Risco de febre amarela rural é baixo na região; 90% da população está vacinada

Agentes de saúde de Tanabi e Monte alertam que o problema é a incidência urbana da doença e indicam a vigilância e o combate ao mosquito transmissor da versão urbana da febre

Apesar da corrida que tem havido para a vacinação contra a febre amarela em algumas cidades como São Paulo, as populações de Monte Aprazível e Tanabi não precisam se preocupar, pois nos dois municípios é alto índice da população já  vacinada anteriormente e existem vacinas disponíveis para os habitantes que ainda não foram imunizados.

Sílvia Câmara Paschoalli, enfermeira responsável pela vigilância epidemiológica de Monte Aprazível, disse em entrevista a A Voz Regional que 88% da população monte-aprazivelense já está vacinada contra a febre amarela, o que equivale dizer que 20.240 pessoas já tomaram a vacina em campanhas anteriores. Rosana Gonzales, assessora de Saúde de Tanabi, afirma que “o índice de imunização da população tanabiense está dentro do esperado e estabelecido pelo GVE 29”. Adriana Paula de Oliveira Gasques, enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica do município, diz que 80% da população está vacinada o que equivale dizer que cerca de 19 mil tanabienses já tomaram a vacina contra a febre amarela.

E tanto em Monte Aprazível quanto em Tanabi existem vacinas suficientes para atender as pessoas que ainda não foram imunizadas. Sílvia diz que “temos quantidade suficiente da vacina na grade mensal. Vai chegando e a gente vai aplicando em quem ainda não tomou”. Em Tanabi também existe vacina suficiente para atender os não imunizados. “Temos vacina suficiente – diz Rosana – em abril de 2017 houve mudança no calendário de vacinação contra a febre amarela e a partir de então uma dose da vacina já garante a imunidade para toda a vida, sendo assim só será administrada a vacina na população que nunca recebeu a dose”.

Sílvia e Rosana ratificam que a prioridade para a vacinação são as pessoas que nunca receberam dose da vacina, ou seja, crianças a partir dos 9 meses e pessoas com idades extremas, como idosos com 60 anos ou mais, que nunca foram vacinados ou sem comprovação de vacinação.

Indagadas sobre os riscos da vacina e de não vacinar-se, Sílvia responde “todo medicamento oferece risco e a vacina é um medicamento. Mas é necessário pesar o custo benefício. Os riscos que eventualmente podem ocorrer são reações alérgicas a qualquer componente da vacina”. Rosana diz que “pessoas que nunca entraram em contato com a febre amarela ou nunca se vacinaram contra ela correm o risco de contrair a doença ao viajarem para locais em que a doença é ativa, mesmo que não haja casos recentes reportados nestas regiões. O risco é maior para pessoas com mais de 60 anos e qualquer pessoas com imunodeficiência grave devido a HIV/Aids”.

A vacina não é recomendada, segundo elas, para crianças menores de 9 meses, gestantes e puérperas e é solicitada a prescrição médica no caso de pacientes com doenças imunossupressoras ou que estejam debilitados por outra doença.

Questionadas sobre a necessidade de vacinação de quem reside em zona rural. Sílvia responde que “não importa a zona em que a pessoa reside. Todos têm que se imunizar. O que importa realmente é se está tendo ou não surto de febre amarela. No Brasil não tem caso de febre amarela urbana, transmitida pelo Aedes aegypti, desde 1942. O problema é que tem havido casos de febre amarela silvestre transmitida pelo Haemagogus e Sabethes”.

Rosana lembra que “embora no Brasil não se registrem casos de febre amarela urbana desde 1942, há ocorrência de casos e surtos da doença transmitida por mosquitos silvestres nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, próximos a centros urbanos com abundância do mosquito Aedes aegypti, que pode propiciar reurbanização da doença”. Por essa razão, Silvia alerta as pessoas a combaterem o mosquito Aedes aegypti para que não haja contaminação urbana, “pois esse é o perigo, e além disso,  ainda há a zika, chikungunya e a dengue que são transmitidos pelo Aedes”.

Sílvia diz que não há como mensurar o índice de infestação do Haemagogus e Sabethes na região de Monte Aprazível porque eles vivem dentro de matas e não na zona urbana, mas o Aedes aegypti está presente em nossa região nas áreas urbanas.

É significativa a presença de macacos em Monte Aprazível e Tanabi, apesar disso não existe nos dois municípios mapeamento que identifique matas com concentração de macacos. No entanto, Sílvia diz que “o problema não é o macaco é o mosquito. O macaco na verdade é um termômetro para nós humanos porque ele também é acometido pela febre amarela. Se tivermos a morte de um macaco é porque há infestação na mata em que ele habita”.

Tanto em Monte Aprazível como em Tanabi foi registrada a morte de macacos, um em cada município, mas os dois morreram eletrocutados. Silva e Rosana explicam que “os macacos saem das matas em busca de comida e vem andando pelos fios, ao tocarem em fios de alta tensão morrem eletrocutados”.

Por isso, elas avisam que não há necessidade de alarde na região. Nenhum macaco morreu em razão de febre amarela e a probabilidade de alguém contrair febre amarela em Monte Aprazível e Tanabi é baixa considerando o alto índice de vacinação da população. Sílvia e Adriana recomendam, no entanto, que as pessoas tenham cuidado com suas cadernetas de vacinação. A carteira de vacinação, segundo elas, é um documento no qual estão registradas todas as doses de vacina que a pessoa tomou durante toda a vida e a validade das vacinas.

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