícolas foi menor esse ano, mas que dos financiamentos contratados 80% foram para investimento e a maior procura foi por financiamentos para a cultura da cana de açúcar. “Mas também existe procura para investimento na pecuária”, conta.

Diogo Martins Arruda, presidente do Sindicato Rural Patronal de Monte Aprazível, diz que o produtor não está disposto a contrair financiamentos porque os produtos agrícolas baixaram muito e os insumos aumentaram. “Eles temem não conseguir honrar os títulos porque os juros agrícolas são caros. Pelo valor dos produtos os juros são caros, por isso tem que tomar muito cuidado ao tomar empréstimos, porque a propriedade fica penhorada”.

Ele prossegue dizendo que “o justo era o agricultor dar como garantia o produto que ele está financiando, mas além dele produzir barato, com um custo alto, ainda tem que dar a propriedade em garantia. Além disso, as instituições financeiras fazem muitas exigências para conceder o financiamento”.

Diogo diz que safra desse ano será menor do que a produzida em 2016. “Deverá haver uma pequena queda, e isso por causa dos baixos preços dos produtos e alto custo dos insumos”.

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