Walter Spolon: Poucas e boas

Antigamente a política era um pouco diferente da atual. Não que não existissem os políticos corruptos, corruptores e corrompidos. Nada disso. Mas as coisas aconteciam com um pouquinho mais de refinamento. Os escândalos eram infinitamente menores do que os de hoje.

Veja bem! Não estou dizendo que não existiam. Pelo contrário. Aqui no Brasil os escândalos existem desde a época do descobrimento. Isto é, quando os bravos portugueses aqui aportaram, foram recebidos por uma comissão indígena, formada apenas pelos caciques maiores, que ditavam as regras.

E assim tudo começou!

“Vamos lá, ô gringos! Passem o vinho e a pinga prá cá, que nós cedemos a madeira de lei, existente em grande quantidade. Assim, foi…”.

Mas, os gajos, que de bobos não tinham nada, logo exigiram uma mercadoria melhor, mais valiosa.

“Tudo bem, Cabral e Família! Podem levar tudo que quiserem…”

Foi assim que, logo apareceu um outro Cabral (2). Esse não deixou por menos! Se aquele levou as pedras preciosas, por que este haveria de se contentar com tão pouco? Logo foi falando grosso!

Se quiseres, podes mandar ver! “Diga que vais preparar um acontecimento suntuoso”. Coisa que vai levar esta “terrinha” a ocupar o primeiro lugar no mundo! “Quiçá um outro campeonato mundial da “pelota”“?

Dito e feito! Não é que eles acertaram mesmo? Na mosca! Nosso país é, hoje, o número 1 em falcatruas! E pensar que tudo de bom que aqui existia foi por água abaixo.

Mas, agora, pensando nos seriados antigos, que passavam aos domingos, depois do filme, surgiram “Os Mocinhos”, para combater o mal, para vingar as pessoas de boa índole, das garras dos bandidos.

E, assim, meio ao estilo Randolph Scott ou outro herói do oeste americano, surge, o nosso herói, o destemido lutador do bem contra o mal, o herói tupiniquim, o Juiz Sérgio Moro que, com sua equipe, trava violenta luta, contra os bandidos de plantão, desde a época do descobrimento.

Essa luta acontece 24 horas por dia. Como nos filmes, prende um aqui, mas os “xerifes” de plantão soltam outro lá.

Outro caso é o do Maluf, Você já sabe, mas vamos repetir. Maluf é um dos políticos mais antigos. Provavelmente, seu domínio político já existia, quando nasceu. Quando se elegeu pela primeira vez, já sabia dar nó até em bananeira.

Exerceu quase todos os cargos políticos. Foi eleito, cassado. Foi cassado, eleito. Seus problemas começaram em 1970,quando doou um “Fusca”, para cada jogador do TRI, conquistado no México. De lá prá cá, um verdadeiro rosário. Não que tivesse se redimido, claro. Mas um rosário ou, talvez, vários, em coisas erradas e processos.

Se, naquela época, tivesse doado uma Mercedes, não seria processado, mas, cá entre nós, doar um “Fusquinha”, aí já é demais!

Mas, por que prender o homem que, já com muita dificuldade, necessita de bengalas para se apoiar? No auge da “carreira”, tinha outros apoios.

Astuto como nenhum outro político, fez, ao longo da carreira, muitos amigos, muitos correligionários.

Mas, como disse antes, política é, no mínimo, um caso engraçado.

Você se lembra de um político antigo de nossa cidade, ademarista roxo, que foi Presidente de nossa Câmara Municipal, no período de 1º de janeiro de 1953 a 31 de dezembro de1957? Pois é, este, podemos afirmar, de boa índole, que ganhou a vida lutando muito, um pai de família dedicado, mas que sempre gostou de política. Ademarista roxo, como tantos outros em nossa cidade. Pois é. Foi Vereador, Presidente da Câmara, como disse. Uma época em que não havia salários para os nobres edis.

Seu Chiquinho. O conhecido Vereador Francisco de Paula, chegada a hora de pendurar as chuteiras, lançou seu filho Francisco de Paula Filho, para os amigos, o Chumbão, candidato a Vereador, em nossa cidade.

Dito e feito! Lançada sua candidatura, tratou logo de mandar pintar o muro de sua casa, com a propaganda do filho. Para tanto, contratou um pintor profissional, amigo seu, para o serviço.

Combinado, a ele deu o papel com os dizeres da propaganda a ser escrita no muro.

Terminada a tarefa o dito pintor, convidou o Sr. Chiquinho, para dar uma olhadela na obra e foi logo dizendo:

“Cumpade, (naquela época todo mundo era cumpade) e foi logo acrescentando:

No papel, o Sr. escreveu “Com o apoio do pai”. Achei muito pouco e escrevi, também “com o apoio da família, do pai, dos amigos, vizinhos e conhecidos”!

O dito candidato não se elegeu, apesar do apoio de tantos…”

Seus familiares: Dona Nalzira, a esposa, e seus outros filhos, Nely, Neide, Nilza e Nelma.

Categorias: Artigos