João Célio identifica gestões deficientes sucessivas como maior problema de Monte

Para presidente da Câmara, história da cidade exige que políticos e sociedade “descruzem os braços” e façam com que o município ande pra frente. Em entrevista exclusiva, João Célio fala dos problemas pontuais da cidade que seriam “filhotes do problema mãe”,  que foi a falta de planejamento das últimas gestões

Quais os principais problemas de Monte Aprazível?

O município tem muitos problemas, mas muitos mesmo.  Temos problemas urbanísticos bem sérios, como ruas intransitáveis, problemas com coletas de entulho, galhos, calçadas, lotes sujos, inexistência de sinalização e ordenamento do trânsito. Há reclamações no atendimento médico e distribuição de remédios. Enfim, temos problemas com iluminação pública, conservação de praças e equipamentos públicos, na conservação de estradas e pontes e ainda temos uma máquina administrativa ineficiente, cara e esbanjadora de recursos. Mas esses problemas são filhotes do problema mãe que é a falta de planejamento e de visão de nossos últimos prefeitos.

E o desemprego, não é um problema?

É outro filhote do problema mãe. O desemprego atinge todos os municípios, mas atinge menos aqueles que têm mais planejamento em políticas de desenvolvimento. A situação do município na questão do emprego poderia estar melhor, se houvesse tido, no passado e hoje, políticas de desenvolvimento econômico de geração de renda e emprego.

O senhor fala em falta de planejamento e visão.  Que ideia tem de planejar e de visão econômica?

O eleitor do município tem votado em nomes. Ah, não quero mais o Wanderley (Sant’Anna prefeito de 2005 a 2012), agora quero o Maurinho (Pascoalão, de 2013 a 2016), não vou de Mauro, vou de Nelson (Montoro, o atual).  Eu acho que o eleitor deve votar em um projeto de governo, elaborado com clareza e dentro da realidade financeira da prefeitura para que possa ser realizado.  Não adianta colocar no papel vou fazer isso, vou fazer aquilo, só coisas com o fim de ganhar a eleição.  O candidato deve ter clareza daquilo que é preciso fazer e como fazer. Eleger questões prioritárias dar prioridade a elas na aplicação dos recursos.  O problema é o desemprego, então eu vou criar um Distrito Industrial e dar terreno para o empresário. Geração espontânea de emprego é mágica, e mágica não existe. Tudo deve ser pensando de forma global. Vamos doar o terreno, mas temos de otimizar o número de vagas, a receita da empresa, a atividade dela.  Doar um terreno para quem cria 100 empregos é muito mais eficiente do que doar para dez que vão criar trinta vagas no total. Vai doar terreno para indústria, legal, mas esses terrenos têm de ser disputados pelos empresários, eles tem de ter interesse grande nele motivados pelo retorno econômico da produção da fábrica que ele vai instalar nele.  Se não vira especulação imobiliária, em vez ganhar com a produção o empresário ganha com a valorização da área que ganhou, aluga para terceiros.

E como gerar esse interesse de empresas com número maior de empregos?

Aí é que entram o planejamento e a visão econômica.  É preciso pensar a cidade como um todo. Para atrair, chamar atenção, temos que ter uma cidade ordenada, com infraestrutura urbana adequada, espaços culturais e de lazer, atendimento em saúde impecável, boa educação, serviços municipais ágeis e eficientes. Precisamos pensar na nossa vocação, naquilo que temos e naquilo que somos qualificados, como é o caso de nossos produtores rurais, altamente qualificados na produção de matérias primas.  Temos de pensar em qualificação profissional de nossos trabalhadores, principalmente nas nossas trabalhadoras, nas mulheres, na dona de casa que pode obter renda ou salário estando qualificada e preparada para o mercado de trabalho. Eu penso que se tivéssemos estrutura urbana de excelência, condições e apoio ao empreendedorismo, política de diversificação agrícola e qualificação profissional, os investidores viriam pra cá tendo terreno ou não.

O que a Câmara pode fazer nesse sentido?

Na estrutura política do Brasil, o poder e atuação do vereador são limitados nesse sentido. A gestão municipal é prerrogativa exclusiva do prefeito.  A Câmara pode discutir essas questões e é intenção da Mesa Diretora propor essa discussão com a prefeitura, com as entidades da agricultura, do comércio, da indústria e a partir desse debate criar um plano de ação de desenvolvimento. Somos uma sociedade dinâmica, historicamente foi assim. Até os anos 60, Monte Aprazível foi a cidade mais importante depois de Rio Preto, em termos de produção agrícola, comércio, serviços, saúde e educação. Eu acho que somos capazes de retomar a nossa história. Nós temos muita vontade de trabalhar e muito orgulho, não podemos ficar de braços cruzados vendo a cidade regredindo para uma vila.

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