Mãe de Loarah acusa prefeitura de negar ambulância para o transporte da menina a São Paulo

Garotinha de 1 ano e 9 meses, já passou por 18 cirurgias de esôfago e seu atendimento é feito no Hospital das Clínicas

Eu sou a mãe da Loarah, estou no Hospital das Clínicas com ela, onde vamos passar o Natal e o Ano Novo. É claro que é muito chato passar o Natal e o Ano aqui em um hospital, mas pelo menos a milha filha vai passar sob cuidados médicos, depois da tensão e da luta para chegar com ela aqui, porque a prefeitura de Monte Aprazível se recusou a fornecer a ambulância para a viagem.

Todos conhecem o drama da Loarah, e da nossa família, drama que graças à solidariedade das famílias de Monte Aprazível foi compartilhado com a nossa. Infelizmente, empacando o caminho da solidariedade estão a burocracia e a insensibilidade.

Minha filha tem um ano e nove meses, ela é portadora de um grave problema de saúde, artesia de esôfago com fístula traqueofágica.  Cada dia comemoro e celebro a vida dela. Loarah não tem esôfago e vive sob risco constante.

O leite, qualquer coisa, pode colocar a vida dela em risco. Foram 18 cirurgias e fui instruída no HC para que qualquer anormalidade que ela fosse transportada para São Paulo imediatamente.

Foi o que aconteceu dias atrás e com a vida dela em risco solicitei ao senhor assessor da saúde (Luis Sidinani Nassibo) que fornecesse uma ambulância para levar a Loarah até São Paulo, pois ela estava tendo complicações. A equipe médica em São Paulo, responsável pelo tratamento dela, estava sabendo e aguardando no Hospital das Clínicas.

O senhor assessor de saúde não se mostrou favorável a ajudar, colocando vários obstáculos.  Tentamos então com um vereador para interceder, haja vista que este tem bom relacionamento com a administração, porém sem sucesso.

Várias pessoas intervieram tentando de alguma forma conseguir que o veículo fosse disponibilizado, tentando contato com o prefeito, com o assessor de saúde, com os vereadores. O assessor disse que deveríamos seguir o protocolo determinado pela Direção Regional de Saúde, que seria o seguinte: passar pela Santa Casa de Monte Aprazível onde após a avaliação do médico plantonista, este faria um encaminhamento para São José do Rio Preto, ai seria fornecido uma ambulância até o Hospital da Criança. Depois, no Hospital da Criança, ela receberia uma nova avaliação, e em posse do pedido de encaminhamento aí sim o município disponibilizaria uma ambulância do SAMU com profissionais que acompanhariam a Loarah até São Paulo.

Imagine uma mãe em desespero no meio dessa burocracia e vinha na minha cabeça a ordem dos médicos de São Paulo: qualquer problema traga ela imediatamente para cá.  Para uma mãe é uma tortura sem tamanho.

Como não havia meio de convencer o prefeito e o assessor da gravidade do caso, fui até a Santa Casa, acreditando que o procedimento seria rápido, era caso de vida ou morte. Porém, demorou mais de 1 hora, e quando finalmente conseguimos o encaminhamento para São José do Rio Preto, veio uma ambulância comum, sem qualquer profissional da saúde que pudesse acompanhar. Fomos para o Hospital da Criança, onde permanecemos por mais de 4 horas implorando para que nos dessem o encaminhamento, o que foi negado, pois lá fomos informados que não seria possível nos fornecer o encaminhamento para São Paulo, sendo importante lembrar que a equipe médica responsável pelo tratamento encontrava-se de prontidão aguardando.

E novamente tentamos, imploramos aos responsáveis em Monte, inclusive propus assinar um termo de responsabilidade para que a ambulância fosse fornecida, e se algo ocorresse não recairia sobre o município. Não fui atendida.

Diante disso, não tive escolha. Apelei por buscar ajuda particular, de pessoa disposta a nos levar até São Paulo, para que enfim minha filha recebesse os cuidados de que necessitava.

Implorei por uma ambulância e não consegui. Então, me pergunto: de que adianta tanta ambulância, porque deputado fulano dá ambulância, deputado sicrano dá ambulância se elas não nos servem, se na precisão, ouvimos um não. As ambulâncias estavam lá paradas quando precisei. Estavam de enfeite? Quando precisei delas não vi boa vontade de ninguém.

Mas eu não vou me preocupar com isso. A minha preocupação é com a luta diária da Loarah para sobreviver. Depois de mais um processo cirúrgico ela está bem. Não sei quando vou voltar para Monte com ela. Mas toda vez que sentir que ela está sob risco de vida por qualquer processo, eu vou trazê-la imediatamente para São Paulo. Se a prefeitura me trouxer, tudo bem, se não, sei que posso contar com pessoas generosas para me ajudar.

Faço esse desabafo de forma serena, sem ofensas, sem rancor. É algo que não me dá nenhuma satisfação fazer, ao contrário, me revolta. Mas é uma revolta consciente de minha condição cidadã. Para que os responsáveis pela saúde do município façam uma reflexão neste período tão cristão e solidário. Por quanto tempo, o cidadão vai implorar por seus direitos, mendigar aquilo que lhe é de direito?  Quantas pessoas ainda vão precisar de uma ambulância e não serão socorridos?

É época de Natal, de felicidade, de perdão. Eu desejo felicidades a todos. Tenham um bom Natal.

Prefeitura de Monte diz seguir protocolo

Segundo o assessor municipal de Saúde, Luis Sidinani Nassibo, não houve recusa da prefeitura em fornecer o veículo. “Nos temos um protocolo a seguir que é determinado pela Diretoria Regional de Saúde. A referência do município é a Santa Casa local e foi para lá que encaminhamos a Loarah. De lá, ela foi encaminhada para o Hospital da Criança, em Rio Preto. O encaminhamento para São Paulo deveria ser autorizado, em Rio Preto.”

Ainda segundo Nassibo, seria irresponsabilidade da prefeitura encaminhar a mãe e menina em uma ambulância comum, só com o motorista e sem uma equipe médica. “Dada a gravidade do caso da menina, ela teria de ser transportada pelo SAMU, veículo indicado, dotado de equipamentos estabilizadores e profissionais preparados e não cabe ao município esse tipo de transporte. Não houve recusa ou má vontade do município. Nos fizemos nossa parte no protocolo.”

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