JORI, o importante é competir, mas o contato social entre os participantes vale medalhas

Canezin, chefe da delegação de Monte há 17 anos, conta histórias dos bastidores dos Jogos Regionais dos Idosos

Monte Aprazível está participando desde a última quarta-feira dos Jogos Regionais do Idoso (Jori) na cidade de Andradina. Os atletas de Monte Aprazível estão acompanhados da comissão técnica que é chefiada por Maria Aparecida Canesin, a Canê, que desde 2001 acompanha e incentiva a delegação da melhor idade de Monte Aprazível.

Canesin diz que assumiu a chefia da delegação por obra do destino. “Fui convidada para participar de uma reunião do Fundo Social de Solidariedade, que tem ligação com os Jogos dos Idosos. Na ocasião foi abordado o motivo pelo qual Monte Aprazível só tinha participado de duas das quatro edições do Jori, aí me indicaram e acabei me envolvendo com os jogos, porque do clube eu já participava por causa dos meus pais que frequentavam suas reuniões.”

Durante os 17 anos em que chefia a delegação de Monte, Canesin diz que o clube tem conquistado resultados significativos tanto nos jogos regionais como nos estaduais, agora chamados de JAI (Jogos Abertos do Idoso), como a 3ª colocação na classificação geral do Jori de Catanduva em 2007.

Quando jovem Canesin diz que praticava atletismo e era aficionada por dama e xadrez. Agora ela incentiva seus atletas a participarem das provas dos jogos da terceira idade e ela diz que o clube teve vários destaques nesses anos todos. É o caso de Carlos Lemos e Rubens Gutierrez na natação, Antônio Sponton e Paulino Zanela, já falecido, que foram campeões na malha em 2003, Alcides Saraiva de Almeida, também falecido, que foi campeão por diversas vezes na dama, Fátima Carvalho e Ghislaine Coletti que foram campeãs no buraco em 2007, João Takanodi Kisihara e Isaura Kisihara, falecida, que foram vice-campeões no Jori e campeões do Jei em 2006, Gilberto Botte e Dirceu Nogueira, que foram campeões de dominó em 2007, José Martins e Antônio Ferreira, que foram campeões em truco em 2007, Antônio Pina que por diversas vezes foi campeão em xadrez, Madalena Ferreira dos Santos e Aparecido Valdevino Guimarães que foram campeões em dança de salão em 2010 no Jori e vice-campeões no Jei do mesmo ano e Idalina de Freitas Paschoalão e Aparecido Valdevino Guimarães que foram campeões da dança de salão no Jori e classificaram-se em 8º lugar no Jei em 2009 e Vandeli Araújo cera que sagrou-se campeã em dama no Jori de Catanduva em 2014, “mas todos os atletas são importantes e mostram sua garra ao participarem das modalidades esportivas dos jogos do idoso”, destaca Canesin.

Canesin tem uma preocupação muito grande com o desempenho e bem estar dos atletas e da delegação por isso há três anos consecutivos a delegação, que antes ficava alojada em escolas durante as competições dormindo em colchões espalhados pelo chão, agora fica hospedada em hotéis que são pagos com subvenção repassada pela prefeitura associada à renda de bazares e bailes que o clube promovem ao longo do ano. “A nossa delegação é composta por pessoas com idade mais avançada então procuramos oferecer mais conforto, até para que seu rendimento nas provas seja melhor”, enfatiza.

Com 17 anos de jogos o que não falta para Canesin são histórias pitorescas para contar. Ele elenca algumas como mais interessantes. Lembra que nos jogos estaduais da Praia Grande uma atleta esqueceu o documento de identidade sem o qual não participa das provas. “Nós ligamos para Monte e a irmã da atleta levou o documento até a Cometa em Rio Preto para que fosse levado, mas o motorista se recusou a levar. No entanto, uma passageira se prontificou a levar. Ao chegar lá dois membros do clube foram buscar o documento e levaram a passageira até seu destino final com dois sacos de laranja. Foi muito engraçado”.

A delegação deste ano é composta por 72 pessoas entre atletas e comissão técnica e o clima durante os jogos, segundo Canesin, “é muito gostoso, fazemos novas amizades, revemos amigos antigos. Existe a competição, mas ela fica no ambiente da prova, no restante do tempo é só confraternização. Nos alojamentos o pessoal faz bingos, toca instrumentos musicais, faz bailinhos, conta piada, joga conversa fora, por isso a nossa delegação fica no alojamento o tempo todo, só vai para o hotel dormir”, conta.

Mãe troca o filho pelo Jori

Paulo Henrique da Silva Pereira parece não querer soltar do abraço da mãe dele, a Maria Eugênia da Silva,  a aposentada que curtiu o abraço do filho, mas que demonstra ansiedade para curtir a viagem para Andradina com os amigos de Monte Aprazível e os que ela pretende fazer durante o Jori, Jogos Regionais do Idoso 2018.

Ela é integrante da delegação que está representando Monte Aprazível nos jogos deste ano, mas já é considerada uma vencedora antes mesmo de entrar em quadra para a competição. A medalha que ela orgulhosa estampa é a presença dos amigos que se tornaram outra família.

Segundo Paulo Henrique, que viajou mais de 500 quilômetros até Monte Aprazível para curtir as férias, as participações no grupo da melhor idade são fundamentais para a qualidade de vida da mãe dele. “Para minha mãe estar neste grupo é ótimo, pois ela fica motivada, animada, se diverte a semana inteira, é parte da vida dela já estar com os outros idosos, curtir a vida”, afirma o filho que ficou sem a mãe nas férias, trocado pelos jogos.

Para ele, a participação no grupo da melhor idade fez com que a mãe sentisse menos os efeitos de uma grande perda. “Quando o meu irmão faleceu, minha mãe sentiu muito, como toda mãe sentiria, mas as amizades ajudaram na superação.”

Paulo Henrique ressalta a união dos idosos. “Todos eles são bem animados, é impressionante a disposição que eles têm pra praticar esportes, dançar, fazer as atividades. As vezes estou em casa e só recebo a mensagem (via whatsapp) da minha mãe e do meu padrasto que estão indo para o baile, em outra cidade as vezes, percebo a felicidade dela e isso é bom demais, tem que se divertir mesmo.”

O time e eu precisamos de você

Agostinha e Rubens Molina estão casados há mais de 50 anos e em poucas vezes neste período ficaram distantes um do outro. O bom humor, companheirismo e o amor entre os dois, chamam a atenção de quem convive e os conhece em Monte Aprazível. Frequentadores do Clube da Melhor Idade estão entre os idosos que adotaram o grupo como família e amigos especiais para o cotidiano.

Por conta deste espírito de união que Agostinha fez um pedido especial para os outros membros do grupo, principalmente para a diretoria, convencer Rubens viajar para Andradina e representar Monte Aprazível, sem a companhia dela, acometida por um problema de saúde.

Para convencer Rubens a ir, a mulher apelou aos companheiros: “Vocês tem que convencer o Rubens que precisam dele, ele não quer ir por minha causa, mas minha filha vai cuidar de mim, e gostaria muito que ele fosse”, revela uma das mensagens. Rubens cedeu aos apelos de filhos, netas e integrantes da delegação.

Jogador do vôlei adaptado e atleta da equipe de natação de Monte Aprazível, Rubens Molina não esconde o dilema pelo qual vem passando nos últimos dias. “Eu gosto de participar dos jogos, mas eu não consigo ficar longe da minha esposa, é muito difícil eu sair e deixar ela, eu sei que tem gente que cuida que não vai ter problema, mas o amor que sinto por ela, me faz querer ficar” afirma o aposentado tentando conter as lágrimas.

Rubens foi para Andradina, com o coração apertado e também com a cabeça na recuperação da esposa. Ele ajudou o time de Monte vencer no vôlei adaptado, e voltou no mesmo dia para os braços da amada, com a sensação de ter atendido a cidade e não deixar a esposa por muito tempo.

Sem ser atleta, funcionária se dedica aos idosos pela convivência

Engana-se quem acredita que no Jori, estão somente os que já passaram dos 60 anos de idade, entrando assim oficialmente na faixa etária da melhor idade. Entre os participantes estão aqueles que estão distantes desta marca de vida que nem por isso deixa de curtir a vida com quem já têm mais experiência.

A servidora pública Dulce Boraschi está entre as que participam dos Jogos de Idoso de forma diferente, ela sequer entra em quadra para competir. A aprazivelense é uma das encarregadas em cuidar dos membros da delegação aprazivelense dentro e fora das áreas de competição.

Há mais de uma década trabalhando com os idosos, Dulce classifica como parte de sua vida a convivência entre os membros do grupo. “A gente acaba fazendo deles uma parte da gente. Se um idoso está doente, a gente fica preocupada, se está com algum problema em casa a gente fica preocupada com eles, é a nossa família”, comenta ela.

Não podendo participar das competições por conta da idade, abaixo do permitido no regulamento, ela enxerga no Jori, lições que lhe serão úteis no cotidiano. “Ver o pessoal com mais idade que a gente correndo, nadando, pulando, dando o máximo de si e acima de tudo se divertindo, é uma lição de vida para que a gente viva intensamente que contagia qualquer pessoa”, afirma Dulce Boraschi que já enfrentou problemas graves de saúde e encontrou apoio nas participações com a melhor idade.

“Com certeza a qualidade de vida dá um salto quando participamos destas atividades em grupo. Não existe cansaço, a gente se dedica, a gente vive cada momento com eles e se sente realizado, a gente sente o brilho no olhar deles e a alegria, o bem estar contagia todos, é ótima a melhor idade.”

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