José Cossini mantém viva, em Neves Paulista, a profissão de alfaiate

José Cossini, costurando roupa sob medida há 65 anos, mantém em Neves a tradição dos ateliês que começaram a desaparecer nos anos 70 do século XX

Para mim não existe profissão ruim, o que tem é profissional que não presta. Algumas profissões podem até desaparecer, mas sempre vai existir o bom profissional, em qualquer profissão, principalmente o profissional que trabalha com as mãos e que ao terminar o serviço fica feliz com o trabalho perfeito que fez

Eu comecei como aprendiz de alfaiate, com o Orlando Saurin, em 1952. Eu tinha 18 anos, depois, em 62, abri minha alfaiataria, e estou aqui, no mesmo local (na Praça da Matriz, de Neves Paulista) até hoje. Deve ter algum alfaiate, alguma alfaiataria por aí, mas eu não conheço, não sei. Quando eu comecei, as alfaiatarias tinham muitos profissionais, dez, quinze e tinha muito meninos aprendendo. Aqui comigo eu tenho dois que trabalham comigo, mas já são aposentados. Não tem nenhum menino, nenhum mocinho interessado em aprender ofício, então vai chegar a hora que eu vou fechar. A profissão de alfaiate já acabou.

Mas eu, com 83 anos, nem penso em parar. Eu vou continuar até quando estiver enxergando. Até quando Deus me der saúde. Eu tenho bastante saúde. Eu não abuso de nada. Bem, eu acho que abuso de manga, mas não faz mal mesmo abusando. Eu como muita fruta, de toda fruta, mas eu gosto mesmo é de manga. Nessa época uma beleza. Todo mundo aqui na cidade sabe que eu gosto e me traz. Todo dia eu como três, quatro, no almoço e mais três ou quatro no jantar. Além de fruta, eu caminho todo dia. Eu fecho a alfaiataria e vou caminhar todo dia.

Eu tenho que continuar porque eu tenho muitos clientes, não posso deixar eles na mão. Eu tenho cliente em todas as cidades da região, Monte, José Bonifácio, Mirassol, Rio Preto.

Eu acho que uma roupa feita sob medida fica melhor no corpo, porque ela uma roupa que só cabe no corpo de quem mandou fazer, mas eu falo tem muita roupa boa industrial.  As pessoas foram abandonando as roupas sob medida por isso, tem muita roupa boa e que se vai à loja, escolhe e sai vestido. E é mais barata. Então quem manda fazer roupa hoje são os mais ricos e pessoas que precisam estar muito bem vestidas, um advogado, um juiz, esses são os meus principais clientes. Eu também faço roupa para a minha filha, a Márcia, que é casada com o prefeito (Ilso Parcohi). Ela diz que a roupa que faço para ela fica melhor que a de fábrica.

Eu estou muito satisfeito com o meu trabalho. Quando era menino eu trabalhei em carpintaria, marcenaria, aprendi cortar  molde de sapatão, mas acho que fiz bem em aprender a tirar medida, cortar e costurar tecido. A alfaiataria me deu uma vida tranquila, com ela criei e formei minhas filhas, a Marcia, que é engenheira e professora a Ana Cláudia que é professora. Eu acertei na minha profissão que me dá muita satisfação.  Mas as minhas paixões são a minha família e o Corinthians.

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