Gasolina formulada tem menor rendimento, mas é vendida com preço de original

Donos de postos defendem a obrigatoriedade de informação na bomba sobre o tipo de produto que consumidor está comprando

Com anuência da Agência Nacional do Petróleo (ANP), os postos de todo o Brasil já podem vender um tipo de gasolina chamada de “formulada”. Combustível formulado não é sinônimo de batizado ou adulterado. Trata-se de um produto feito a partir de sobras de combustível comum, que depois são misturados a produtos químicos para aumentar seu rendimento. A qualidade é inferior à gasolina comum, mas sua venda é autorizada pela ANP. O problema é que o produto formulado é mais fácil de ser adulterado, já que é feito a partir da mistura de diversos elementos (como em uma fórmula, como o próprio nome já diz). Outro ponto negativo é que, por utilizar substâncias mais leves, ele também rende menos. Mas o combustível só fará mal ao seu carro se o fabricante usar mais produtos leves do que o recomendado.

Os proprietários de postos de Monte Aprazível se dividem quanto à eficiência da gasolina formulada. Guilherme Nagata, do Auto Posto Nagata, diz que a gasolina comum é feita a partir de 100% da refinação do petróleo, enquanto que a formulada é produzida a partir de 50% da refinação acrescida de produtos sintéticos. “Ela sai em média R$ 0,30 mais barata que a gasolina original, mas também rende 30% menos que a gasolina comum”, diz.

 

Guilherme diz ainda que a gasolina formulada “só está disponível em distribuidoras que não possuem bandeira, porque as bandeiradas como Ipiranga, Petrobrás e Shell tem suas próprias refinarias”.

De acordo com Guilherme, as distribuidoras sem bandeira pagam R$ 0,30 a menos pela gasolina formulada mas vendem pelo valor da original. “Eles não são obrigados pela ANP a informar o consumidor. Há alguns casos em que até o proprietário do posto sem bandeira vende a formulada sem saber”.

Guilherme diz ainda que “por se tratar de produto sintético, a gasolina formulada causa mais problemas no motor do carro, especialmente na parte de injeção eletrônica e bicos injetores e o carro consome 30% a mais que a gasolina original”. Por isso, em sua opinião “o governo e a ANP deveriam exigir a informação ao consumidor para saber o produto que está abastecendo porque a coloração e o cheiro da formulada é igual a original”.

Adhemar Ferreira Junior, do Posto Elefantinho, explica que a gasolina comum já sai da Petrobrás pronta enquanto que a formulada é resultante da mistura de vários hidrocarbonetos, que são componentes da gasolina, feita pelas distribuidoras. Com relação a rendimento, ele diz não ter informações. “Uns falam que rende 15% a menos, outros 30%, mas é apenas especulação. A ANP determina que a formulada tenha o mesmo padrão da refinada”.

Ele acredita que a gasolina formulada tenha um custo menor para as distribuidoras e diz que esse desconto não chegam nas bombas porque “as distribuidoras que importam os componentes da formulada ficam com essa diferença, não a repassando ao consumidor”.

Impostos Elevados

A Petrobrás tomou a iniciativa de anunciar o valor que ela vende os combustíveis. Por exemplo, ela vende a gasolina a R$ 1,51 e o diesel a R$ 1,74. Guilherme e Adhemar dizem que a medida deixará o consumidor sem entender porque na bomba o preço é tão mais caro, mas eles explicam. Guilherme diz que a Petrobrás informa o preço do produto cru, “sem impostos, porque em cima do preço da Petrobrás tem a cobrança de ICMS, que dependendo do Estado varia de 25% a 34% no valor da pauta, o PIS/Confins que representa entre R$ 0,79 a R$ 0,80 por litro e tem também o CID, que é um imposto federal, que representa em torno de R$ 0,15 por litro. Aí tem o salário e periculosidade dos funcionários e quando se passa o cartão de crédito ainda é retido de R$ 0,08 a R$ 0,11 por litro para a administradora do cartão, fazendo todas essas contas para o posto sobra praticamente nada, a margem de lucro é muito pequena”.

Adhemar concorda que o consumidor que diante do anuncio da Petrobrásse pergunta por que paga tão mais caro pelo combustível na bomba. Em sua opinião essa iniciativa serve para o Brasileiro saber a quantidade de impostos que paga. “Porque 28% do preço da gasolina é o preço da Petrobrás ao sair da refinaria, mas aí incidem sobre ela impostos como 16% de CID e PIS/Pasep e Cofins, 29% de ICMS, 13% do custo do etanol que é misturado à gasolina e 14% do custo de distribuição e revenda. Quando a gasolina chega na bomba vem com preço final carregado de 45% só de impostos”.

Indagados sobre a tendência do preço da gasolina na cidade, já que nas últimas semanas o valor tem recuado, eles explicam que há seis meses a política de preços da Petrobrás é de reajuste diário para cima ou para baixo. Nas últimas semanas a tendência foi de baixa em função do recuo do preço do petróleo e do dólar.

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